Morre em Brasília o ex-ministro Raul Jungmann

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Morre em Brasília o ex-ministro Raul Jungmann


Pernambucano e com uma carreira marcada pela conciliação política, Jungmann ocupou cinco ministérios ao longo de sua trajetória de vida pública

Por

JC


Publicado em 18/01/2026 às 22:02
| Atualizado em 18/01/2026 às 23:43



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*Com Estadão Conteúdo

O cenário político nacional despede-se de Raul Jungmann. O ex-ministro e ex-deputado federal faleceu em Brasília, aos 73 anos, neste domingo (18), após uma longa batalha contra um câncer no pâncreas. Ele estava internado no hospital DF Star, onde retornou no último final de semana após um período sob cuidados paliativos em sua residência. O velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.

Pernambucano e com uma carreira marcada pela conciliação política, Jungmann ocupou cinco ministérios ao longo de sua trajetória. Durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, comandou as pastas do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário. Já no governo Temer, assumiu a Defesa e tornou-se o primeiro titular do Ministério da Segurança Pública em 2018. Sua história política começou na clandestinidade pelo PCB, passando pela fundação do PPS, legenda na qual militou até 2018.

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As trajetórias profissional e política de Raul Jungmann se entrelaçam ao longo dos anos. Entre as passagens mais marcantes em seu histórico, destacam-se os períodos em que foi ministro de Estado por quatro gestões, nas pastas da Política Fundiária(1996-1999), do Desenvolvimento Agrário (1999-2002), da Defesa (2016-2018) e da Segurança Pública (2018-2019). Foi deputado federal por três mandatos: 2003-2006; 2007-2010;
2015-2018.

Em Pernambuco, sua trajetória política foi marcada pelas atuações como secretário de Planejamento (1990-91) e vereador do Recife (2012-2014) 

Jungmann exercia a função de Diretor-Presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) desde março de 2022. Além da atuação política, ele também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA); fundou e presidiu ONGs; integrou diversos conselhos de administração de organizações relevantes e condecorado em três ocasiões pelo Governo do Brasil pelos seus relevantes serviços ao País.

O Ibram lamentou o falecimento, destacando a honrosa contribuição dada por Jungmann à instituição. “Com imenso pesar, o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) comunica o falecimento de Raul Belens Jungmann Pinto, diretor-presidente da instituição, ocorrido em 18 de janeiro de 2026, em Brasília. Em atenção a um
desejo de Raul Jungmann, o velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos”.

“Pernambucano, Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira, atuando com integridade, espírito republicano e um compromisso inabalável com a democracia, o desenvolvimento sustentável e o diálogo. Ao longo de sua trajetória, ocupou funções de grande relevância nacional, entre elas
a presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), três mandatos como deputado federal e quatro ministérios – Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública. Em 2022, assumiu a presidência do IBRAM, liderando umaimportante agenda de
transformação do setor mineral, pautada pelos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e pela defesa de uma mineração mais responsável e alinhada aos desafios do século XXI. Sob sua liderança, o IBRAM fortaleceu seu protagonismo institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global”.

“Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira. Para Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor do IBRAM, Raul Jungmann foi um homem público de estatura singular, defensor firme da democracia e profundamente comprometido com o Brasil e com o interesse público. Segundo ela,
à frente da Diretoria Executiva do Instituto, Jungmann conduziu a entidade por um período decisivo, fortalecendo o IBRAM e beneficiando todo o setor mineral, período este marcado pelo diálogo, pela visão estratégica e pela integridade. Seu legado constitui um marco na história do Brasil, do IBRAM e da indústria da
mineração. Neste momento de profunda tristeza, o IBRAM manifesta solidariedade à família,
amigos e colegas de jornada, agradecendo por tudo que Raul Jungmann representou para o Brasil, ao setor mineral e ao Instituto”.

Segurança Pública

Entre as ações tomadas quando esteve à frente do Ministério da Segurança Pública, uma das mais relevantes foi a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) – que a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública elaborada pelo governo Lula tenta hoje incluir na Constituição Federal.

O Susp prevê que as polícias devem aprimorar o sistema de troca de informações entre os estados e agir de forma conjunta no combate ao crime.

A criação do sistema também estabeleceu que o cumprimento das metas estabelecidas pelo governo passasse a contar com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), além dos os fundos estaduais, distrital e municipais, asseguradas as transferências fundo a fundo.

A medida representou um ponto da virada na influência federal na área da segurança pública – cuja prerrogativa é dos governos estaduais, segundo a Constituição.

Em junho, durante um seminário na Universidade de Santo Amaro, em São Paulo, Jungmann fez coro ao então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski ao discursar sobre a fragilidade institucional da segurança pública no Brasil e defender a necessidade de mudanças estruturais no setor.

“A segurança pública não é estruturada em sistema. É o mais frágil comando constitucional. Como é possível confrontar o crime organizado, transnacionalizado, se nós não temos integração de inteligência, se nós não temos integração de coordenação de operações, o que é que os senhores acham que vai acontecer?”, questionou.

Movimentações políticas recentes

Na última entrevista que deu à Rádio Eldorado, Jungmann tratou do interesse dos Estados Unidos nos chamados minerais críticos e estratégicos (MCEs) existentes no território brasileiro. O ex-ministro disse na ocasião que a legislação brasileira não permite a exploração direta dos recursos minerais brasileiros por um país estrangeiro.

