Especialistas em educação destacam os desafios do ano letivo, como a restrição do uso de celulares em sala de aula e a readaptação à rotina escolar
Mirella Araújo
Publicado em 26/01/2026 às 15:07
| Atualizado em 26/01/2026 às 15:24
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A rede particular de ensino em Pernambuco retoma as aulas a partir desta segunda-feira (26), mobilizando milhares de estudantes em todo o estado. Dados do Censo Escolar de 2024 indicam que cerca de 424 mil alunos estão matriculados em escolas privadas pernambucanas. Já na rede pública, o início do ano letivo está previsto para o dia 3 de fevereiro.
Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de Pernambuco (Sinepe-PE), professor José Ricardo Diniz, o início do ano letivo vai além do simples retorno às salas de aula.
“A volta às aulas é mais do que reabrir os portões. É um momento de reorganizar rotinas, acolher emocionalmente os estudantes e fortalecer a parceria entre escola e família. Quando esses três pilares caminham juntos, o aprendizado acontece de forma muito mais consistente”, afirmou o dirigente à coluna Enem e Educação.
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Celular em sala: segundo ano de adaptação à nova regra
Este será o segundo ano de aplicação da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares em sala de aula nas redes pública e privada de ensino. A medida tem provocado mudanças na dinâmica escolar e segue gerando reflexões sobre seus impactos na aprendizagem, na convivência e na atenção de crianças e adolescentes. A expectativa das escolas é de que, com a consolidação da regra, os resultados positivos se ampliem.
“As escolas só têm a ganhar com a restrição do uso do celular. Mesmo antes da lei, a Escola Eleva já adotava essa orientação. Tão importante quanto a regra é a parceria com as famílias. Quando responsáveis e escola caminham juntos, a medida funciona com mais consistência e faz mais sentido para os estudantes”, avaliou Carlos Toledo, diretor da Escola Eleva Recife.
Segundo ele, a ausência do celular favorece a presença em sala de aula, reduz interrupções e contribui para uma atenção mais sustentada. “Isso impacta diretamente a aprendizagem. Além disso, percebemos avanços na convivência: os intervalos ficam mais sociais, com mais conversa, brincadeiras e interação presencial”, completou.
O diretor também chamou atenção para o imediatismo da comunicação durante o período letivo. “Sempre que possível, evite enviar mensagens, e-mails ou ligar durante o horário de aula. Vale combinar uma regra simples em casa: antes de procurar seu filho, pergunte se o assunto pode esperar até o fim do dia. Em situações urgentes, o ideal é utilizar os canais oficiais da escola”, destacou.
Rotina organizada ajuda na readaptação após as férias
Com o fim das férias, estudantes e famílias entram em um processo natural de readaptação. Depois de semanas longe de horários fixos, retomar compromissos diários pode gerar expectativas, mas também desafios. Especialistas apontam que ajustes graduais tornam esse retorno mais tranquilo e produtivo.
“Ajustar os horários de sono, alimentação e estudo aos poucos ajuda o corpo e a mente a retomarem o ritmo escolar, reduzindo a ansiedade e favorecendo a concentração”, explicou Bruna Duarte Vitorino, pedagoga e especialista em educação da rede Kumon.
O envolvimento das famílias é apontado como peça-chave nesse processo. Criar uma rotina previsível, com horários definidos para acordar, estudar e descansar, transmite segurança às crianças e contribui para o foco. Outro aspecto importante é a organização do material escolar. Revisar mochilas, separar cadernos e preparar livros junto com os filhos estimula a autonomia e o senso de responsabilidade.
Educação infantil: adaptação pede rotina e acolhimento
Na educação infantil, a volta às aulas costuma ser ainda mais sensível, especialmente para crianças que estão iniciando a vida escolar ou passando por mudanças de turma. O período de adaptação envolve emoções como insegurança, ansiedade e curiosidade, o que exige paciência e acompanhamento próximo.
Durante esse processo, comportamentos como choro e resistência inicial são comuns. “Por meio do choro, a criança expressa emoções e comunica que algo a incomoda. Esse tipo de reação é esperado diante da rotina escolar”, explicou Beatriz Costa, psicóloga do Colégio Salesiano Recife.
A psicóloga ressalta ainda que emoções vivenciadas no ambiente familiar podem ser transmitidas às crianças. Por isso, é importante que os adultos estejam atentos e preparados emocionalmente. “Quanto mais tranquilos e seguros os pais estiverem, melhor será o processo como um todo. Estar próximo, abrir canais de escuta e dividir dúvidas e inseguranças com a escola ajuda a formar uma rede de apoio consistente”, concluiu a psicóloga.

O período de adaptação pode variar de acordo com o aluno e suas singularidades e, por isso, é um processo que demanda paciência e compreensão da escola e dos familiares – Divulgação/Colégio Salesiano Recife
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