Um dos principais intelectuais dos Estados Unidos, W.E.B. Du Bois vai ampliando tardiamente sua presença no Brasil, após passar em torno de um século com o grosso de sua obra inédita por aqui. E um sinal da ampla demanda pelo pensamento do sociólogo negro é que sua obra seja publicada por três editoras diferentes neste segundo semestre.
A Boitempo vai editar seu ambicioso “Reconstrução Negra”, análise de mais de 700 páginas sobre o papel do povo negro no período que se seguiu à abolição e à guerra civil no país, cobrindo de 1860 a 1880.
Publicado em 1935, o livro bateu de frente com a historiografia dominante da época ao enxergar os escravizados como agentes protagonistas da mudança e ao usar uma lente marxista para discutir relações de raça e classe. A obra vem com tradução de Murillo van der Laan, revista e acrescida de notas e apresentação de Sávio Cavalcante e Matheus Gato.
Gato é responsável pela tradução dos outros dois inéditos de Du Bois que saem em breve. Pela Perspectiva, vem seu “Penumbra da Aurora”, livro de 1940 que funciona como uma autobiografia —mas num tipo de memorialismo híbrido que emprega conceitos de análise histórica e sociológica ao contar a vida de um dos autores mais influentes do movimento negro.
Já a Fósforo, que já havia editado seu conto “O Cometa”, vai publicar “Água Escura”, coletânea de ensaios, ficções curtas e poesia que serve para dar um gosto da amplitude literária alcançada por Du Bois. Outros dois livros do autor, aliás, saíram há pouco por duas outras editoras —o clássico “As Almas do Povo Negro”, de 1903, ganhou edição pela Veneta, enquanto a Autêntica lançou “O Negro da Filadélfia”, de 1899.
MORRER PARA GERMINAR A Companhia das Letras publica em 2026 o novo livro da americana Siri Hustvedt, que costura os diários que a autora passou a escrever desde que soube da doença de seu marido, o também escritor Paul Auster, até o dia da morte dele, em abril de 2024, por um câncer de pulmão. “Histórias de Fantasma” inclui ainda bilhetes trocados pelo casal durante todo o relacionamento e as últimas 35 páginas escritas por Auster para um projeto que nunca se completou, compondo um amplo panorama dessa história de amor.
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SEMEADURA O escritor Silviano Santiago viaja a Portugal para participar, neste sábado, da Festa do Livro de Oeiras, onde promove a edição lusitana de seu “Mil Rosas Roubadas”. O autor diz que releu o livro de 2014 pela primeira vez e se deu conta “de que são até divertidas as ‘memórias póstumas’ do Zeca Jagger”. O vencedor do prêmio Camões também está reeditando na Rocco seu “O Falso Mentiroso”, de 2004, e fechou com a Companhia das Letras uma edição revista de “Viagem ao México”, romance de 1995 protagonizado por Antonin Artaud.
IMENSO MONOLITO Falando em Rocco, a casa vai publicar as cartas inéditas de Primo Levi com o tradutor alemão de seu clássico “É Isto um Homem?”, que também ganha nova edição agora em agosto. O italiano se correspondeu por mais de 30 anos com o tradutor Heinz Riedt e abordou questões relevantes sobre mercado editorial, política e memória ao tentar escolher as melhores palavras para definir os horrores que viveu durante o Holocausto. Sai em 2026.
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