Reunião de cúpula na Celac reúne líderes do continente, depois dos EUA de Donald Trump atacar a Venezuela e ameaçar a tomada de Cuba
JC
Publicado em 22/03/2026 às 0:00
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A desenvoltura com que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado e agido contra o que resta da ordem internacional, desde que assumiu a Casa Branca em seu segundo mandato, não deixa de ser surpreendente. Mesmo para o magnata que se apresenta em caras e bocas de caricatura, o teor dos discursos e a magnitude dos atos, ao recordarem o modo imperialista de séculos passados, assustam a população mundial. E colocam a inquietante pergunta para os demais líderes contemporâneos: o que é possível fazer para frear a escalada de insensatez e ingerência nos assuntos de outros países, como se fossem parte do território estadunidense?
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) deu início a um encontro de cúpula no sábado, em Bogotá, na Colômbia. Na pauta das reuniões, além da reafirmação dos esforços de integração, a partir de identidades nem sempre coesas, a Celac irá se debruçar, certamente, sobre o horizonte perturbador do posicionamento dos EUA em relação à região, no curso do segundo governo Trump. Por mais que seja difícil a criação de um contraponto político ao argumento de força utilizado por Trump, ao brandir exibindo a potência bélica sob seu comando, o papel dos vizinhos continentais é relevante. Ainda que com certa dissonância – especialmente da Argentina, na atualidade – a formação de um coro representativo de discordância e dissonância das estultices de Washington, mostraria ao mundo, e aos cidadãos norte-americanos, que as fronteiras da soberania e do bem senso permanecem válidas.
Dentre os pontos que devem ser enfatizados, está a indicação que a América Latina não é zona de guerra, mas de paz. Ainda que a invasão das facções do crime organizado e do tráfico de drogas – endereçadas em sua maioria para os EUA, principal nação consumidora – não configure exatamente uma realidade apaziguada, os conflitos internos não devem ser tratados como assuntos de uma potência bélica travestida de salvadora. Até porque, como o próprio Donald Trump afirmou algumas vezes, o que está em jogo, para ele, é o interesse de seu país, na visão dele, Trump, já que suas decisões são cada vez mais contestadas nos EUA.
Mas como reforçar a paz sem cair no mesmo tipo de argumentação de quem a rechaça? O combate ao crime organizado é um caminho promissor, caso os governos, de fato, cooperem entre si no compartilhamento de informações e na articulação de medidas impactantes contra os criminosos e suas atividades. Por outro lado, a demonstração de unidade política e institucional é requerida, no momento que a Casa Branca se sente à vontade para invadir um país latino-americano, sequestrar e prender o presidente ditador, e dar a entender que manda na sucessora que era vice – na Venezuela. Ou falar abertamente que vai tomar o poder em Cuba, para governar diretamente a ilha como um estado norte-americano.
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