Em uma campanha acirrada como a que se observa em Pernambuco, qualquer deslize pode ser fatal. A comunicação é fundamental para os dois lados.
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Há um ditado popular famoso em Portugal e que acabou adotado no Brasil, onde é comumente usado no meio político. Ele aconselha que “não se deve falar de corda em casa de enforcado”. Citações como essa são repetidas por deputados quando se referem à necessidade de ficar atento, sobretudo em entrevistas, para não criar constrangimento aos interlocutores. Eles também usam um quase sinônimo deste ditado, que é “não cutucar o cão com vara curta”, ou seja, possibilitar uma resposta constrangedora para quem fez a acusação.
Muito fluente e envolvente em suas falas, porém, o candidato a governador de Pernambuco, João Campos, e sua assessoria, vêm, nos últimos dias, pouco atentos a esses ensinamentos no momento de fazer críticas à governadora Raquel Lyra. Primeiro, a campanha da Frente Popular reproduziu uma matéria da jornalista Andresa Matais, do site Metropoles, informando que uma advogada que já trabalhou na Bet Aposta Ganha, uma das patrocinadoras do São João de Caruaru, estaria fazendo comentários na Internet favoráveis à governadora e de críticas e ataques ao ex-prefeito.
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Das bets ao fura-teto
A intenção era confirmar o chamado “gabinete do ódio” – a matéria foi repassada para os jornalistas políticos – que, segundo o PSB , seria formado por influencers que, na Internet, têm feitos críticas e ataques a João Campos. Esta sexta-feira, em debate na Rádio Cidade de Caruaru, o próprio João chamou Raquel Lyra de “fura-teto”, alegando que ela, como procuradora do Estado, receberia um salário superior ao de governador e teria optado por ele e não pelo de governador na hora em que tomou posse.
Ele usou até uma palavra que está sendo comum hoje em dia – “penduricalho” – ou seja, um benefício indireto que acaba permitindo a algumas categorias receber mais do que ganha o chefe do Executivo. Nos dois casos, para ficar nos ditados populares que nascem da criatividade e engenhosidade de pessoas comuns, pode-se dizer que a Frente Popular pode ter dado “um passo em falso”.
Fura-fila vem à tona
A questão sobre a Bet de Caruaru, além de pouco revelante – não teve a repercussão esperada – relembrou ao eleitor uma acusação que a direita e alguns expoentes da esquerda, como o candidato a deputado federal pelo PSOL, Jones Manoel, têm levantado nas redes sociais contra o candidato, acusando-o de ter feito uma parceria com as bets na terceirização da manutenção dos parques da capital, permitindo que algumas delas chegassem a escrever seus nomes até em pistas de cooper. Eles alegam que as bets são um mal para a juventude, pois incentivam o vício na prática de apostas, que têm endividando as famílias mais pobres.
Já a expressão “fura-teto”, engenhosamente criada para tentar constranger a governadora diante da expressão “fura-fila”, que o PSD tem usado para acusar o ex-prefeito de ter permitido que o filho de um juiz passasse à frente de um candidato com deficiência no concurso de procurador da Prefeitura, acaba remetendo ao nome fura-fila que é muito mais famoso, até porque virou mote na Internet e permanece como tal há mais de um ano.
Bom de propostas, João escorregou no discurso
No debate da Rádio Cidade, de Caruaru, João saiu-se melhor que a governadora, pois falou em propostas, enquanto ela citou muito o que já fez mas não mostrou, na mesma intensidade, o que fará a partir de 2027, caso seja reeleita. Não fosse o fura-teto que, inclusive, causou rebatimento nas redes sociais, ele poderia ter saído do primeiro embate bem maior do que entrou.
Em uma campanha acirrada como a que se observa em Pernambuco, qualquer deslize pode ser fatal. Hoje há um empate técnico no limite da margem de erro, conforme a Quaest e o Datafolha, entre Raquel e João, com a governadora na frente. Para se manter na dianteira, ela não pode errar, da mesma forma que João precisa acertar para ter chance de ultrapassá-la. A comunicação é fundamental para os dois lados.














