A ONG avalia que a atuação disposição do tribunal não deve permitir que isso aconteça. “A única hipótese disso ocorrer é a sociedade se mobilizar”
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A organização não governamental (ONG) Transparência Internacional Brasil afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deveria protocolar um pedido para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli seja declarado impedido de relatar e julgar o caso envolvendo o Banco Master, após revelações do Estadão de que uma empresa de seus irmãos recebeu recursos de um dos investigados.
Como revelou o Estadão, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná. A participação valia, à época, R$ 6,6 milhões. Para a Transparência Internacional, o próprio ministro deveria se declarar impedido de conduzir o caso.
“O histórico de Toffoli é suficiente para tornar vã qualquer expectativa de que se afaste do caso Master”, escreveu a ONG em seu perfil no X, antigo Twitter. “O que deveria ocorrer é o PGR peticionar pelo impedimento e, após Toffoli negar, os ministros colegiados votarem pelo impedimento. É o que está previsto em lei”, completou.
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A ONG avalia, no entanto, que a atuação disposição do tribunal não deve permitir que isso aconteça. “A única hipótese disso ocorrer é a sociedade se mobilizar massiva e insistentemente pela atuação independente da PGR e do STF e pela defesa do interesse público”, afirmou, lembrando outros casos conflituosos em que o ministro não se declarou suspeito ou impedido.
“É um juiz que não se declarou impedido para (1) votar pela anulação da delação de Cabral que o citava; (2) anular monocraticamente as provas da Odebrecht, incluindo depoimento que o citava e email citando o “amigo do amigo de meu pai’; (3) suspender multa de 10bi da J&F, que tinha sua esposa como advogada”, postou no X.
A relação entre a ONG e o ministro é conflituosa há muito tempo. Em 2024, o ministro determinou que a Transparência Internacional fosse investigada “eventual apropriação indevida de recursos públicos” pela organização e “seus respectivos responsáveis”. A ONG teve atuação proeminente durante a operação Lava Jato e mantinha conexões com os procuradores que integraram a força tarefa.
O QUE DIZ A PGR
A Procuradoria-Geral da República (PGR) só deve avaliar a possibilidade de uma análise da suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli na condução do inquérito do Banco Master caso seja provocada. Até o momento a PGR não recebeu nenhuma representação formal com esse objetivo.
Por isso, ainda não há nenhuma discussão desse tema na PGR nem movimentação nesse sentido.
A revelação de que o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, fez aportes financeiros por meio de um fundo de investimentos no resort pertencente aos irmãos de Toffoli tem mobilizado deputados e senadores que defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso no Congresso. Para esses parlamentares, o magistrado deveria se declarar impedido ou suspeito diante de um flagrante de conflito de interesses.
Em tese, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderia atuar de iniciativa própria. Em geral, entretanto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, costuma adotar um procedimento de analisar providências jurídicas apenas mediante a provocação de outros órgãos públicos ou atores da sociedade civil.
O Estadão apurou que o assunto só deve entrar em análise caso haja uma provocação formal para que o gabinete se manifeste.
Foi esse o procedimento adotado também em um caso recente: as revelações de que o Banco Master contratou a esposa do ministro Alexandre de Moraes. Gonet se manifestou apenas depois que um advogado protocolou uma representação, mas opinou pelo arquivamento após dizer que não havia indícios de irregularidades.
No caso de Moraes, o procurador-geral afirmou que não ter identificado a existência de provas concretas para apurar as suspeitas de que o ministro do Supremo teria pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a fiscalização no Banco Master.
“Em uma análise preliminar, é imperativo sublinhar a absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação formulada. Tanto o representado quanto o presidente do Banco Central negaram, de forma peremptória e convergente, a ocorrência de qualquer pressão exercida pelo Ministro sobre os interesses do Banco Master. Não obstante a repercussão midiática do caso, os veículos de imprensa não apresentaram elementos concretos ou indícios materiais que corroborem a tese de intimidação, permanecendo a narrativa no campo das suposições”, escreveu Gonet.

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