Todo o corpo de votantes do prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, a FNLIJ, anunciou sua retirada coletiva da instituição, indicando a impossibilidade de realizar a premiação.
Em carta enviada à Folha, o grupo de 23 especialistas, todos intelectuais ligados à literatura infantojuvenil, atribuem a decisão a “problemas estruturais graves, que comprometem não apenas o funcionamento da fundação, mas também sua missão histórica, sua credibilidade pública e a integridade de seu patrimônio material e simbólico”.
A FNLIJ existe desde 1968 e é o principal órgão de representação da literatura voltada a crianças e jovens no Brasil, seção brasileira do International Board on Books for Young People, apelidado de IBBY.
Entre suas atribuições, está a realização deste prêmio tido como o mais abrangente e historicamente respeitado da área, que seleciona os melhores lançamentos anuais e indica a “lista dos livros altamente recomendáveis” para serem adotados em escolas e bibliotecas infantojuvenis.
Como braço nacional do IBBY, também é o órgão responsável por indicar os candidatos brasileiros ao prêmio Hans Christian Andersen, o Nobel da literatura infantojuvenil, que já emplacou três escritores vitoriosos no Brasil: Lygia Bojunga, Ana Maria Machado e Roger Mello.
A situação de crise é tão grave, segundo os jurados que batem em retirada, que existe um risco real de perda dessa representatividade no IBBY e da consequente conexão com o Andersen por inadimplência com as taxas da entidade internacional.
Os 23 votantes apontam como razões da debandada a falta de uma equipe de funcionários suficiente para atender às demandas do acervo e do processo de avaliação do prêmio.
Segundo Aline Frederico, jurada que é professora do curso de editoração da Universidade de São Paulo, a edição do ano passado do prêmio foi feita pela “força de vontade e o desejo de seguir adiante” dos votantes, que trabalham voluntariamente e chegavam a receber exemplares dos livros candidatos direto em seus endereços privados, por ausência de suporte da fundação.
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Na carta, os jurados apontam ainda “sinais de abandono institucional” na FNLIJ e um “risco ao acervo histórico” do prêmio, por falta de condições adequadas de preservação na Casa da Leitura, sede que o órgão ocupa no Rio de Janeiro ligada à Fundação Biblioteca Nacional.
Outra reclamação é de falta de diálogo com a presidência da FNLIJ, ocupada por Julio Cesar Silva desde 2021. À coluna, ele diz ter feito reuniões com os votantes em fevereiro para informá-los sobre a situação da instituição e seus esforços para recuperá-la.
Por telefone, Silva afirma que, quando assumiu há cinco anos, encontrou a fundação amarrada por dificuldades de financiamento e impedimentos jurídicos. Ele reconhece que o orçamento proveniente dos mantenedores atuais da FNLIJ tem sido insuficiente para pagar os funcionários adequados para toda a operação do prêmio.
Afirma que a crise é um passivo que não é seu e que vem tentando “tudo que possa imaginar” para resolver a questão, buscando uma reestruturação. Diz que agora finalmente está em vias de fechar um novo investidor e espera dar boas notícias em breve.
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