No centro antigo de Praga, uma plaquinha discreta num sobrado próximo à praça principal eterniza uma certa noitada. “Aqui, nos salões da Sra. Berta Fanta, Albert Einstein –autor da Teoria da Relatividade e ganhador do Prêmio Nobel– tocou violino e encontrou seus amigos, os famosos escritores Max Brod e Franz Kafka.”
Cheguei a pensar, diante desse perfil em bronze do físico alemão. “Sim, sim, fascinantes convivas, certamente uma farra e tanto, mas… O que será que Berta serviu a essa gente toda? Cerveja tcheca? Picles de salsicha?”
De acordo com o IBGE das baladas e convescotes, pertenço à classe de indivíduos com animação “nível médio”. Algo entre “ermitão incurável”, largado de moletom no sofá, e “inimigo do fim”, que só vai embora depois que alguém taca balde d’água e ameaça chamar a polícia. Ou seja: a bateria social sempre ali pelos 43%.
Em sendo assim, admiro não apenas a disposição mas a logística daqueles que amam e sabem receber. Merecedores do elogio máximo que corria bem mais frequente nas soirées de outrora, por entre dentadas em canapés e goladinhas de ponche. “Fulano é… casa cheia!”
Hoje em dia, de tão raro, todo convite que chega –mesmo sem antrax ou substâncias explosivas– causa apreensão. A exemplo do último baile do Império, aprendemos que reviravoltas costumam acontecer durante rega-bofes muito aguardados, haja perdiz ou miojo da Turma da Mônica no cardápio.
Pensamento positivo: o anfitrião estará de banho tomado à hora combinada. Caso faltem cadeiras, haverá braços de sofá e o colo de completos desconhecidos encurtando a distância entre pessoas. Sem alarde, caladões ficarão à vontade, quiçá abraçados ao pet da festa. Afinal, o que seria dos fóbicos, dos sem jeito e dos enfurnados convictos não fosse pela super bonder comunal desses hosts que insistem na raça humana?
Abrir salões –mesmo que relativos, tendendo mais a quitinetes– é uma ciência inexata e tão enigmática quanto a que tange os buracos negros. Contudo, temos algumas respostas. Acabou o gelo? Delivery resolve. A música tá alta? Bate lá no síndico e já chama para a rodinha de violão. Sim, aquela que toca “Andança” nos tons dissonantes da alegria.
Até porque, a contar só pela plaquinha, há divergências se o gênio da física era tão bom assim ao violino. Em algum momento, sua amiga Fanta deve ter dito: “Ô Albertinho, larga essa gravidade e dá uma palinha…”.
Boralá, no refrão: “Por onde for/ quero ser seu Einsteeeein”.
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