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No “conto de fadas para adultos” do escritor gaúcho Rafael Zoehler, Sérvia e Cazaquistão fazem fronteira e um único homem é responsável por vigiar os limites entre essas nações. Esse homem é o Senhor Oline, personagem que, após perder uma pedra, parte pelo mundo em sua busca.
“O romance é um compilado de levezas e despretensões como essas, histórias humanas sobre o que é viver em um mundo que tenta botar regra em tudo”, define o editor Walter Porto.
A obra é “As Fronteiras de Oline” (Patuá, R$ 60, 152 págs.), vencedora da categoria de romance de entretenimento no último Jabuti. Frequentemente menosprezada quando comparada ao romance literário, é essa classificação que Zoehler abraça: “Achei a outra categoria muito séria”.
O autor assume o entretenimento como princípio, diz que nunca quis fazer uma obra política e chega a se desculpar, durante a entrevista, por dizer coisas que possam ter “parecido idiotas”. Sua máxima, herdada do escritor Joca Reiners Terron —com quem fez uma oficina e que assina a orelha do livro—, resume suas motivações: “A gente escreve o livro que a gente pode escrever”.
Acabou de Chegar
“Te Dei Olhos e Olhaste As Trevas” (trad. Luis Reyes Gil, Mundaréu, R$ 66, 160 págs.) se inspira em uma lenda espanhola e acompanha, ao longo de quatro séculos, uma linhagem de mulheres amaldiçoadas após um pacto com o Diabo. Contada da perspectiva dessas personagens, a história é um tipo de horror feminista, segundo a repórter Alessandra Monterastelli. A obra permite “refletir sobre como as personagens femininas têm sido tratadas e representadas tanto em contextos históricos quanto ficcionais”, afirma a autora catalã Irene Solà.
“Tarântula” (trad. Silvia Massimini Felix, Autêntica Contemporânea, R$ 67,90, 136 págs.) retoma um acampamento judaico organizado na Guatemala em 1984 para investigar o trauma da guerra no país. O autor guatemalteco Eduardo Halfon mostra como esse cenário despertava conflitos individuais e coletivos sobre identidade. “A pergunta que atravessa o livro é incômoda: até que ponto a preservação de uma identidade marcada pela perseguição pode justificar a reprodução simbólica da violência?”, aponta a crítica Sylvia Colombo.
“Brincadeiras à Parte” (Planeta, R$ 49,90, 176 págs.) reúne contos escritos pela cantora Letrux que celebram a diversão. A autora constrói narrativas ficcionais e pausas ensaísticas que evocam jogos e brincadeiras da infância. Para a crítica Ana Luiza Rigueto, é por meio do lúdico que o poético, o surpreendente e o tocante se apresentam no livro.
E mais
Em “O Inverno da Guerra” (Companhia das Letras, R$ 99,90, 192 págs.), Joel Silveira organiza uma narrativa da Segunda Guerra Mundial longe da epopeia, descrevendo a devastação humana direto do front. A obra é uma reunião de textos de um autor considerado precursor do jornalismo literário no Brasil, segundo o crítico João Gabriel de Lima.
“Diálogos sobre a Fé” (trad. Aline Leal, Record, R$ 59,90, 144 págs.) é uma parceria do padre Antonio Spadaro com o cineasta Martin Scorsese, baseada em encontros dos dois ocorridos de 2016 a 2024. A obra, segundo a crítica de Henrique Artuni, dá um novo sentido à filmografia do novaiorquino ao destacar seu catolicismo. Graça, livre-arbítrio e salvação são alguns temas que, após a leitura do livro, passam a ser mais bem notados em grandes trabalhos como “Taxi Driver”, “Cassino” e “O Irlandês”.
Morreu na última semana o cartunista americano Scott Adams, famoso pelo personagem Dilbert, que satirizava o mundo corporativo. Adams se dizia um zombador da elite, postura que um artigo de Joel Stein, do New York Times, aponta como contraditória, já que o autor apoiava Donald Trump.
Além dos Livros
“Hamnet”, o filme que chega aos cinemas retratando a vida de William Shakespeare, foi antes um livro que nunca citava o nome do escritor. A autora Maggie O’Farrell criou a narrativa com base em especulações sobre a vida do dramaturgo britânico. “Essa romantização é, contudo, apenas uma interpretação possível, condensada para direcionar o espectador a uma conclusão emocional específica”, como diz a crítica de Walter Porto.
Uma grande biografia de João Guimarães Rosa, escrita pelo jornalista Leonencio Nossa, será publicada em março por meio de uma parceria entre as editoras Nova Fronteira e Topbooks. Com 736 páginas e muito material inédito, o livro é fruto de 20 anos de pesquisa, entre idas e vindas, e chega no ano em que o romance “Grande Sertão: Veredas” completa 70 anos.
Conhecida pela literatura japonesa, a Estação Liberdade amplia seu catálogo contemporâneo com a publicação de novos livros de Sayaka Murata e Akira Otani e uma nova tradução de Yukio Mishima. O Painel das Letras conta que a casa lança ainda “A Escada de Jacó”, da celebrada autora russa Liudmila Ulítskaia.



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