Adriano Oliveira: Quais as chances de Ratinho Júnior?

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Adriano Oliveira: Quais as chances de Ratinho Júnior?


Existe espaço para um candidato que se apresente claramente como o pós-Lula e o pós-Bolsonaro. Mas por que ele ainda não foi ocupado?



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A ferramenta que mais admiro na pesquisa qualitativa é sua capacidade de desvendar os porquês. Assim, não basta o votante dizer que quer mudança, é preciso saber quais são os motivos que o levam a desejá-la. Desde o início do governo Lula, as pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência fazem a seguinte indagação aos entrevistados: “Em sua opinião, o Brasil melhorou, segue na mesma ou piorou? Por quê?” Por meio dessa pergunta, buscamos identificar o sentimento do eleitor em relação ao país.

A partir de 2023, noto que persistem dois sentimentos majoritários: “o Brasil piorou” ou “segue na mesma”. O sentimento de que “melhorou” é identificado, mas não é predominante. As razões que constroem a percepção de piora são principalmente: violência, inflação, impostos e corrupção. Quanto ao sentimento de que o país segue na mesma, ele é frequentemente exemplificado por frases como: “Nada mudou. Tudo segue na mesma: violência, corrupção e carestia”. Já as justificativas para o sentimento de melhora estão associadas a fatores como políticas sociais, a saída do Brasil do mapa da fome e a diminuição da desigualdade.

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A Cenário Inteligência também faz, há algum tempo, a seguinte pergunta: “Quem você prefere à frente da Presidência da República: Lula, Jair Bolsonaro ou nenhum?”
E por quê? Desde meados do ano passado, a opção “nenhum” tem aumentado consideravelmente e, em alguns estados, já é predominante. Recentemente, fizemos ainda a seguinte indagação: “Você votaria em um candidato que não fosse Lula ou Jair Bolsonaro?” Para nossa surpresa, o “sim” foi predominante, motivado principalmente pelo cansaço com a polarização, pelas constantes brigas políticas e pela busca por uma nova alternativa.

Os dados apresentados deixam claro aquilo que temos afirmado com frequência desde o momento em que Tarcísio de Freitas insistia em se apresentar como um candidato bolsonarizado à Presidência da República: existe espaço para um candidato que se apresente claramente como o pós-Lula e o pós-Bolsonaro. Mas, se esse espaço existe, por que ele ainda não foi ocupado? A razão é simples: há inúmeros políticos que decifram o Brasil a partir de uma explicação única, qual seja, a de que o país está rigidamente polarizado.

Não é exatamente isso que os dados indicam. Embora as pesquisas de intenção de voto frequentemente mostrem o presidente Lula e Flávio Bolsonaro empatados, isso não significa que o Brasil permaneça estruturalmente polarizado. A realidade eleitoral exige explicações mais complexas. Lulismo e bolsonarismo dividem parte do eleitorado porque muitos eleitores que temem Flávio Bolsonaro acreditam que apenas Lula pode evitar o “retorno da extrema direita”, como exemplifica um dos entrevistados. Há também outras razões, como a preferência direta pelo atual presidente em comparação com Flávio Bolsonaro.

Por sua vez, o eleitor antilulista acredita que apenas Flávio Bolsonaro seria capaz de derrotar o atual presidente da República, principalmente porque deseja mudanças econômicas e tem a percepção de que a vida não está melhorando. Ademais, grande parte desse perfil do eleitorado considera Lula corrupto. Assim, lulismo e bolsonarismo tornam-se dois fenômenos que, embora também gerem rejeição, produzem a crença em parte do eleitorado de que é necessário apoiar um dos dois para impedir a vitória do outro.

É importante salientar o óbvio: no ambiente eleitoral existem eleitores claramente lulistas e bolsonaristas. Todavia, detecto também o sentimento de que há milhares de eleitores em busca de uma alternativa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, afirmo que Ratinho Júnior pode, sim, tornar-se um candidato competitivo, caso se apresente como uma alternativa objetiva entre Lula e Flávio Bolsonaro. No entanto, ele enfrenta uma tarefa extremamente árdua: convencer o eleitor de que tem condições reais de superar Lula ou Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.

Por Adriano Oliveira – Cientista político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa qualitativa & Estratégia.





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