Milton Nascimento nasceu no Rio de Janeiro em 26 de outubro de 1942. Filho de Maria do Carmo, falecida antes dos dois anos, foi adotado por Josino e Lília, com permissão de sua avó
A família mudou-se para Três Pontas, Minas Gerais. Ali, Milton ganhou o apelido de Bituca, que o acompanhou. Foi também onde iniciou sua relação com a música
Muito cedo, ganhou uma gaitinha e, depois, sanfonas de dois e quatro baixos. Ele dizia que usava a voz para alcançar notas que os instrumentos limitados não conseguiam, já anunciando seu talento
Em Três Pontas, conheceu Wagner Tiso e formou conjuntos como os W’s Boys. Para manter a lógica do grupo, chegou a assinar brevemente como Wilton. Gravou sua composição “Barulho de trem” em 1964
Milton mudou-se para Belo Horizonte em 1963. Descobriu-se compositor em 1964 após assistir “Jules e Jim” com Márcio Borges. Juntos, escreveram “Novena”, “Gira girou” e “Crença”
Quando se mudou para São Paulo, passou por dificuldades, mas começou a ser notado. Defendeu “Cidade vazia” (1966) no Festival da TV Excelsior. Elis Regina gravou sua “Canção do sal” no mesmo ano
Em 1967, a grandeza de Milton se tornou óbvia para o país. Agostinho dos Santos inscreveu “Maria, minha fé”, “Morro velho” e “Travessia” no II Festival Internacional da Canção
“Travessia”, com letra de Fernando Brant, arrebatou o segundo lugar no festival, e Milton ganhou o prêmio de melhor intérprete. A escritora Rachel de Queiroz reconheceu nele a nobreza
Milton lançou seu primeiro disco em 1967, superando expectativas. Em 1968, lançou o álbum “Courage” nos EUA. Sua carreira internacional incluiu “Native dancer” (1974) com Wayne Shorter
“Clube da Esquina”, álbum duplo de 1972, é, no Brasil e fora, o exemplar mais nítido de sua realeza. Recentemente, o disco foi apontado como o maior da história da música brasileira por críticos
Álbuns como “Missa dos quilombos” (1982) e “Txai” (1991) abordaram as trajetórias negra e indígena. “Nascimento” (1997), que explorava ritmos afromineiros, ganhou o Grammy de Melhor Álbum de World Music
Milton seguiu com parcerias, iluminando jovens cantoras em “Pietá” (2002). Nos últimos anos, colaborou com novas gerações (Criolo, Zé Ibarra) e dedicou-se a rever sua obra na turnê de despedida em 2022
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