Escolas instaladas em áreas de risco climático nas capitais afetam a vida de 370 mil crianças e adolescentes, expostos a tragédias anunciadas
Publicado em 10/12/2024 às 0:00
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O mapeamento de áreas de risco para a moradia é conhecido em quase todo o país, devido à vulnerabilidade cada vez maior de nossas cidades aos fenômenos climáticos intensos, em decorrência das mudanças que vão das correntes marítimas aos ciclos da atmosfera. Não é por falta de informação que, na maioria das capitais brasileiras, por exemplo, os gestores e a população estão se acostumando a ver, ano após ano, a elevação do número de vítimas e do prejuízo material gerado pelas chuvas – se não de todo previsíveis em detalhes, ao menos previstas diante da repetição de sua ocorrência em território nacional.
Para não naturalizar o espanto e a inércia, é preciso retomar a importância da prevenção. O problema é que isso implica em assumir o ônus da impopularidade, ao se decidir o que precisa ser feito em favor da coletividade, mesmo diante de pressões que misturam queixas legítimas com casuísmos escancarados. No Brasil – sem surpresa – as escolas de ensino básico e fundamental de regiões mais pobres e com mais estudantes negros são aquelas que menos possuem área verde, e as que se encontram mais expostas ao risco climático. De acordo com o Instituto Alana, em parceria com o MapBiomas e a Fiquem Sabendo, 370 mil alunos e alunos matriculados em escolas desses níveis de ensino nas capitais vivem diariamente à espera de uma tragédia, como um deslizamento de terra ou uma inundação. E mais de um terço das escolas não conta com área verde.
A avaliação se debruçou sobre as condições de mais de 20 mil unidades escolares públicas e privadas nas capitais. O resultado é alarmante, não por se tratar de dado novo, mas por voltar a mostrar a vulnerabilidade que se perpetua pela falta de controle urbano e ações preventivas. No dia em que o céu desabar sobre uma dessas escolas, mais uma vez, os estragos e o trauma sobre estudantes e suas famílias, talvez sobre a comunidade e o município inteiros, poderão ser atribuídos à imprevisível violência da natureza – que a esta altura do que temos visto não é mais tão imprevisível assim, sendo crescentemente violenta. Há uma irresponsabilidade no ar, feito nuvens carregadas prestes a lançar chuva, quando o despreparo para lidar com as intempéries é naturalizado como um fato dado, sem solução.
O Recife aparece no levantamento como a terceira capital de maior risco para crianças e adolescentes nessa faixa etária em todo o Brasil, com 23% das escolas de ensino básico e fundamental em áreas de risco, e quase 43 mil alunos e alunas nessa condição. O pior caso é o de Salvador, onde metade das escolas ocupam áreas de risco, proporcionando a insegurança a mais de 120 mil estudantes. A retirada dessas crianças e adolescentes da posição de medo constante precisa ser prioritária, dentro de uma política pública que realce a responsabilidade dos governantes – e dos educadores – perante o destino coletivo. A manutenção da vulnerabilidade representa, por outro lado, indicativo de irresponsabilidade e omissão que, infelizmente, não passam com a chuva, ou mesmo com tragédias causadas por temporais.
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