O acervo de 1.233 obras recém-comprado pelo Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, o Malba, da antiga coleção suíça Daros pode valer até US$ 90 milhões, ou quase R$ 500 milhões, segundo cálculos de agentes de mercado. A instituição de Eduardo Costantini na capital argentina, porém, pagou um valor estimado entre US$ 35 milhões e US$ 45 milhões, ou de R$ 193 milhões a R$ 248 milhões pelas obras.
De acordo com fontes próximas às negociações e um avaliador contratado por instituições como o banco Itaú e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, a diferença se dá por um desconto de até 50% que pode ter beneficiado o colecionador argentino, um dos maiores do mundo quando o assunto é arte latino-americana —Costantini é ninguém menos que o homem que já arrematou o “Abaporu”, de Tarsila do Amaral, e tem no seu acervo mestres como Diego Rivera, Frida Kahlo, Joaquín Torres-García e Leonora Carrington, entre outros.
O valor da aquisição, anunciada nesta semana, não foi confirmado pelo Malba, que tem o brasileiro Rodrigo Moura à frente de sua direção artística, mas muitos especialistas do mercado vêm se debruçando sobre os preços de cada peça para chegar a uma estimativa. Outros foram direto à fonte e confirmam os mesmos possíveis valores.
Esse é o maior negócio já feito em compras de arte na região de uma tacada só —e isso explica o desconto generoso, como uma venda de porteira fechada. É fato que o Museu de Arte de São Paulo, o Masp, ainda está no topo do pódio de maior detentor de obras-primas de arte europeia do continente, fruto dos negócios de Pietro Maria Bardi numa época em que a Europa arruinada pela guerra fazia liquidação de seus acervos.
No caso do Malba, centro de ponta da arte latina, há alguns outros fatores que pesam. O valor do conjunto das peças, de artistas como Antonio Dias, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Lygia Clark e Mira Schendel, todos nomes centrais da arte brasileira, tem outro vulto pelo diálogo estabelecido entre as obras, o que faz desse agrupamento debaixo de um mesmo teto uma espécie de constelação de estrelas incontornáveis.
Entre os trabalhos mais importantes da aquisição está a instalação “Missão/Missões (Como Construir Catedrais)”, de Meireles, avaliada entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões, ou R$ 16,5 milhões e R$ 22 milhões, um “Bólide” e um “Relevo Espacial”, de Oiticica, de US$ 2 milhões, ou R$ 11 milhões, cada um, um “Objeto Gráfico”, de Schendel, de US$ 2,5 milhões, ou R$ 13,8 milhões, e um “Bicho”, de Clark, avaliado entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões, ou algo entre R$ 8,3 milhões e R$ 11 milhões.
Essas obras já moraram no Brasil, na antiga Caso Daros, no Rio de Janeiro, desmantelada há dez anos. Projeto da colecionadora suíça Ruth Schmidheiny, morta em 2019, a megacoleção ficou guardada em Zurique desde que a empreitada num casarão no bairro carioca de Botafogo, hoje uma escola, foi suspensa.
O fato de estarem agora no país vizinho é também sintoma de um dado complexo da realidade do mercado brasileiro. Mesmo que um colecionador do país estivesse disposto a pagar a conta de US$ 35 milhões ou US$ 45 milhões, os impostos praticados no Brasil poderiam chegar a dobrar o preço final, ou seja, a conta sairia sem o suposto desconto dos suíços e poderia inviabilizar o negócio.
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