Como é ‘Wicked’, o musical, com a drag queen Gloria Groove como vilã pomposa

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Como é ‘Wicked’, o musical, com a drag queen Gloria Groove como vilã pomposa


O público que via a apresentação do espetáculo “Wicked” nesta segunda-feira, em São Paulo, gargalhou quando Gloria Groove fez uma piada com o seu próprio nome, dizendo que uma personagem ao seu lado no palco não deveria se pôr em perigo estando tão perto da glória.

No papel da vilã Madame Morrible, ela é a primeira drag queen do mundo a interpretar uma personagem no musical, um dos mais longevos da Broadway, onde estreou há 22 anos. Levada a mais de 15 países desde então, esta é a terceira montagem da peça no Brasil, após versões em 2016 e no ano retrasado.

Gloria dá um tom bastante pomposo à personagem, uma das vilãs da história. Em entrevista coletiva, a artista disse ter se inspirado em antagonistas da Disney e das novelas brasileiras, como a Carminha de “Avenida Brasil”.

As referências vão dos gestos, muito eloquentes, ao visual. Sua Madame Morrible tem as sobrancelhas arqueadas e finas, como as da madrasta má de Cinderela. Toda a maquiagem, aliás, é pesada, com contornos muito marcados, cílios enormes e olhos bem desenhados. Gloria pediu para ser maquiada por um profissional para fugir do que está acostumada a fazer no próprio rosto quando encarna sua drag.

Apesar de inusitada, a escalação de Gloria conversa com o cerne do espetáculo, essencialmente uma trama sobre a luta por liberdade de grupos que estão à margem da sociedade. As metáforas se concentram especialmente na protagonista Elphaba, vivida por Myra Ruiz, que sofre preconceito por ter a pele verde. Por isso, o espetáculo foi abraçado pela comunidade LGBTQIA+.

Em uma sessão em São Paulo em março, o espetáculo demorou a começar porque a influenciadora Malévola Alves acusou outra mulher de transfobia. Após a acusada ser retirada da plateia, Carlos Cavalcanti, presidente do instituto Artium, que produz a peça, subiu ao palco para dizer que “transfobia em ‘Wicked’ não dá”. “Talvez ela precisasse muito assistir a ‘Wicked’ para aprender alguma coisa na vida”, afirmou.

Madame Morrible é a diretora da escola de feitiçaria Shiz. Ao descobrir que Elphaba tem poderes grandiosos, a vilã mexe os pauzinhos para fazer da estudante uma aprendiz do corrupto e picareta Mágico de Oz. “Wicked” se passa antes da história clássica de L. Frank Baum.

Gloria Groove substitui Karin Hils, cantora do finado grupo Rouge, que vinha fazendo a personagem desde março, quando “Wicked” entrou em cartaz no teatro Renault, na capital paulista. A drag assinou contrato para dez performances, com ingressos disponíveis para cinco delas até semana que vem. O espetáculo segue depois sem ela até o meio de outubro.

O texto passou por alterações para receber Gloria Groove, a maioria delas na voz de Glinda, a outra protagonista. Ela é interpretada pela atriz Fabi Bang, conhecida por fazer graça com memes e músicas populares no TikTok. Na sessão desta segunda, Bang cantou trechos de canções lançadas por Gloria, como o funk “Vermelho” e o pagode “Nosso Primeiro Beijo”. Há quem goste —toda piada rendia risadas no público—, e quem reclame de exagero nas referências à internet.

“Wicked” é um dos espetáculos de maior sucesso no país. Esta montagem, especificamente, ganhou peso por estrear após o filme protagonizado por Ariana Grande e Cynthia Erivo, que ganhou dois Oscar. Gloria Groove viajou a Los Angeles no final do ano passado para entrevistar as atrizes. “Wicked – Parte 2” que adapta o segundo ato da peça, estreia nos cinemas em novembro.

Este é o segundo musical de Daniel Garcia, o artista que dá vida a Gloria Groove. Na adolescência ele trabalhou na adaptação de “Hair” quando sua drag queen estava prestes a nascer.



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