Na data de celebração de uma das mais conhecidas expressões da cultura do estado, o clima de Carnaval anima a população e a economia
Publicado em 09/02/2025 às 0:00
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A pernambucanidade se alvoroça com o ritmo que eletriza o passo dando tesouradas em tudo que não seja alegria. Conta-se que surgiu da combinação espontânea nas ruas, da capoeira com outras expressões populares. Num longínquo 9 de fevereiro, em 1907, apareceu pela primeira vez a menção, numa palavra que não deixaria mais de estar relacionada com a cultura de Pernambuco: a gente sabe que é da gente quando escuta e dança sua música, porque é frevo meu bem.
No século 21, o reconhecimento institucional valoriza ainda mais a identificação coletiva. Desde 2012, o frevo é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, em declaração da Unesco. E desde 2014, também Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, em concessão do Iphan. No contexto histórico de transição depois da Abolição da Escravatura, o frevo pode ter surgido e se difundido no encontro – ou choque – de bandas militares com a população negra que deixava de ser escravizada. Mais que manifestação de resistência, é uma expressão de liberdade, no movimento livre do corpo, na agilidade da dança que põe a mente em outro compasso.
Na capital do frevo, a festa terá um festival no Teatro do Parque, em homenagem a Jota Michiles, o compositor que criou canções marcantes como “Me segura senão eu caio” e “Bom demais”. Nesta semana, aliás, “Frevo Michiles”, o documentário de Hélder Lopes sobre o compositor irá estrear no Cinema São Luiz e no Cinema da Fundação. Com participações de Alceu Valença, Spok, Getúlio Cavalcanti e Edson Rodrigues, o filme traz a trajetória do compositor de 80 anos de idade, que tem a vida dedicada à cultura pernambucana. E o festival terá Flaira Ferro, Nena Queiroga, Romero Ferro, Silvério Pessoa, Maestro Forró e Maria Flor. Para a coordenadora do evento, Michelle de Assumpção, o frevo “está presente o ano todo, movimentando a economia, a cultura e a identidade do Recife”.
Ritmo de força e equilíbrio, o frevo simboliza o rompante coletivo de um povo que não se esconde na opressão. O frevo é Pernambuco, e Pernambuco é frevo. Na história, mas sobretudo no Carnaval. A poucas semanas das festividades de Momo, o Dia do Frevo anima a população, chama a atenção dos turistas e abre a expectativa de movimentação econômica ao som da frevança. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no estado, mais de dois terços das empresas esperam faturar mais do que no ano passado, no período carnavalesco. Um clima de otimismo contagia a economia, com a disseminação da expectativa positiva em todas as regiões, pelo aumento de fluxo de pessoas na brincadeira e fora dela, na Região Metropolitana do Recife, nas praias e nas cidades do interior.
Ainda com a lembrança de dois anos sem Carnaval, durante a pandemia de Covid, milhões de pernambucanos se aglomeram ritmados em nome da alegria da alma pernambucana. Viva o Dia do Frevo!
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