A negociação, se ocorrer, deve ser feita entre os dois governos, cabendo ao setor privado dialogar apenas com as empresas estrangeiras “que se submetam às regras brasileiras”, segundo Jungmann.

Sobre a tarifa de 50% anunciada pelo governo americano em julho, Jungmann esclareceu que as exportações para os Estados Unidos representavam 4% do total das vendas ao exterior, enquanto as importações chegavam a 20%.

Jungmann integrou um grupo de nove ex-ministros da Justiça num manifesto divulgado naquele mês em solidariedade ao Supremo Tribunal Federal e a seus magistrados, que tinham sido alvo de sanções de Donald Trump, com vistos americanos cassados.

O documento apontava “indevida coação’”e retaliação “à independência de contrariar interesses de grandes empresas norte-americanas”.

NOTAS DE PESAR

A governadora Raquel Lyra lamentou a morte do ex-ministro. “Recebi com pesar, neste domingo (18), a notícia do falecimento do ex-ministro, ex-deputado federal e ex-vereador do Recife, Raul Jungmann, que teve uma vida pública dedicada a Pernambuco e ao Brasil. Expresso minha profunda solidariedade aos familiares e amigos neste momento de despedida”. 

Com profundo pesar, o LIDE – Grupo de Líderes Empresariais lamentou o falecimento de Raul Jungmann, que era head do LIDE Mineração. “Ao longo de sua trajetória, contribuiu para o fortalecimento e desenvolvimento estratégico do setor mineral brasileiro. Sua visão, capacidade de articulação e espírito público deixam um legado inestimável para a política, a economia e a sociedade brasileira. Manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e a todos que conviveram com Raul Jungmann, reconhecendo seu legado e dedicação ao interesse público”.

Em nota publicada nas redes sociais, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, lamentou a morte do político. “Homem público preparado, defensor da democracia e comprometido com o Brasil, deixou uma trajetória marcada pelo diálogo, pela defesa das instituições e pelo interesse nacional. Meus sentimentos aos familiares e amigos”, disse. 

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, disse também em nota que recebeu com pesar a notícia do falecimento. “Ainda em dezembro, em nome da Câmara dos Deputados, concedi a Jungmann uma Moção de Louvor. Foi um reconhecimento da sua trajetória pública, de serviço prestado ao País. Ficam as lições sobre diálogo, construção de pontes e respeito institucional. Meus sentimentos aos familiares e amigos. Que Deus os conforte neste difícil momento”. 

O senador pernambucano Humberto Costa ressaltou a postura firme de Jungmann “Foi um político de postura firme e equilibrada. Minha solidariedade à família e amigos neste momento de dor e tristeza”. 

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes lamentou a perda de um “amigo querido”. “Nossa amizade foi construída no diálogo franco e na partilha de uma mesma convicção: a de que a democracia exige coragem e compromisso permanente com a Constituição. Raul foi um homem público de rara integridade e de extraordinária densidade republicana”, afirmou. 

Gilmar Mendes também lembrou que a trajetória de Jungmann “confunde-se com a própria história da redemocratização brasileira. Mais do que cargos que ocupou, permanecem o exemplo e a dignidade com o que sempre serviu o País”. 

O ex-governador de Pernambuco e ex-presidente do Banco do Nordeste Paulo Câmara ressaltou os serviços públicos prestados por Jungmann. “Um homem público com relevantes serviços prestados em todos os cargos que ocupou. Jungmann realizou um importante trabalho no enfrentamento à violência durante sua passagem pelo Governo Federal com a criação do Sistema Único de Segurança Pública. Minha solidariedade a todos os seus familiares e amigos nesse momento de dor”. 

O senador Cristovam Buarque disse que a partida de Raul Jungmann é uma daquelas “que deixam mais que saudades, deixam um vazio na vida dos amigos e do País”. 

Roberto Freire, presidente do Cidadania, lembrou, em nota, que Jungmann era um “amigo e velho camarada desde a nossa juventude no Recife”. “Um dos mais inteligentes e competentes políticos no parlamento e como gestor público no Executivo e na iniciativa privada com quem convivi. Uma perda muito sentida. Meus pêsames a mulher, filhos e amigos”. 

Para o senador Renan Calheiros, o Brasil perdeu “um dos maiores pensadores e formuladores da nação”. 

O deputado federal Mendonça Filho enfatizou que a morte é uma grande perda. “Meu respeito e admiração pelo amigo e ex-ministro Raul Jungmann. Colega de ministério no governo Temes e aliado de várias lutas políticas, foi um homem público de singular inteligência, capacidade de articulação e trabalho. Meus sentimentos aos familiares e amigos. 

O também deputado federal Augusto Coutinho destacou a “trajetória política marcada pela conciliação e o diálogo. Raul prestou relevantes contribuições ao País como titular de cinco ministérios, ao longo dos governos FHC e Temer, além de ter exercido três mandatos na Câmara dos Deputados e um mandato como vereador do Recife, entre outros cargos de importância. Neste momento de luto, estendo meus sentimentos aos familiares e amigos deste homem de relevante história para Pernambuco e o Brasil”. 

 





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