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Maratonar
Um guia com dicas de filmes e séries para assistir no streaming
Há um ano, eu tirei dez dias de férias para acompanhar como “civil” o Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, ao lado da minha melhor amiga de infância —uma experiência inesquecível para esta nerd. Nesta quinta (4), o evento deu a largada à sua 50ª edição e eu estou aqui, morrendo de “fomo” (“fear of missing out” em inglês; inveja em bom português).
O Tiff (Toronto International Film Festival), como a festa é conhecida desde 1994, começou em 1976 com o nome de “Festival dos Festivais”. A ideia era reunir em um só lugar os melhores títulos apresentados em outros eventos, principalmente os europeus, como Cannes.
Hoje, o festival disputa com o de Veneza (na Itália), o de Telluride (no Colorado) e o de Nova York a chance de exibir premières mundiais, e recebe a visita de dezenas de estrelas internacionais a cada edição (Willem Dafoe passou do meu ladinho na estreia de “Saturday Night: A Noite que Mudou a Comédia”).
O grande trunfo do Tiff em relação aos concorrentes mais prestigiosos, como Cannes e Veneza, é ser aberto ao público em geral, não apenas à imprensa e à indústria. Milhares de torontonianos e turistas tomam a King Street todos os anos para assistir aos títulos mais aguardados da temporada e ajudar a determinar os seus destinos.
Explico: desde 1978, o maior prêmio do Tiff é aquele escolhido pela audiência. Ele prova, de certa maneira, que muitos desses filmes, que haviam até então sido exibidos apenas para críticos, também podem ter boas respostas do público em geral.
A maioria dos agraciados nesses quase 50 anos (e até dos segundos e terceiros colocados) acabou recebendo indicações ao Oscar.
O vencedor do ano passado, “A Vida de Chuck”, que chega nesta semana aos cinemas brasileiros, foi o primeiro desde 2011 a quebrar a sequência de indicações a melhor filme, mas o vice-campeão “Emilia Pérez” e o terceiro na lista, “Anora”, mantiveram a reputação do Tiff como verdadeiro termômetro do prêmio da Academia de Cinema.
Abaixo, trago uma seleção de ganhadores do prêmio do público do Tiff para assistir em casa.
Carruagens de Fogo (1981)
Chariots of Fire. Disney+, 123 min.
É o mais antigo vencedor do prêmio disponível no streaming no Brasil. Entre muitos outros troféus, ganhou os Oscars de melhor filme, roteiro original, figurino e trilha sonora.
Eric Lidell (Ian Charleson), um jovem escocês católico fervoroso, e Harold Abrahams (Ben Cross), um judeu inglês, descobrem na corrida maneiras de se conectarem a Deus e superarem o preconceito, chegando à Olimpíada de Paris, em 1924.
Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988)
Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios. Belas Artes à La Carte, Filmelier+, Mercado Play e PlutoTV, 88 min.
O filme que colocou o diretor Pedro Almodóvar no mapa chegou ao Tiff já premiado no Festival de Veneza e surfaria essa onda de aclamação até uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro e a cinco Goyas (o Oscar espanhol).
Carmen Maura interpreta Pepa, uma atriz que, após levar um pé na bunda do namorado, Iván (Fernando Guillén), sem muita explicação, decide ir atrás dele para entender o que houve.
American Beauty. Mercado Play e aluguel (Amazon, iTunes e YouTube), 122 min.
Em 1999, o público do Tiff foi um dos primeiros a assistir ao primeiro longa do diretor Sam Mendes. Apesar de muitos aspectos do filme terem envelhecido extraordinariamente mal (a reputação de Kevin Spacey, principalmente), a recepção na estreia foi entusiástica, e o filme seria coroado no Oscar com cinco estatuetas.
“Beleza Americana” explora o vazio existencial da classe média suburbana dos EUA. Spacey interpreta Lester Burnham, um executivo frustrado que enfrenta uma crise de meia-idade e desenvolve uma obsessão pela melhor amiga de sua filha adolescente.
Quem Quer Ser um Milionário? (2008)
Slumdog Millionaire. Prime Video e Runtime (dublado), 120 min.
