Pelas imagens do sinistro de trânsito, a colisão foi violenta. Condutor do carro colidiu contra um caminhão munck e morreu preso às ferragens
Roberta Soares
Publicado em 23/08/2025 às 11:01
| Atualizado em 23/08/2025 às 13:59
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– Corpo de Bombeiros
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Um grave sinistro de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) envolvendo o condutor de um automóvel e um caminhão munck provocou a morte de uma pessoa e ferimentos em outras três, na madrugada deste sábado (23/8), na Avenida Norte, um dos principais corredores viários do Recife. A colisão aconteceu por volta das 3h30, na altura do bairro de Casa Amarela.
Pelas poucas informações repassadas pelos órgãos responsáveis pelo socorro das vítimas, o condutor do carro – que morreu preso às ferragens do veículo – teria colidido violentamente contra o caminhão, que estaria parado na Avenida Norte, fazendo algum tipo de manutenção na via. As outras três vítimas, também homens, receberam atendimento pré-hospitalar e foram levadas ao Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby, na região central do Recife.
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Como as instituições de fiscalização de trânsito e atendimento médico – incluindo Corpo de Bombeiro, SAMU, CTTU e PRF, entre outros – não informam mais nenhum dado sobre as vítimas ou os veículos, a reportagem não conseguiu checar a gravidade do estado de saúde das outras vítimas. Todas, entretanto, estavam no automóvel.
Pelas poucas informações repassadas também não é possível informar se o condutor do carro e os passageiros tinham consumido bebida alcoólica. Mas, pelas imagens da gravidade da colisão, que estão circulando nas redes sociais, é provável que houve excesso de velocidade e consumo de álcool. A reportagem procurou a CTTU, mas ainda não teve retorno. Também não foi possível esclarecer qual serviço o caminhão munck estava realizando e para qual órgão público.
Confira a nota oficial dos Bombeiros:
“O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco foi acionado, na madrugada deste sábado (23), para atender a um sinistro de trânsito na Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, no bairro de Casa Amarela, Recife.
Foram empregadas seis viaturas, entre resgate, salvamento e comando operacional. As equipes atuaram na retirada de uma vítima presa às ferragens, condutor de um automóvel, encontrada sem sinais vitais no local. E outras duas vítimas, ambas do sexo masculino, receberam atendimento pré-hospitalar e foram conduzidas ao Hospital da Restauração.
A ocorrência contou com o apoio do SAMU e da Polícia Militar de Pernambuco”.
A terceira vítima da colisão, que aparece nos vídeos do sinistro, foi confirmada pela PM. A CTTU, entretanto, repassou outra informação: de que seriam quatro feridos, além do que foi a óbito. Confira a nota:
“A Autarquia de Trânsito e Transporte do Recife (CTTU) informa que atendeu à ocorrência, com realização do teste de alcoolemia, e que a investigação das circunstâncias do sinistro fica a cargo das autoridades de segurança.
O Samu Metropolitano do Recife informa que foi acionado na madrugada deste sábado (23) para atender uma ocorrência na Av Norte, envolvendo colisão entre carro e caminhão. Ao todo, duas pessoas foram removidas pelas equipes do Samu e três pelo Corpo de Bombeiros”.
MAIORIA DAS MORTES NO TRÂNSITO NO RECIFE ACONTECEM À NOITE E, MESMO ASSIM, FISCALIZAÇÃO DE VELOCIDADE SEGUE DESLIGADA DAS 22H ÀS 5H

Relatório aponta que as mortes no trânsito aumentaram 19,3% na capital pernambucana. No País, são mais de 33 mil mortos por ano – Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife
Os números estão postos e são assustadores: no Recife, a única capital brasileira que há 19 anos desliga toda e qualquer fiscalização eletrônica – inclusive as de velocidade – das 22h às 5h, a maioria dos sinistros de trânsito acontecem exatamente no horário noturno (noite e madrugada).
Em 2024, mais da metade (55%) das mortes no trânsito da capital pernambucana aconteceram à noite ou de madrugada (entre 18h e 5h59). O horário da noite (entre 18h e 0h) respondeu por 30% das mortes, enquanto a madrugada (0h às 6h) registrou 25% dos sinistros (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo a ABNT e o CTB) com vítimas fatais.
E o que mais impressiona é que, entre o fim da noite e a madrugada, estima-se que haja uma redução de 60% no volume do tráfego de veículos, evidenciando a gravidade dos números de mortes. Os dados relacionados a 2024 fazem parte do Relatório Preliminar de Mortes no Trânsito 2025 – acessado pela Coluna Mobilidade no site oficial da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) – e estão estruturados a partir dos registros do Comitê Municipal de Prevenção de Acidentes (COMPAT) e da Secretaria de Defesa Social (SDS).
Os relatórios vêm sendo publicados desde 2020, quando teve início a parceria da Prefeitura do Recife com a Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global (BIGRS), e têm o objetivo de fornecer uma análise atualizada para avaliar a série histórica e identificar padrões e perfis das vítimas, orientando estratégias e políticas voltadas para a promoção da segurança viária na cidade.
HÁ 19 ANOS O RECIFE ‘DESLIGA’ TODA FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA NA CIDADE
O impacto da violência no trânsito à noite e de madrugada no Recife não é de hoje, sendo verificada pelo menos desde 2020, quando a gestão municipal passou a elaborar os relatórios de segurança viária. E, mesmo assim, nada é feito para reverter esse ‘desligamento’ – na verdade, os equipamentos não são desligados, mas os registros feitos são desconsiderados pelos agentes de trânsito no momento de transformá-los em notificação.
Os números são ainda mais impressionantes porque, desde 2006, a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) deixa de notificar todas as infrações de trânsito praticadas nas vias da cidade por força de uma decisão da Justiça de Pernambuco – provocada numa ação movida pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
Na época, o juiz José Marcelon Luiz e Silva, então na 1ª Vara da Fazenda Pública da Capital, determinou o desligamento dos equipamentos das 22h às 5h (em 2006 eram apenas os bandeirões, chamados de lombadas). O magistrado foi favorável a uma ação civil pública do MPPE, que teve como autora a promotora Andréa Nunes.
O Recife tinha apenas três equipamentos (na Cabanga, na Avenida Alfredo Lisboa e na Avenida Abdias de Carvalho) e o argumento do MPPE era de que havia um aumento no número de assaltos nessas áreas. Embora os registros não existam, comprovadamente, nos pontos onde havia fiscalização eletrônica. A CTTU recorreu até onde foi possível, mas em 2012 uma apelação foi julgada pela 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que confirmou a sentença de 1º grau.
Até hoje, o município diz estar de mãos “atadas” sobre a questão. “À época da decisão judicial, a CTTU entrou com recurso para tentar revertê-la. Atualmente a determinação da Justiça se encontra transitada em julgado”, informou por nota a autarquia.



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