A Flipei, Festa Literária Pirata das Editoras Independentes, faz sua segunda edição em São Paulo de 6 a 10 de agosto crescendo em tamanho enquanto promove uma mudança notável —não vai cobrar nada dos visitantes nem das editoras que expõem seus livros no evento na Praça das Artes.
“Quanto mais recursos públicos, mais público será o evento”, diz Cauê Seignemartin Ameni, um dos organizadores da Flipei e editor da Autonomia Literária. “Ano passado, cobramos das editoras e cobramos as festas. Esse ano, está tudo gratuito.”
É um movimento que vai de encontro aos grandes eventos literários no Brasil, visando ampliar o leque de editoras participantes. A Feira do Livro em São Paulo e a Bienal do Rio, que aconteceram em junho, exigem taxas para que editoras reservem lugar para seus estandes. A Flip, de caráter menos comercial, também cobra um valor considerável das casas que querem ter a chance de vender livros em Paraty.
A Flipei, aliás, nasceu como uma “festa pirata” paralela à Flip, ocupando uma tenda na praia do Pontal —há dois anos, uma mesa gratuita com a intelectual italiana Silvia Federici reuniu público vasto naquelas areias. Logo depois, houve um rompimento ruidoso que fez a Flipei levar sua festa para São Paulo.
No ano passado, o festival aconteceu num edifício fechado perto do Terminal Bandeira, o Central 1926. Agora ocupará o espaço aberto da Praça das Artes, na região central, contando com volume maior de recursos do ProAC, o Programa de Ação Cultural do governo paulista. Para o próximo ano, o evento já tem aprovação para captar verba federal via Lei Rouanet.
A programação da Flipei se amplia de três para cinco dias do calendário, com mais de 200 editoras inscritas para participar até agora e 28 debates já previstos contra cerca de uma dúzia em 2024. No ano passado, o público estimado foi de 12 mil pessoas por dia.
Há neste ano a presença de convidados internacionais relevantes como o japonês Kohei Saito, expoente do pensamento marxista e autor de “O Capital no Antropoceno”, da Boitempo; e a surinamesa Cynthia McLeod, escritora de 88 anos cuja obra está sendo resgatada pela Pinard.
A programação traz ainda a boliviana Silvia Cusicanqui, a franco-argelina Louisa Yousif e autores brasileiros como Lilia Guerra, Luiza Romão e Acauam Oliveira. Com inclinação declarada à esquerda, também traz nomes engajados na política como Nabil Bonduki, Leci Brandão, Jones Manoel e Glauber Braga. E as atrações musicais incluem o rapper Rincon Sapiência e o grupo Ilú Obá de Min.
SOY LOCO POR TI… Falando na Pinard, a editora traz uma ótima leva de autores latino-americanos ao mesmo tempo da publicação de “Quão Caro Foi o Açúcar?”, romance histórico inédito da surinamesa Cynthia McLeod —que, além da Flipei, passa também pela Biblioteca Nacional em Brasília em agosto.
…AMÉRICA A casa, que trabalha com financiamento coletivo para suas obras, já tem no forno edições de dois clássicos fundamentais que estavam esgotados há décadas — “O Recurso do Método”, do cubano Alejo Carpentier, e “A Morte de Artemio Cruz”, do mexicano Carlos Fuentes. Ainda publica em agosto o romance inédito “María”, do autor novecentista colombiano Jorge Isaacs, considerado precursor de muitas tendências literárias do continente.
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