‘Raríssimos da Vera Cruz’ revê legado da produtora ao resgatar filmes esquecidos

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
‘Raríssimos da Vera Cruz’ revê legado da produtora ao resgatar filmes esquecidos


Nos seus cinco anos de existência, com uma produção que vai de 1949 a 1954, a Vera Cruz rendeu assunto para mais de 50 anos: do projeto de industrialização à importação de mão de obra, das escolhas de distribuição ao desperdício de dinheiro. Seus filmes foram exaltados e adorados com a mesma intensidade que, para outros, pareceram ridículos ou afetados.

Nesse tempo, seus filmes foram exaltados e adorados, também foram chamados de ridículos ou afetados. É dessa história controversa que o pesquisador Donny Correia propõe uma revisão, começando entre os dias 26 e 27 na Cinemateca Brasileira.

O próprio Correia realiza no sábado uma masterclass sobre a companhia de Franco Zampari, depois do que se terá acesso ao primeiro dos seus filmes: “Caiçara”, drama entre quadrado e desajeitado dirigido por Adolfo Celi. Quer dizer: isso é uma visão antiga. Toda a questão do ciclo é saber se a visão de algumas décadas atrás se sustente, ou se podemos ver a Vera Cruz com novos olhos.

Se em “Caiçara” havia a alcoolatria como vício central, “Angela” remete a outro problema muito cultivado pela Vera Cruz: a jogatina e sua capacidade de destroçar bens de raiz, heranças e tudo mais. “Angela” também foi o filme que marcou a saída de Alberto Cavalcanti, chefe de produção do estúdio, que se desentendeu com Franco Zampari: Cavalcanti queria que brasileiros dirigissem mais filmes, Zampari inclinava-se para o lado dos estrangeiros, sobretudo italianos. No caso, o filme foi assinado por Tom Payne e Abilio Pereira de Almeida.

Nesse momento de poucas oportunidades aos brasileiros, já se destacam os documentários de Lima Barreto —”Painel” e “Santuário” estão na mostra.

Como Zampari ganhou o braço de ferro com Cavalcanti, outros filmes presentes na mostra receberam a direção de estrangeiros, como “Appassionata“, de Fernando de Barros, e “Veneno”, de Gianni Pons. No primeiro, Tônia Carrero é uma pianista brasileira de sucesso internacional, que liga muito para sua carreira e muito pouco para o marido. Em “Veneno”, é o marido, Anselmo Duarte, que sofre com a indiferença da mulher.

Se existe dúvida se esses filmes melhoraram com o tempo —o que pode muito bem acontecer—, não restam dúvidas sobre o quanto é atraente “Floradas na Serra“. O filme foi o último esforço da Vera Cruz pela sobrevivência. O sucesso de “O Cangaceiro” já tinha sido vendido para pagar dívidas. Apostou-se muito no filme dirigido por Luciano Salce. Com efeito, Salce conduziu muito bem a história de pacientes que tratam tuberculose em Campos do Jordão. Entre eles estão Cacilda Becker e Jardel Filho.

É uma rara oportunidade para ver Cacilda Becker. E Salce, diga-se, era bom o bastante para seguir uma carreira mais que digna na Itália, No Brasil, porém, o filme fracassou e decretou, de vez, a falência da companhia.

Da Vera Cruz, restaram, além dos assuntos para discussão que duraram até pelo menos o fim do século passado, a falência do sonho de levar o cinema brasileiro para o mundo. Por mais que essa história de final triste já pareça distante, ela ainda é capaz de intrigar e atrair. Rever seus filmes é uma bela proposta da Cinemateca Brasileira, afinal.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *