Ancestralidade e emoção marcam a Noite dos Tambores Silenciosos no Recife

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Ancestralidade e emoção marcam a Noite dos Tambores Silenciosos no Recife



Em um gesto carregado de simbolismo, as luzes do Pátio do Terço foram apagadas e o rufar dos tamboes cessou abruptamente, marcando a cerimônia

Por

JC


Publicado em 17/02/2026 às 7:12

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O Pátio do Terço, cenário histórico da resistência negra no centro do Recife, voltou a ser o epicentro de uma das celebrações mais profundas do Carnaval pernambucano. Na última segunda-feira (16), a Noite dos Tambores Silenciosos reuniu 41 nações de maracatu e dois afoxés em um ritual que transcende a festa para se tornar um manifesto de fé e reverência aos antepassados.

A edição deste ano consolidou a sucessão espiritual no comando do ritual. Pelo segundo ano consecutivo, o babalorixá Jorge de Bessen liderou a cerimônia, honrando o legado de Tatá Raminho de Oxóssi, figura emblemática que conduziu o ato por décadas até seu falecimento no final de 2024. Sob a batuta de Bessen, a liturgia focou na invocação de Iansã e na saudação aos eguns — os espíritos dos ancestrais —, reforçando a conexão entre o visível e o invisível que define a força do evento.

Para além do impacto religioso, a noite destacou-se pela capacidade de unir diferentes gerações. A presença de grupos mirins e adultos reafirma a continuidade de uma tradição que já ultrapassa meio século. O público, composto por devotos e admiradores da cultura popular, como a professora Fernanda Nunes, ressaltou a importância social do maracatu nas periferias, onde a dança e o toque do tambor funcionam como ferramentas de cidadania e preservação da identidade afro-brasileira.

O ápice da celebração ocorreu, como manda a tradição, nos minutos que antecederam a meia-noite. Em um gesto carregado de simbolismo, as luzes do Pátio do Terço foram apagadas e o rufar dos tambores cessou abruptamente. No breu e no silêncio, apenas os cânticos rituais ecoaram, criando uma atmosfera de introspecção e respeito absoluto aos que vieram antes. O encerramento foi marcado pela soltura de pombas brancas por Jorge de Bessen, um apelo visual e espiritual por paz e proteção.

Com raízes que remontam aos anos 1960 e consolidada como ato sagrado a partir da década de 1990, a Noite dos Tambores Silenciosos reafirma o Pátio do Terço — antigo reduto de terreiros e da histórica Casa de Badia — como um solo sagrado da memória negra. O evento não apenas preserva a história da escravidão e da liberdade no Recife, mas projeta para o futuro a força inabalável de uma cultura que se recusa a ser calada.



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