Fim da escala 6×1: 288 mil trabalhadores adicionais e alta nos imóveis. Entenda o que pode mudar na construção

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Fim da escala 6×1: 288 mil trabalhadores adicionais e alta nos imóveis. Entenda o que pode mudar na construção


As projeções indicam que, apenas no Minha Casa, Minha Vida, a medida pode resultar em cerca de 30 mil unidades financiadas a menos por ano


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O Senado Federal aprovou a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a extinção da escala 6×1. Diante da medida, entidades do setor imobiliário e da construção civil manifestaram forte preocupação com os impactos econômicos e operacionais das novas regras. A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) destacou que o fim da escala 6×1 provocará uma pressão inflacionária direta sobre os custos de produção, resultando em uma alta estimada ao redor de 5% no valor final dos imóveis.

O presidente da entidade, Luiz França, alertou que esse encarecimento drástico tem um potencial de exclusão severo, podendo retirar cerca de 2,5 milhões de famílias do mercado imobiliário, dificultando o acesso à casa própria para a população de média e baixa renda.

Na mesma linha, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) acompanhará a regulamentação das novas regras para tentar mitigar os reflexos negativos na execução de obras. O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, reconheceu a relevância social da mudança, mas ponderou a necessidade de uma transição responsável para preservar empregos e a atividade econômica.Aroeira ressalta que, a partir de 2027, o setor enfrentará um cenário de escassez de mão de obra.

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A redução da jornada exigirá a contratação de aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais para manter o ritmo atual, mas ainda assim elevando custos e comprometendo entregas em infraestrutura e em programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), segundo a CBIC.

As projeções indicam que, apenas no programa habitacional, a medida pode resultar em cerca de 30 mil unidades financiadas a menos por ano, deixando cerca de 83 mil pessoas sem acesso à moradia anualmente.

Em cinco anos, o impacto acumulado atingiria 150 mil unidades a menos e cerca de 415 mil cidadãos afetados.O encarecimento das obras também ameaça a expansão do saneamento básico — sobretudo nas regiões Norte e Nordeste — e a construção de equipamentos públicos essenciais, como hospitais, escolas, creches e redes de mobilidade urbana. Para as entidades, conquistas trabalhistas precisam vir acompanhadas de mecanismos de salvaguarda que preservem a capacidade de investimento do país e evitem penalizar a população mais vulnerável.

REALIDADE DA CONSTRUÇÃO EM PERNAMBUCO COM O FIM DA 6X1

Em participação no videocast JC Metro Quadrado, do Jornal do Commercio, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE), Paulo wanderley, afirmou que não é contrário à flexibilização da jornada para ampliação do descanso dos trabalhadores, desde que a mudança ocorra por meio de um regime de transição gradual e adequado às especificidades do setor.

A construção civil pernambucana já não adota o regime 6×1 — modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga apenas um. Atualmente, o setor no Estado opera predominantemente no modelo 5×2, mas com 44 horas semanais.






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