Mediado pelo professor Luciano Meira, o debate reuniu Priscila Cruz, presidente do Todos pela Educação, e Cesar Callegari, presidente do CNE
Mirella Araújo
Publicado em 18/10/2025 às 10:54
| Atualizado em 18/10/2025 às 17:43
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A capacidade de usar as tecnologias a favor da educação perpassa uma discussão sobre formação, organização curricular e foco na aprendizagem. Esses foram alguns dos pontos debatidos durante a mesa-redonda “Perspectivas de uma Inteligência Artificial para a Educação no Brasil”, realizada nesta sexta-feira (17), no festival Rec’n’Play, no Recife.
Mediado pelo professor Luciano Meira, o debate reuniu Priscila Cruz, presidente executiva e co-fundadora do Todos pela Educação, e Cesar Callegari, sociólogo e presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE).
Para alinhar a tecnologia mais importante — a pedagogia — com a tecnologia que a viabiliza, é necessário investir seriamente na formação inicial dos professores no Brasil, segundo Priscila Cruz. Sob essa perspectiva, o país vive um momento de “incoerência” entre o que se espera do aprendizado dos alunos e o modo com são preparado os professores.
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“O principal profissional do país é formado de um jeito absolutamente ilógico. A formação a distância se tornou um negócio, e não uma política pública. O resultado é uma desvalorização que começa muito antes do salário — começa na forma como o professor é preparado”, afirmou.
A presidente executiva do Todos pela Educação observou que 80% dos estudantes de licenciatura estão matriculados em cursos totalmente a distância, o que compromete a qualidade da aprendizagem e a identidade docente. “Há instituições que dizem oferecer atividades presenciais, mas o aluno precisa ir ao polo apenas para ter acesso ao Wi-Fi. Porque, se fosse de verdade, como achamos que o médico e o advogado são, não estaríamos tendo esse tipo de formação no Brasil”, comparou.
Priscila reconheceu como positivo o decreto presidencial que limitou a oferta de cursos 100% EAD no ensino superior, mas lamentou que as licenciaturas tenham ficado na categoria semipresencial. “Quando sobrepomos as normas do Conselho Nacional de Educação e o decreto, vemos que a parte presencial obrigatória na formação docente é mínima — algo em torno de 12% da carga horária, mesmo sendo presencial”, afirmou.
“O debate sobre a formação docente é uma boa batalha a ser travada. Só com professores bem formados e valorizados teremos a educação que o Brasil precisa”, completou.
Revisão das propostas currículares
Outro ponto debatido durante o evento foi o que deve orientar a formação dos professores, a partir de propostas de revisão curricular que considerem os direitos de aprendizagem dos estudantes.
Para César Callegari, é importante retomar o debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), considerada um avanço no país, pois pela primeira vez houve um discurso coerente sobre os direitos de aprendizagens das crianças e adolescentes. No entanto, o presidente do CNE chama atenção para o fato de que a implementação da BNCC ficou aquém do necessário
“A base nunca se propôs a ser um currículo pronto, mas sim uma inspiração para que escolas e professores elaborassem suas propostas pedagógicas de forma crítica, criativa e inventiva. Infelizmente, isso não foi feito”, observou.
Callegari criticou o fato de muitas redes declararem estar “alinhadas à BNCC” sem que os professores, na prática, compreendam seus fundamentos. “Os efeitos dela estão nos materiais didáticos e nas avaliações em larga escala, mas o trabalho de formação e apropriação crítica simplesmente não aconteceu”, afirmou.
Sobre a revisão da BNCC, Cesar Callegari defendeu que ela possa oferecer orientações metodológicas que ajudem os professores na aplicação dos direitos e objetivos de aprendizagem. “Não se trata de tirar autonomia, mas de evitar uma autonomia para o desastre. Hoje, muitos estão sozinhos, sem apoio, e quem perde são as crianças e os jovens”, alertou.
O educador também chamou atenção para a ausência de uma política nacional robusta de formação docente. “As licenciaturas em pedagogia, da forma como estão, são um desastre. Como é possível imaginar um curso que prepare o mesmo profissional para 13 funções diferentes — de professor da educação infantil a diretor escolar? É tudo e não é nada”, criticou.
Por fim, ele reforçou que o Brasil não avançará na educação sem valorizar os 2,3 milhões de professores e professoras que já atuam nas escolas. “Esses profissionais são o maior patrimônio do país. Se não houver políticas claras de valorização e formação continuada, continuaremos estagnados”, disse.
E alertou: “Setenta por cento dos professores que farão a Prova Nacional Docente são profissionais contratados de forma precária, sem garantia de permanência. Há estados em que 80% dos educadores não são concursados. É um absurdo”, afirmou.

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