Governadora venceu nas três maiores cidades do Grande Recife, além do interior, e recuperou uma expectativa de poder que muitos haviam descartado.
Publicado em 27/10/2024 às 23:04
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.

‘;
window.uolads.push({ id: “banner-970×250-1” });
}
Atribuir qualquer derrota a João Campos (PSB) no primeiro turno era uma injustiça. Ele foi o grande vencedor do Recife, uma cidade com 1,4 milhão de habitantes, e por estar fazendo campanha na capital ficava impossibilitado de se envolver com empenho nas outras cidades.
Até então era possível dizer que Raquel Lyra (PSDB) venceu, mas Campos não havia perdido. No segundo turno isso muda, por uma questão de prática discursiva e ação direta. As campanhas de Olinda e Paulista, ambas na Região Metropolitana do Recife onde se dizia que a popularidade da governadora era “pífia” e a do prefeito do Recife era “estrondosa”, tornaram-se campos de batalha de uma “guerra fria” entre os dois grupos, com possibilidade iguais de envolvimento.
Dessa vez, as duas vitórias de Raquel são duas derrotas de João. E são bem simbólicas.
Derrota com lealdade
Em Paulista, o prefeito do Recife sabia desde o início que a missão era difícil, mas não deixou de apoiar Júnior Matuto (PSB). Aliás, verdade seja dita, o grupo de Matuto em Paulista precisa reconhecer e ser grato ao socialista vizinho, porque o candidato não tinha qualquer chance de vitória, nunca teve. E ainda assim ninguém pode falar em abandono.
‘;
window.uolads.push({ id: “banner-300×350-area” });
}
A eleição já estava definida nos últimos dias e Campos seguiu participando de atividades de campanha com Matuto. Fica aí uma característica importante e necessária para quem quer ser líder político. É que a derrota fortalece laços e saber perder em união galvaniza apoios futuros. Campos foi muito correto com o aliado, embora já soubesse que estava derrotado desde a primeira semana do segundo turno.
Derrota apesar do esforço
Em Olinda, o empenho foi ainda maior. O socialista abraçou a campanha de Vinicius Castello (PT) como se sua fosse. A coluna teve informações de que integrantes da equipe de Campos foram deslocados para a campanha do petista. Vereadores da base do PSB também foram acionados para ajudar na mobilização na cidade vizinha.
Os grandes eventos realizados no segundo turno e as mudanças de palanque que aconteceram no segundo turno, com integrantes da base do atual prefeito Lupércio (PSD) pulando para o lado de Vinicius tiveram influência direta do trabalho de articulação de Campos. Sem falar nos vídeos, carreatas e discursos do socialista.
É importante reconhecer o empenho do prefeito do Recife, para justificar o título desse texto indicando que Raquel Lyra venceu e João foi derrotado. Não houve ausência justificada de Campos, como aconteceu em Caruaru no primeiro turno quando lançou candidato com seu apoio, José Queiroz (PDT), e ele terminou derrotado.
Dessa vez ele participou ativamente, mas não deu.
PSDB x PSB
A vitória de Ramos (PSDB) em Paulista desempatou uma disputa pelo número de prefeituras pernambucanas entre PSB e PSDB também. Agora, o partido da governadora tem uma prefeitura a mais do que o PSB de Campos (32 x 31).
O crescimento dos tucanos é impressionante, porque o partido tinha eleito apenas cinco prefeitos em 2020 e agora passa de 30. Já os socialistas caíram ao longo dos últimos anos. Chegaram à eleição de 2020 com 70 prefeituras, elegeram naquele ano pouco mais de 50 e, quatro anos depois, terminam a campanha com 19 cidades a menos.
Surpreendeu?
A força de ser a governadora do Estado conta, é verdade. Mas é a mesma governadora que, os adversários diziam alguns meses antes, não tinha a menor chance de sair vitoriosa de uma eleição. Mudou algo ou calcularam errado?
Somando os candidatos do PSDB e do PSD (que muitos consideram ser o futuro partido de Raquel e que já está com ela), o número de prefeitos já passa de 50. Quando são acrescidos todos os que tiveram apoio do Palácio este ano, a conta sobe para algo além de 100 prefeitos.
Três maiores
A Região Metropolitana, que se apontava como um território no qual a governadora não teria força política para enfrentar João Campos, terminou com os três maiores municípios (tirando o próprio Recife) confirmando vitórias de Raquel. Juntos, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista possuem quase a mesma população que a capital. São 1,3 milhão de habitantes contra 1,4 milhão do Recife.
Esse não é o número que uma personagem política sem expressão alcança. Mesmo que João tenha apoiado mais candidatos vitoriosos na RMR e as vitórias ligadas a ele reúnam uma população bem maior, é preciso reconhecer que perder nas três maiores cidades, incluindo as duas em que teve a chance de atuar diretamente no segundo turno, é uma derrota considerável.
O jogo de 2026
Mas o que isso realmente muda para 2026? Objetivamente, neste momento, nada.
É preciso entender qual a influência das prefeituras para eleições estaduais e nacionais. A eleição municipal determina a musculatura com a qual um grupo político poderá atuar quando efetivamente o jogo da próxima eleição iniciar (nos próximos dias, já).
Quanto mais prefeitos sob sua influência, maior a quantidade de máquinas administrativas reconhecendo o seu trabalho e sua importância junto aos eleitores.
Maior se torna também o impacto nas eleições legislativas, de deputados estaduais e federais. Quanto mais prefeitos, maior o número de candidatos pedindo voto e conectando os eleitores a um palanque principal, estadual ou federal.
Perdedor tem voto
É uma ciência exata e quem faz mais prefeitos é favorito? Não. É um ponto de partida essencial, mas está longe de definir os eleitos na campanha seguinte. Alguns fatores precisam ser levados em conta, e o principal deles é que em todas essas cidades os derrotados também tiveram votações importantes e também dominam a influência sobre parte do eleitorado.
Pro futuro
Quem fez política no primeiro turno e no segundo turno precisará continuar fazendo agora. Se a governadora se distanciar dos prefeitos após a eleição, deixando-os sem apoio político e financeiro, as vitórias não terão validade nenhuma.
Se João Campos for se voltar apenas para o Recife e não ampliar suas agendas estaduais de articulação, pelo partido que todos consideram como sendo dele, o PSB, de nada valerá o esforço que foi feito em 2024.
Músculos
Além disso, a expressão utilizada acima foi a de musculatura política com os prefeitos. O que é preciso fazer para manter a musculatura forte? Exercitá-la.
É bem conhecida nos meios políticos a história da campanha de Miguel Arraes contra Jarbas Vasconcelos, quando o velho governador aproximou-se do período eleitoral com mais de 100 prefeitos lhe pedindo bênçãos, achou que estava eleito e viu todos sumirem em poucos dias quando perceberam que Jarbas é quem estava mais forte. Quem achar que ganhou, perde. Serve de alerta.
Sobre o poder
Só existe uma coisa que é muito mais expressiva e atrai mais aliados do que o poder: a expectativa de poder. Essa expectativa, até antes desta eleição, estava sendo muito trabalhada por João Campos. O resultado no Recife fortaleceu isso, mas as derrotas pelo estado e na RMR fortaleceram muito mais Raquel. Ela já tinha o poder e recuperou sua expectativa. Mas ainda faltam dois anos até a próxima eleição.



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2616587724.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)







/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2616588520.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2616587724.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)

