Chico Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1944. Mudou-se para São Paulo aos dois anos, pois seu pai, o sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda, foi nomeado diretor do Museu do Ipiranga
No começo dos anos 1950, Chico e sua família passaram dois anos morando na Itália. Na época, Sérgio ensinava estudos brasileiros na Universidade de Roma. Lá, Chico estudou em uma escola americana e aprendeu inglês e italiano
De volta ao Brasil, a música entrou na vida de Chico. Vinicius de Moraes, amigo do pai, visitava a casa da família e ensinou violão à Miúcha, irmã de Chico, que, por sua vez, repassava os ensinamentos ao irmão
Em São Paulo, Chico cursou Arquitetura na USP, influenciado pelo impacto da construção de Brasília. Contudo, desistiu no terceiro ano, em 1965, priorizando a música, sua verdadeira paixão e vocação artística
Sua primeira canção oficial registrada é “Tem Mais Samba”, de 1964. Já a primeira apresentação em um palco foi em Campinas, em dezembro de 1965. Menos de um ano depois, “A Banda” venceu o Festival da Record em outubro de 1966
A vitória de “A Banda”, empatada com “Disparada”, de Geraldo Vandré, transformou Chico rapidamente num fenômeno nacional, visto como o “bom-moço”. Com poucas músicas, aos 22 anos, virou “peça de museu” ao dar depoimento para o MIS (Museu da Imagem e Som)
Chico casou-se com a atriz Marieta Severo em 1966. Ficaram juntos por 33 anos, até 1999. Eles tiveram três filhas: Sílvia, Helena e Luísa. Em 2017 começou a namorar a advogada Carol Proner, com quem se casou em 2021
Sua obra musical combinou a bossa nova com a rica música urbana carioca, incorporando samba, seresta e modinha. Ele trouxe ingredientes que a música popular pedia, marcando o fim da era bossa nova e abrindo caminho para o tropicalismo
Durante a ditadura militar, Chico enfrentou forte repressão e censura. Peças como “Calabar”, escrita com Ruy Guerra, foram proibidas na véspera da estreia. Discos chegavam com cortes ou faixas proibidas
Para driblar a censura, Chico criou o heterônimo Julinho da Adelaide nos anos 1970. Sob esse nome, lançou canções de sucesso e críticas à ditadura como “Jorge Maravilha” e “Acorda, Amor”
Em janeiro de 1969, em meio à ditadura, foi para a Itália em autoexílio por um ano e dois meses. Lá, gravou álbuns como “Per un Pugno di Samba”. Fã de futebol, estreitou laços com o jogador Mané Garrincha, que também morava em Roma
Paralelamente à música, desenvolveu uma aclamada carreira literária. Publicou romances, contos e peças, conquistando, entre outros prêmios literários, o Jabuti, por três vezes, e o Camões, pelo conjunto da obra
Seus romances exploram temas diversos, como a autoficção em “O Irmão Alemão” e “Bambino a Roma”. Títulos como “Estorvo”, “Budapeste” e “Leite Derramado” abordam a elite e a decadência social
Cinco músicas para conhecer a obra de Chico Buarque
“Apesar de Você” (1970)
“Construção” (1971)
“Folhetim” (1978)
“As Caravanas” (2017)
“A Banda” (1966)
Em 2021, Chico passou por uma cirurgia na coluna. Em 2023, fez uma artroscopia no joelho direito. Em 2025, às vésperas de seu aniversário de 81 anos, o músico passou por uma cirurgia neurológica para aliviar a pressão intracraniana
Sua assinatura ajuda a Folha a seguir fazendo um jornalismo independente e de qualidade
Veja as principais notícias do dia no Brasil e no mundo