Cantora mineira apresenta o seu trabalho mais maduro, o álbum “Carranca”, em show no festival no Ar Coquetel Molotov, no Recife, neste sábado (6)
Emannuel Bento
Publicado em 01/12/2025 às 17:56
| Atualizado em 01/12/2025 às 18:00
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Uma das revelações da música pop brasileira da última década, a cantora mineira Urias apresenta agora seu trabalho mais maduro, o álbum “Carranca“, guiado por musicalidades brasileiras ancoradas em religiosidades de matriz africana.
Com 14 faixas, entre elas três interlúdios narrados por Marcinha do Corintho, o disco conduz o ouvinte por uma narrativa que retorna ao passado para compreender o futuro, numa busca por liberdade e autoconhecimento.
Ao longo desse percurso, a figura da carranca — escultura de madeira usada para proteção mística de embarcações — surge como síntese simbólica.
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“Ela ultrapassa barreiras religiosas e, como o álbum explora muita espiritualidade e candomblé, eu queria que esse simbolismo estivesse presente. O estudo imagético do álbum passa por um afro-surrealismo. A carranca é uma figura afro-surrealista e, em algumas regiões, é vista até como representação de Exu. Tudo conecta: o mar, o sagrado, o social, o popular”, diz Urias ao JC.
A turnê do álbum estreou no Festival Batekoo, em São Paulo, e o Recife recebe o terceiro show no festival No Ar Coquetel Molotov, neste sábado (6), no campus da UFPE.
“É uma turnê nova, com elementos que eu nunca havia explorado integralmente: banda, outras estruturas e atmosferas. Estamos nos desdobrando para fazer o melhor possível. Vamos chegar ao Recife da melhor forma”, afirma.
Entrevista com Urias – cantora
Cantora Urias lançou o álbum ‘Carranca’ – MATEUS AGUIAR/DIVULGAÇÃO
Esse é um álbum bem amarrado tanto de sonoridades quanto também do tema. Como foi o seu processo de pesquisa para chegar nele?
A pesquisa e a execução foram acontecendo juntas, quase no mesmo passo. A gente desenvolveu o som e o visual ao mesmo tempo. No visual, a pesquisa veio muito a partir da ancestralidade, das religiosidades, para depois irmos acrescentando elementos populares dentro dessas mitologias. Tudo foi pensado dentro dessa ideia de tempo — passado, presente e futuro — e isso guiou o conceito do álbum como um todo.
A pesquisa musical foi muito baseada em vinis antigos, de várias épocas, dos anos 1930 aos anos 1980. Ficamos um bom tempo estudando esses sons, essas texturas, para entender como isso poderia se misturar com o que eu faço hoje.
Desde a escolha das cores até a construção das imagens, tudo foi pensado nessa linha temporal, nessa ancestralidade vinculada à negritude, e em como isso pode dialogar com o popular de agora.
Nessa pesquisa de vinis, algo te chamou mais atenção?
Eu acho que a maioria do trabalho do Milton Nascimento foi o que me pegou bastante, como ele sempre trabalhou a música brasileira através de composições, até politicamente mesmo. Foi o que me causou mais surpresa, com aquela impressão de “antes e depois” do processo de pesquisa.
Por que dialogar mais com a música brasileira nesta era?
Porque, para falar o que eu queria falar, eu precisava ter esse contato com a música brasileira e fazer chegar em pessoas que não escutariam o eletrônico. Eu não queria me repetir, não queria fazer a mesma coisa que eu estava fazendo antes.
Apesar disso, não sabia como as pessoas receberiam, se curtiriam o meu trabalho, se iriam abraçar… mas graças a Deus, graças aos orixás, tudo deu certo. Não só abraçaram, como curtiram muito. E agora vamos ver o que acontece nesse show.

Cantora Urias lançou o álbum ‘Carranca’ – MATEUS AGUIAR/DIVULGAÇÃO
Os interlúdios servem como pontos importantes para as transições de faixas e narrativa geral do álbum. Como chegou nesse formato?
Partiu muito de uma ideia minha, quase como falar sobre liberdade — dessa liberdade que temos agora, da liberdade que nos foi dada, no fim das contas. E aí esbarrei com muitas teorias sobre liberdade. Tem alguns filósofos que negam a liberdade, né? Ela só existe e, quando existe, ela não é citada.
Então, tem muito desse questionamento. No começo, eu saio ao encontro dessa liberdade, sou negada e faço esse caminho de volta pra casa, pro meu passado ancestral, para poder entender o futuro. Ela passa por isso: nessa busca pelo passado para poder avançar.
É desafiador sempre estar se reinventando e buscando melhorar artisticamente? Como é esse processo para você?
Eu acho que, devido ao recorte em que me encontro, eu precisaria entregar o meu melhor e, mesmo no meu máximo, ainda seria questionada. Então existe muito disso ao longo dessa busca por inovação, né? Essa sensação de ter que ir além, de inovar sempre, de estar entregando um universo inteiro em volta para impressionar as pessoas.
Mas sinto que o álbum está neste lugar de denúncia de como somos percebidas. Na faixa “Vênus”, falo de como o corpo da mulher é percebido na fama. A fama não livra a gente de tudo: temos de nos entregar por completo, senão falam… e, mesmo entregando, falam também.

Cantora Urias lançou o álbum ‘Carranca’ – MATEUS AGUIAR/DIVULGAÇÃO
Grande parte do seu público é formado por pessoas LGBT+, mas, ainda assim, é possível localizar um certo hate vindo da comunidade a figuras como você ou Pabllo Vittar. Como lida com isso?
Eu, pessoalmente, não olho. Não abro, não vejo. Acho que a gente tem que aceitar críticas construtivas de quem sabe do que está falando. Muitas vezes as pessoas movimentam esse tipo de comentário porque isso movimenta a rede, porque vai ter likes, e dentro disso existe uma falta de apoio ao movimento.
Mas eu acho que, culturalmente, é um movimento nosso ainda ingênuo. A gente acaba caindo no jogo do sistema novamente, enquanto, como minoria, a gente briga entre si. Você consegue perceber que, fora desse círculo de minoria, está todo mundo sempre unido. A galera ‘reaça’ está unida. Eles podem até achar errado algo, mas nem comentam. “Deixa lá, ela que faça a coisa dela”.
Enquanto movimento de grupo, acho ingênuo postarmos o que não gostamos na internet. Mas, pessoalmente, eu nem olho. Eu aprendi a não abrir comentários, a não movimentar isso, o que até me afastou um pouco da internet. Sobre o meu trabalho, sobre o que eu quero representar, acho que as pessoas confundem opinião com discurso de ódio. Não à toa, eu meio que não me importo muito. Estou aqui, trabalhando com o que gosto — e vou continuar.
Como é voltar ao Recife, cidade em que já fez muitos shows, com o ‘Carranca’?
Tenho realmente uma grande conexão com a cidade, que sempre me acolheu muito bem — principalmente artisticamente, em ocasiões diversas. A cidade tem muito a oferecer. No Carnaval, em que fiz shows, passei por vários estilos, como o de Olinda. Muito disso influenciou o que escrevi para Carranca. Vamos embarcar nessa grande viagem que é o álbum, que todo mundo abraçou tão bem.


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