A nossa cultura ganha a maior vitrine global do cinema e enche os brasileiros de orgulho, em um filme que mexe com a identidade nacional
Publicado em 24/01/2025 às 0:00
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Ainda não são estatuetas, e talvez nem venham a ser. Mas as meras indicações de melhor filme para “Ainda estou aqui” e de melhor atriz para Fernanda Torres, ao Oscar deste ano, trazem para o Brasil um sentido coletivo comparável ao que já foi antes associado ao futebol em Copa do Mundo. Nas redes sociais, nas telas e fora delas, o clima de classificação para uma final de Copa da cultura cinematográfica enche o ego da nação. O Brasil diz ao mundo que “está aqui”, numa época de desprezo à diversidade, de normalização de comportamentos nocivos à própria humanidade, e ainda, de processamento do luto que continua, em relação a uma pandemia ainda presente nos sobreviventes.
A cerimônia de anúncio e entrega do Oscar será no dia 2 de março, e certamente contará com a torcida maciça dos brasileiros grudados nas telas, feito evento esportivo internacional. A diferença é que se trata de uma possível conquista da cultura, que já se comemora antes mesmo de qualquer resultado. Pois o que vale para a torcida – e para a cultura que o filme carrega, elabora e expressa – vem a ser o reconhecimento de nossa imagem coletiva num espelho global. Como se o reflexo da identidade nacional brilhasse mais forte, para a visão dos outros povos, revigorando os traços, as cores e as formas da brasilidade.
A temática do filme de Walter Salles, baseado em livro de relato real de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe, Eunice, de seu pai, Rubens, e das relações familiares nos anos da ditadura militar pós-1964, fala alto à memória e à história não tão recente, mas não tão distante, da pátria sequestrada pela violência política. A mensagem que os jurados do Oscar transmitem, apenas com a indicação do filme em três categorias – três chances de levar o prêmio – não se dirige apenas ao Brasil. Mas alcança um planeta que vê a disseminação da intolerância e das guerras, que não são outra coisa senão a multiplicação da violência institucionalizada como a dos regimes totalitários.
Assim como o sorriso de Eunice e dos filhos, a manifestação artística que amplia o alcance pela produção cultural, é mais que resistência a insinuações de tempos sombrios. A arte e a cultura unem os povos enquanto a política exercida na direção contrária do bem coletivo prefere a segregação – mesmo que travestida em novo imperialismo, nas expansões em curso ou projetadas pelas principais potências. Não estamos resistindo em uma trincheira, acuados, quando o poder da arte e a mobilização da cultura se demonstram: estamos ativando o que há em nós de semelhança para a convivência. A luz do cinema pode ser um potente instrumento dessa ativação, tanto quanto o brilho de artistas como Fernanda Montenegro, Marcelo Rubens Paiva, Walter Salles, Fernanda Torres e Selton Mello.
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