Raquel Lyra recebeu milhares de votos de apoiadores de Flávio Bolsonaro que ajudaram na sua vitória mesmo sem ter os pedido ao menos publicamente
Fernando Castilho
Publicado em 04/10/2026 às 23:50
| Atualizado em 05/10/2026 às 0:05
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Agora que a governadora Raquel Lyra venceu a campanha política para a reeleição, cabem dois minutos de conversa sobre como será o seu comportamento num eventual governo de Flávio Bolsonaro, que entra no segundo turno com a vantagem no número de votos, mas de ser eleito com os votos dos correligionários que somam 47,03%, ou 56.103.542 votos.
Importa pouco se Renan Santos, Augusto Cury, Romeu Zema ou Ronaldo Caiado dizem se vão apoiar ou não Flávio Bolsonaro. Eles não têm qualquer influência sobre seus eleitores e não têm procuração para negociar absolutamente nada em seu nome, embora possam falar sobre eles.
Só que a tendência é que boa parte deles vote em Flávio, até porque só votaram nos seus candidatos de direita porque eram contra o Lula.
Votos da Direita
Entretanto, para Raquel Lyra, que recebeu um pacote de votos junto com Flávio Bolsonaro neste 4 de outubro, uma eventual eleição do candidato PL precisa ser modulada.
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E isso tem a ver com o fato de que nenhum de seus candidatos ao Senado foi eleito e que os três senadores estarão no campo da esquerda. E, como exceção de Humberto Costa, sua relação com o senador terá que ser essencialmente institucional, mesmo num governo Lula.
Raquel Lyra tem, portanto, um primeiro desafio que é ajudar Lula no segundo turno sem que isso signifique hostilidade a Flávio Bolsonaro, que até agora não lhe fez qualquer crítica.
E por que não pode desde agora fechar portas num eventual governo liderado pelo PL que chega a 2027 com 19 senadores ( no total chega a 29 na sua base) e 121 deputados, alguns deles eleitos dizendo e votando com a governadora.

Comemoração de Raquel no Marco Zero. – Jailton Junior
Sem briga federal
A governadora costuma lembrar que foi uma estupidez o governador Paulo Câmara conseguir a proeza de brigar com Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, o que teria custado caro a Pernambuco, que perdeu oportunidade de conseguir verbas federais e até mandos de ação, como foi o caso da gestão de projetos de Suape.
Da mesma forma que fez sua campanha dizendo que tem enorme gratidão pelo presidente Lula por tudo que ele fez pelo seu governo desde a primeira semana de gestão e pela atenção que ministros como Renan Filho e Rui Costa deram a Pernambuco.
Então, se Lula vencer a eleição, a interlocução não terá problemas, até porque João Campos não estará mais no radar de Lula, embora o presidente possa acomodá-lo em algum ministério. E, mesmo no Senado, a presença de Rui Costa e Humberto Costa será um facilitador. Mas a questão é: e se o presidente for Flávio Bolsonaro!
A governadora afirma que sua missão é obter o máximo possível de recursos para retomar o crescimento de Pernambuco e que isso teve uma enorme ajuda de Lula e sua equipe.
Afagos e salamaleques
Até porque o presidente reconhece nela um quadro nacional que sempre o procura para fazer parcerias e não apenas para pedir dinheiro em convênio a fundo perdido. O que explica os salamaleques que lhe dispensa nas cerimônias oficiais.
Mas, de novo, como seria o relacionamento com um governo que promete rever tudo o que o modelo PT desenvolveu, ser muito duro nas despesas e ajustar as contas públicas já no primeiro ano de governo, o que significa dizer que a transferência de verbas que vem obtendo não será tão simples.
Existem projetos importantes que demandam investimentos da União, embora Pernambuco possa apresentar contrapartidas. São coisas como a Transnordestina, a segunda parte da Adutora do Agreste, os investimentos necessários para receber a demanda da obra da Refinaria Abreu e Lima, além dos projetos na área de saúde, estradas e infraestrutura.
Qual tratamento
Num governo de Flávio Bolsonaro, ela sabe muito bem que o tratamento diferenciado será para os governadores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste que lhe deram vitórias. Os governadores do Nordeste deram vitória a Lula.
Tudo isso cria um novo panorama para a governadora que deseja escrever um segundo governo de consolidação do primeiro. Como disse na campanha, existem entregas que serão feitas em 2027. E ela vai precisar fazer na prática o discurso de que seu lado é Pernambuco.
Isso vai exigir capacidade de articulação, de movimentação dentro do novo Congresso e de trabalhar para que já no OGU a bancada lhe assegure verbas para projetos que considera estratégicos.
Ou seja: Raquel sabe que num quarto governo Lula ela estará com muito mais prestígio do que teve até agora, mesmo não tendo eleito nenhum de seus senadores.
Mas esse não é seu maior desafio. O desafio será construir um relacionamento com um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Bom, ao menos ela sabe que parte da bancada de deputados terá acesso a áreas do novo governo de direita e que se elegeram defendendo seu legado.
Sabendo que a neutralidade da campanha será um fator importante para lhe oferecer uma bússola em novos mares.