Um dos exemplos mais significativos da influência do Tiff é este filme de Danny Boyle. Depois que o longa já estava pronto, uma reviravolta nos acordos de distribuição parecia destiná-lo às prateleiras das videolocadoras sem nem passar pelos cinemas, até que, já tarde, decidiu-se que o filme estrearia no Festival de Telluride e, na sequência, iria a Toronto.
A boa recepção nesses dois eventos e a premiação no Tiff catapultaram o longa a dez indicações ao Oscar, com oito vitórias (incluindo melhor filme) e mais de US$ 370 milhões nas bilheterias mundiais. Nada mal para a história de um garoto indiano, interpretado pelo até então desconhecido Dev Patel, que consegue o feito improvável de acertar as respostas do quiz show televisivo do título.
Disney+, 108 min.
Em meio a uma temporada atravancada pela pandemia de Covid, o filme de Chloé Zhao sobre nômades que vivem em vans e viajam pelos Estados Unidos fazendo bicos e escambos estreou no mesmo dia nos festivais de Veneza e de Toronto, e acabou se tornando o primeiro longa a vencer os maiores prêmios dos dois eventos.
Apesar de ser um filme relativamente pequeno —tem apenas dois atores profissionais conhecidos, Frances McDormand e David Strathairn, e Zhao vinha do cinema independente—, foi capaz de aproveitar o buzz gerado pelos festivais e as limitações da emergência global para ganhar três Oscars.
Neste ano, Zhao leva seu novo filme, “Hamnet”, ao Tiff. É, para mim, o mais aguardado da temporada.
O que está chegando
As novidades nas principais plataformas de streaming
Task: Unidade Especial (2025)
Task. Estreia na HBO Max neste domingo (7), às 22h. Sete episódios, com estreia semanal.
A nova série domingueira da HBO, do mesmo criador de “Mare of Easttown”, Brad Ingelsby.
O agente do FBI Tom Brandis (Mark Ruffalo) é convocado a liderar uma força-tarefa após uma série de assaltos a casas de traficantes de drogas nos subúrbios da Pensilvânia. Robbie Prendergrast (Tom Pelphrey) é o assaltante que ele procura. Ao lado do amigo Cliff (Raúl Castillo), Robbie tem atacado pontos comandados por Jayson (Sam Keeley) e Perry (Jamie McShane), da gangue Dark Hearts, enquanto cria os filhos com a ajuda da sobrinha, Maeve (Emilia Jones).
Já assisti aos sete episódios. A série demora um pouco mais a fisgar o espectador que “Mare…” —só lá pelo quarto episódio o mistério realmente me intrigou— e é mais ambiciosa, com muitos personagens a explorar, coisa em que nem sempre é totalmente bem-sucedida. Também é mais sangrenta e violenta que a antecessora, mas vai satisfazer os interessados em thrillers policiais e sotaques da Pensilvânia.
Dolunay (2017)
Globoplay. Às segundas, 17 episódios por semana.
Özge Gürel e Can Yaman estrelam esta novela turca em que uma jovem estudante de gastronomia, Nazli (Gürel), é contratada por Ferit (Yaman), um empresário rico, como sua chef pessoal.
Highest 2 Lowest. Estreia nesta sexta (5) na AppleTV+, 133 min.
Spike Lee e Denzel Washington voltam a se encontrar neste remake de “Céu e Inferno” (1963), de Akira Kurosawa. Um executivo da música (Washington) se vê em meio a um dilema moral quando um sequestrador tenta extorqui-lo.
Perversões Femininas (1996)
Female Perversions. Chega à Filmicca nesta sexta (5), 120 min.
Tilda Swinton, em seu primeiro papel em um filme americano, interpreta Eve Stephens, uma advogada ambiciosa que passa as horas entre relacionamentos vazios com homens e mulheres, e os problemas da irmã, cleptomaníaca.
Veja antes que seja tarde
Uma dica de filme ou série que sairá em breve das plataformas de streaming
Scarface (1983)
Deixa a Netflix em 15.set, 170 min.
Clássico de Brian de Palma sobre um imigrante cubano, Tony Montana (Al Pacino), que chega a Miami e se torna o maior traficante de cocaína da região.
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