Voto anti-extremismo

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Voto anti-extremismo



A polarização política contemporânea chegou a Portugal na disputa do segundo turno, no último domingo, entre o socialista Antônio José Seguro, favorito nas pesquisas com larga diferença, e André Ventura, líder do Chega, partido de extrema-direita que se tornou a segunda agremiação no país. O discurso radical contra as minorias e os imigrantes não conquistou os portugueses, que preferiram a postura de centro, mantendo uma tradição nacional e impedindo o avanço ainda maior dos extremistas de direita. A reprodução de uma agenda que se espalhou pela Europa pode ter, no entanto, um fator de desgaste no outro lado do Atlântico: a identificação de Donald Trump que essa agenda, ao lado da desconfiança crescente do mundo com Trump, pode ter contribuído para barrar o crescimento do Chega e suas bandeiras, deixando Ventura sem chances reais de chegar ao poder – ao menos desta vez.
A eleição presidencial portuguesa contou com segundo turno pela primeira vez em 40 anos, depois de um primeiro turno com 11 candidaturas, algo que também não se via há muito tempo. Após quase uma década no posto, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, de centro, não poderia disputar outro mandato, abrindo espaço para os concorrentes de variados espectros ideológicos. Mas a extrema-direita do Chega consolidou sua maior participação representativa da insatisfação popular, indo ao segundo turno. No semipresidencialismo de Portugal, o presidente é o chefe de Estado, enquanto o primeiro-ministro se ocupa do governo. O presidente pode destituir o governo e convocar novas eleições, algo que Rebelo de Souza fez três vezes.
Do ponto de vista interno, a troca de um chefe de Estado de perfil moderado, por outro semelhante, é vista como uma precaução a medidas extravagantes – como a que se vê nos Estados Unidos de Trump, por exemplo, onde a xenofobia, o preconceito e o desrespeito ao direito local e internacional provocam um desmonte jamais observado na estrutura institucional que prezava por garantias individuais à liberdade. Por outro lado, apesar da derrota nas urnas – uma derrota esperada – o Chega e sua maior liderança passam a exercer um poder simbólico na oposição que tende a aglutinar outras forças descontentes, bem como favorecer a viabilização de leis mais duras de imigração. O novo governo a ser formado pela centro-esquerda terá que se compor, sem se alinhar à direita radical, para governar.
A pauta do Chega abrange pontos reconhecíveis em outras partes do mundo, inclusive no Brasil: a demonização da política tradicional, genericamente taxada de corrupta (da qual os outsiders precisam fazer parte para assumir o poder); a intensificação da violência armada para estabelecer a ordem nas ruas (mesmo que ao custo de medidas totalitárias, como se vê nos EUA); e a perseguição institucionalizada (e simultaneamente à margem da lei) aos imigrantes, com restrições rígidas à entrada e à permanência de estrangeiros, tratados explicitamente como inimigos (a não ser que tenham dinheiro suficiente para serem tratados como turistas ou investidores).
A replicação dessa pauta no Brasil é controversa, e resgata o tema da defesa da democracia contra a alternância no poder. A conferir: a campanha vem aí.



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