Taxação adicional de 50% a produtos brasileiros anunciada por Donald Trump causa espanto pelo tom político assumido – prejudicando os dois países
JC
Publicado em 11/07/2025 às 0:00
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Através de uma carta de cunho autocrático, criticada não apenas no Brasil, mas dentro dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou uma medida mais parecida com sanção econômica do que fruto de reciprocidade – que seria falaciosa, já que no comércio entre os dois países, o Brasil é que carrega o déficit, há anos. A sobretaxa de 50% para produtos brasileiros atinge em cheio a economia daqui, e está suscitando grande temor em diversos setores. A desarrumação potencial nas relações comerciais pode ser marcante e traumática para os dois lados.
Mas Trump parece mais interessado no impacto político, pois atrelou a justificativa de tal medida, descabida e até ofensiva ao povo brasileiro, ao processo em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), que examina a participação e a responsabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro nos atos de baderna e golpismo na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A solidariedade não é surpresa, pois Trump, de certo modo, inspirou e segue inspirando movimentos antidemocráticos no mundo, inclusive no Brasil, tendo em Bolsonaro seu principal seguidor por aqui. Na carta aberta endereçada a Lula – um absurdo que desmerece a tradição diplomática e os valores liberais que até então pautaram a Casa Branca – o presidente norte-americano ou faz uma chantagem afrontosa às instituições brasileiras, ou repete o blefe que fez com a China. Depois de anunciar uma taxação estratosférica, recuou para dar espaço a negociações no âmbito da diplomacia e do comércio bilateral.
Ainda sob o choque do inaudito, as reações externadas publicamente oscilam, no Brasil e nos EUA, entre a cautela diplomática, a desconfiança política e o pragmatismo econômico. O governo Lula espera a concretização da ameaça declarada, enquanto estuda, junto ao STF e o Congresso, bem como a entidades produtivas, quais as alternativas para responder e lidar com o que está posto, caso se realize. Em se tratando de Donald Trump, como o mundo já sabe, e temos visto nos primeiros meses do seu segundo mandato, as palavras espetaculosas nem sempre significam o que aparentam dizer. E não raro se esfumaçam, dando lugar a outras palavras – depois que o show do pronunciamento inicial alcançou a plateia desejada.
Para o prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, no entanto, a gravidade da sobretaxa ao Brasil não se resume à economia entre os dois países, ou mesmo ao tipo de instabilidade global que Trump vem insistindo em causar. Segundo Krugman, o conteúdo da carta aos brasileiros configura motivo suficiente para o impeachment do presidente dos Estados Unidos. A observação diz respeito ao destino da democracia com a Casa Branca pautada por um aspirante a totalitário que ataca a liberdade por vários flancos. Cabe às instituições dos EUA lidarem com o problema. Assim como cabe às nossas instituições valorar a responsabilidade de personagens envolvidos em tramas golpistas, com intenções antidemocráticas.
Seja chantagem política ou blefe comercial, a sobretaxa de Trump é inadmissível sinal de intromissão individual em assuntos coletivos. O presidente dos Estados Unidos perdeu de vez o decoro e o respeito ao próprio cargo, insultando a tradição do liberalismo político e econômico na América do Norte.

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