Covid longa na educação

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Covid longa na educação


Efeitos da suspensão prolongada de aulas presenciais e do estresse nas crianças e adolescentes, provocaram atrasos no desenvolvimento cognitivo


Publicado em 17/01/2025 às 0:00



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O mundo atravessou, a partir de 2020, uma das maiores crises estruturais, talvez a maior que a humanidade já tenha experimentado, simultaneamente, em todos os países. A pandemia de Covid 19 deixou traumas na maioria da população sobrevivente, em muitos casos relegados a segundo plano, depois que a ciência conduziu com êxito o processo de descoberta de vacinas eficazes contra um vírus que matou tanta gente, inclusive no Brasil. Não foi difícil perceber, ainda durante a fase de contaminação sem imunização disponível, quando o distanciamento social era a única prevenção possível, que a conjuntura pandêmica trazia o aprofundamento da desigualdade, do empobrecimento e da miséria, elevando a gravidade de problemas no atendimento de saúde, deixando um passivo imenso para a gestão pública, que perdura até hoje.
Novas conclusões reforçam as consequências daquele período traumático na educação, sobretudo de crianças em fase de alfabetização. O Unicef divulgou o estudo “Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil – 2017 a 2023”, segundo o qual nada menos que 30% das crianças de 7 e 8 anos no país não estava alfabetizada em 2023, mais que o dobro do registrado em 2019, de 14% nos estudantes dessa faixa etária. Trata-se de um reflexo da interrupção das aulas presenciais e do aumento das desigualdades sociais que a população infantil teve que vivenciar, de acordo com o documento da entidade da Organização das Nações Unidas (ONU).
As crianças que deveriam estar sendo alfabetizadas entre 2020 e 2022 sofreram, por exemplo, com a falta de acesso a um ambiente virtual adequado, em substituição longe de ideal à presença de professores e colegas em sala de aula, e ainda, com a impossibilidade ou dificuldade do apoio pedagógico em casa. Mesmo os pais que detinham condições para dar esse tipo de apoio sentiram o peso da educação, em um estágio tão sensível, sobre seus ombros. Imaginemos a situação das famílias em condição de vulnerabilidade, e poderemos começar a compreender a dimensão e a duração dos efeitos da pandemia sobre o desenvolvimento do aprendizado infantil – e os desdobramentos disso na vida de cada criança, bem como no cotidiano das famílias. E de modo mais amplo, na redução ainda maior do potencial de transformação de uma comunidade.
O que o relatório do Unicef chama de pobreza multidimensional apresenta sete dimensões, entre as quais estão a educação e a informação. O atraso escolar e o crescimento do analfabetismo detectado em 2023 no Brasil integram o cenário desafiador da pobreza no país. O estudo também serve de referencial para a conhecida desigualdade regional, ao apontar que as crianças do Norte e do Nordeste são mais expostas à privação em diversas facetas da vida, do que aquelas de outras regiões. E alerta: a diminuição da privação de renda, gerada pelo Bolsa Família, não basta para mudar o quadro desolador na privação educacional. Sem investimentos de grande porte, a educação dos brasileiros fica mais suscetível ainda a sentir os efeitos de longo prazo de condições extremas como tivemos na pandemia.



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