O cientista político Manoel Moraes aponta que filme furou a bolha e pode mudar olhar do brasileiro sobre os resquícios da ditadura militar
Publicado em 05/03/2025 às 21:11
| Atualizado em 05/03/2025 às 21:40
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A celebrada vitória do filme Ainda Estou Aqui na cerimônia do Oscar, no último domingo (2), trouxe à tona o retorno do debate sobre os resquícios da ditadura militar no Brasil. Com a conquista da estatueta na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, o filme pode significar uma nova oportunidade para reabrir o debate sobre os resquícios da ditadura militar e o papel da Comissão da Verdade, para além do reconhecimento internacional ao cinema brasileiro.
Em entrevista à Rádio Jornal nesta quarta-feira (5), o advogado e cientista político Manoel Moraes, membro titular da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos, destacou a importância do filme neste contexto histórico e social.
Segundo Moraes, Ainda Estou Aqui conseguiu provocar reflexão e emoção no público de uma forma que especialistas na área nem sempre conseguem.
“Esse filme traz a alma brasileira. Impacta a sociedade porque conseguiu, com a linguagem do cinema, fazer o que nós, especialistas no assunto, não conseguimos”, afirmou.
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DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS
Para o advogado e cientista político, a força do filme está na sua capacidade de tornar acessível e impactante a necessidade da defesa dos direitos humanos.
“Os direitos humanos não são clichês, são materializados na vida das pessoas”, ressalta.
“O Brasil juridicamente não consegue responder uma pergunta bem simples, que dona Elzita Santa Cuz, mãe de Fernando Santa Cruz morreu perguntando: onde está meu filho?”, complementou.
De acordo com Moraes, a repercussão do filme pode abrir espaço para que outras histórias do período sejam contadas no cinema, citando casos como o Massacre da Granja São Bento e a morte do Padre Henrique como episódios que poderiam ser levados às telas.
“Imagine a morte de Padre Henrique transformada em filme, com a sensibilidade de um diretor. Como uma pessoa como aquela, que todo mundo testemunhava de ser uma pessoa séria, comprometida, dedicada a Deus, que tinha uma mensagem de paz, amor, afeto, pode ser torturada barbaramente e jogada em um pantanal?”, comentou.
IMPACTANTE
O cientista político também ressaltou que o Brasil já produziu diversos filmes de qualidade sobre o tema, mas poucos conseguiram o impacto de Ainda Estou Aqui.
“Essa conseguiu furar a bolha. Tomara que essa bolha, uma vez rompida, possa fazer com que as pessoas que se comoveram com o filme possam se voltar à literatura, possam rever os filmes, retomar o que já foi feito”, afirmou.
Moraes também destacou a relação entre a produção cinematográfica e o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, destacando fala de Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que inspirou o premiado filme e filho do ex-deputado Rubens Paiva e de Eunice Paiva, retratados no filme por Selton Mello e Fernanda Torres, respectivamente.
“Só existiria esse filme e só conseguiria furar essa bolha graças à Comissão Nacional da Verdade, que vai criando condições para que a gente tenha as informações. Marcelo Rubens Paiva diz que não escreveria o livro se não tivesse acontecido a Comissão Nacional da Verdade”, destacou.
A vitória de Ainda Estou Aqui no Oscar pode ser um marco para que mais produções cinematográficas revisitem esse período e que o debate sobre a ditadura militar no Brasil continue vivo. Como destacou Manoel Moraes, “o cinema tem essa força” e pode ser um poderoso aliado na construção da memória e na luta pela justiça.
O advogado também enfatizou que o fim da Comissão Nacional da Verdade não significou o fim da discussão sobre as violações cometidas durante a ditadura militar. Moraes também lembra que as comissões da verdade não possuem caráter judicante, mas sim de tentar trazer à tona algo que o Estado não desejaria, por ser o acuso de praticar as violações denunciadas.
“As pessoas imaginaram que ali terminou, mas as comissões da verdade, enquanto experiência internacional, são produzidas para levantar o tema, para trazer a necessidade do ‘nunca mais’. Ou seja, nunca mais queremos aqueles atos de violação de direitos humanos que as comissões da verdade trazem à tona”, afirmou.
“As comissões da verdade no mundo inteiro, com exceção da África do Sul, não têm caráter judicante, ou seja, elas não julgam. São comissões que tentam trazer à tona algo que o Estado não quer, porque o Estado foi quem praticou a violação”, complementou.


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