Depois de cerca de dois meses, o julgamento do rapper Sean “Diddy” Combs foi encerrado nesta quarta-feira, em Nova York. O júri, que ouviu 34 testemunhas, considerou o magnata da música culpado pelo crime de transporte para fins de prostituição em dois casos envolvendo duas ex-namoradas, Cassie Ventura e uma mulher anônima, que usou o pseudônimo de Jane no tribunal. Cada um deles pode levar a uma condenação de dez anos —a sentença ainda não foi anunciada e deve ser definida até outubro.
Diddy, no entanto, foi inocentado dos crimes mais graves, como o de extorsão, pelo qual poderia ser condenado à prisão perpétua, e o de tráfico sexual das ex-namoradas, que poderia acarretar uma pena de mais duas décadas de prisão.
O júri considerou que Diddy providenciou o transporte de homens, dentro e fora dos Estados Unidos, para participar de orgias com as mulheres, o que é proibido pela chamada Lei Mann, de 1910.
Terminado o julgamento, a defesa pediu a libertação de Diddy, que está preso há quase dez meses, nesta quarta, condicionada ao pagamento de uma fiança de US$ 1 milhão, ou R$ 5,5 milhões. O pedido, porém, foi negado pelo juiz. A promotora Maurene Comey afirmou que a defesa estava minimizando a gravidade da condenação e pediu que Diddy seguisse detido.
Embora não tenha conquistado uma absolvição, Diddy celebrou o veredito com euforia. Sorriu para a família, fez um gesto de oração e agradeceu ao júri num sussurro.
Em frente ao tribunal em Manhattan, fãs também celebraram o resultado e se lambuzaram com óleo para bebê —um dos elementos que supostamente mais circulavam nas chamadas “freak-offs”, as orgias promovidas por Diddy e de onde surgiram várias das acusações de estupro e agressão que o cantor recebeu nos últimos meses.
No mesmo dia em que comemorou o veredito, aliás, Diddy recebeu uma nova acusação. O dançarino Edmond Laurent o acusa de o ter drogado, estuprado e feito contrair uma infecção sexualmente transmissível durante uma festa na qual foi contratado para trabalhar como modelo.
Diddy é uma figura-chave da cultura americana contemporânea. Um dos principais magnatas do show business das últimas três décadas, ele emendou trabalhos como cantor e produtor, pelos quais venceu três prêmios no Grammy, o maior da música, e construiu relações intensas com estrelas. Apadrinhou gente como Jay-Z, Pharrell Williams e Drake e cultivou o desafeto de outros astros, como Kanye West e 50 Cent.
Diddy produziu um dos álbuns de rap mais bem-sucedidos da história, “No Way Out”, de Notorious B.I.G., que vendeu aproximadamente 6 milhões de cópias.
A imprensa americana considera o seu julgamento como o mais midiático no show business desde aquele que inocentou Michael Jackson das acusações de abuso sexual infantil há duas décadas.
Para enfrentar o julgamento federal, Diddy se cercou de um time jurídico robusto, com oito advogados e diversos consultores jurídicos, com nomes como Teny Geragos e Marc Agnifilo —que representa Luigi Mangione, acusado de assassinar o CEO de uma operadora de seguros de saúde nos Estados Unidos.
Especialistas estimam que os honorários desse processo devem passar dos US$ 10 milhões —uma pequena fração da fortuna do rapper, avaliada em US$ 1 bilhão.
A maior vitória da defesa foi convencer os jurados de que Diddy não chefiava uma organização criminosa e que as ex-namoradas não foram coagidas a participar das orgias com garotos de programa. Em seus argumentos, os advogados destacaram mensagens de texto nas quais as mulheres pareciam mostrar entusiasmo pelos encontros. Elas afirmaram, no entanto, que respondiam o que Diddy queria ouvir e que estavam presas em relacionamentos abusivos com ele.
Os jurados chegaram a uma decisão na manhã de quarta, após terem deixado o tribunal na terça com dúvidas sobre uma das acusações. O júri foi composto por um grupo racialmente diverso de oito homens e quatro mulheres, com idades entre 30 e 74 anos.
Ao longo do processo, o júri avaliou imagens e vídeos, entre eles o do espancamento de Cassie Ventura, em 2016, no corredor de um hotel, enquanto ela tentava fugir de uma orgia, além de uma série de depoimentos e argumentos da defesa e da acusação.
A crise envolvendo Diddy se arrasta desde novembro de 2023, quando Ventura acusou o músico de abuso e tráfico sexual. A ação foi retirada no dia seguinte, após as partes chegarem a um acordo confidencial milionário.
Entenda o caso
Sean Combs, conhecido como “Puff Daddy”, “P. Diddy” ou simplesmente “Diddy”, era uma das figuras mais bem-sucedidas do mundo do rap. Em 2017, liderou uma lista da Forbes de celebridades mais bem pagas –ele havia faturado US$ 130 milhões, ou R$ 705,9 milhões, em 12 meses.
Cassie Ventura acusou Diddy de abuso físico e sexual durante anos de relacionamento, além de tráfico sexual, em novembro de 2023. Segundo ela, o rapper agredia-a fisicamente, forçava-a a manter relações sexuais com terceiros e coagia-a a usar drogas.
O processo foi retirado no dia seguinte, após as partes chegarem a um acordo. Esta foi a primeira grande acusação feita contra Diddy, abrindo a porta para o escândalo que veio em sequência.
A investigação federal começou em março de 2024, quando a polícia realizou buscas simultâneas em propriedades de Diddy em Los Angeles, Nova York e Miami. Durante essas ações, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, drogas, armas de fogo não registradas e mais de mil garrafas de óleo de bebê e lubrificante íntimo.
Em maio, um vídeo de uma agressão contra Ventura, ocorrida em um hotel em 2016 e gravada por câmeras de segurança, é divulgado pela imprensa americana. Nele, o rapper bate, arrasta pelo chão, puxa pelos cabelos e chuta a então namorada.
Em setembro, ele foi preso por tráfico sexual, transporte para fins de prostituição e extorsão, declarando-se inocente de todas as acusações. Nos dias seguintes, Diddy teve sua fiança negada três vezes.
Passaram a surgir uma série de acusações de abuso e agressão sexual contra Diddy. Segundo o advogado Tony Buzbee, foram mais de 100 queixas contra o rapper, incluindo o abuso sexual de menores de idade. Novamente, ele se declarou inocente e disse que suas relações sexuais haviam sido consensuais.
O julgamento iniciou-se em 5 de maio. A fase de testemunhos se estendeu até 24 de junho, com os principais depoimentos vindo de Ventura, Jane, o rapper Kid Cudi e a cantora Dawn Richard. Diddy escolheu não prestar depoimento, e a defesa não apresentou nenhuma testemunha.
Ventura afirmou que frequentemente era forçada a ter relações sexuais sem consentimento e com terceiros, padrão que se repete no caso de Jane, ex-namorada com identidade protegida –segundo ela, Diddy utilizada drogas e álcool para mantê-la “submissa”.
A defesa de Diddy procurou descredibilizar as mulheres que denunciaram o rapper, destacando o período longo de tempo que mantiveram relações com ele.
De acordo com a promotoria, esses abusos foram cometidos com a ajuda de “fiéis tenentes” e “soldados rasos” que existiam para atender às suas necessidades.
No centro de sua argumentação está a afirmação de que os funcionários de maior escalão —incluindo seu chefe de equipe e os seguranças, nenhum dos quais testemunhou— estavam cientes de suas ações e as facilitaram, e que o rapper recorreu ao “poder, à violência e ao medo” para controlar suas vítimas.


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