Campanha de Lula adapta música de Bad Bunny em vídeo sobre soberania

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Campanha de Lula adapta música de Bad Bunny em vídeo sobre soberania


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou uma adaptação de uma música do cantor Bad Bunny em uma peça de campanha para a reeleição. O vídeo, publicado na quarta-feira (23), faz uma defesa da soberania e critica os Estados Unidos.

Procurada, a coordenação da campanha de Lula não respondeu se teve autorização da equipe do astro porto-riquenho para o uso da faixa.

Lula usou a música “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, do álbum “Debí Tirar Más Fotos“, de Bad Bunny. A canção trata da preservação da identidade de Porto Rico —que é um território dos Estados Unidos, mas não um estado americano— comparando a situação da ilha com o que aconteceu no Havaí. Fala sobre especulação imobiliária, gentrificação e migração forçada.

Mas na campanha de Lula ela aparece modificada, com letras em português e ritmo de forró. Alguns trechos são meras traduções da poesia original —como o verso “querem tomar o rio e também a praia”—, mas outros trazem adaptações para o contexto do Brasil e das eleições —”querem o meu bairro e que a vovó vá embora”, por exemplo, virou “querem as terras raras, querem que a gente saia”.

No refrão de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, Bad Bunny canta, em espanhol —”Não quero que façam contigo o que aconteceu no Havaí”. Na versão da campanha do petista, o verso vira —”Não quero que façam contigo o que fazem por aí”.

O vídeo reveza imagens do povo brasileiro, de florestas, rios, praias e manifestações culturais do país com cenas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, beijando a bandeira americana —mostrada também em cena de uma manifestação bolsonarista na avenida Paulista, em São Paulo. Há também imagens de bombardeios e de repressão da ditadura militar.

Desde o ano passado, Bad Bunny se destacou como crítico de Trump e das políticas migratórias americanas na atual gestão. No último Grammy, no qual levou o prêmio de álbum do ano, o cantor pediu “fora ICE”, referência ao serviço de imigração dos EUA, em seu discurso dedicado aos imigrantes.

Também neste ano, Trump criticou a liga de futebol americano, a NFL, por escolher Bad Bunny para o show do intervalo do Super Bowl. Ele depois disse que a apresentação, uma celebração da América Latina, foi “absolutamente terrível”, “uma das piores de todos os tempos” e “uma afronta à grandeza dos Estados Unidos”.

Há cerca de dois meses, o governo dos Estados Unidos usou uma música de Bad Bunny —sem autorização do cantor— como trilha de um vídeo oficial que promovia a deportação de imigrantes. A peça publicitária exibia imagens de agentes do ICE realizando prisões. O áudio tinha trecho da faixa “La Mudanza”, de Bad Bunny.



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