Setores produtivos brasileiros aplaudem a redução de tarifas de importação pelo governo Trump – mas consideram urgente a eliminação das sobretaxas
JC
Publicado em 16/11/2025 às 0:00
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Sem o argumento político deslocado do ambiente econômico, e ainda assim utilizado pelo presidente Donald Trump como justificativa e ameaça ao Brasil, o tarifaço dos Estados Unidos aos produtos brasileiros não faz sentido. A distância que havia entre Lula e Trump parece ter evaporado, mas o diálogo oficial continua enfrentando lentidão para mostrar resultados. Analistas do mercado global e empresários norte-americanos engrossam o coro dos produtores brasileiros, prejudicados pela medida que eleva os custos de importação e inviabiliza, em certos casos, a continuidade dos negócios. Com sinais de que pode voltar atrás – o que não seria incomum – o presidente Trump tirou 10% da sobretaxa de 50% a diversos produtos, entre os quais, o café e a laranja, restando 40% como alíquota adicional.
O fato de o tributo acrescido ainda pesar apenas sobre os exportadores brasileiros torna urgente a revisão da postura da Casa Branca, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Países que não enfrentam essa sobretaxa terão mais vantagens que o Brasil para vender aos americanos. É muito importante negociar o quanto antes um acordo para que o produto brasileiro volte a competir em condições melhores no principal destino das exportações industriais brasileiras”, diz Ricardo Alban, da CNI. Após análise feita pela entidade, acerca dos produtos e dos países afetados pela retirada dos 10% adicionais, a CNI concluiu que a competitividade brasileira em segmentos estratégicos permanece limitada. O que pode favorecer a concorrência, se nada mudar no cenário imposto pelos EUA.
Uma nota oficial da entidade brasileira resumiu a questão: “As condições podem melhorar para competidores internacionais enquanto o Brasil continua penalizado”. É difícil compreender a motivação do desequilíbrio, quando a economia dos EUA também pode ser prejudicada, sem os produtos brasileiros demandados pela população. O impacto em Pernambuco se dá, sobretudo, no polo do Vale do São Francisco, onde a exportação de uva e manga se destaca. Para o presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, o patamar de 40% de taxação continua inviável e distante de qualquer modelo de concorrência equilibrada.
De acordo com Veloso, as medidas, na prática, visam atender aos interesses econômicos americanos, por causa da inflação dos alimentos. “É algo resolvido exclusivamente por conta das questões econômicas internas, não têm relação com solicitações do Brasil”, avaliou o presidente da Fiepe, que aproveita para cobrar efetividade nas negociações bilaterais que vêm sendo mantidas entre os dois países. “Os encontros que têm acontecido entre o Itamaraty e os Estados Unidos têm sido muito rápidos. A gente tem que aprimorar e acentuar as negociações”. Fora da lista de isenção, a uva, por exemplo, sofreu grande queda na exportação para os EUA nos últimos meses.

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