Reunião com Gabriel Galipolo serviu para mostrar equívoco do tribunal em se imiscuir num assunto técnico que não tem competência legal
Fernando Castilho
Publicado em 12/01/2026 às 21:10
| Atualizado em 12/01/2026 às 21:28
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O presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, precisava dar a entrevista que deu ontem (12) em que pronunciou o maior conjunto de platitudes sobre a atuação da corte sobre a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master. Tinha que falar diante do maior número possível de microfones que pudesse atrair.
Na semana passada, escrevendo em nome da presidência do Tribunal de Contas da União (TCU), ele encaminhou uma mensagem aos demais ministros avaliando que a Corte de Contas estaria sob ataque e reforçando que nenhum órgão pode ficar livre do controle externo, de acordo com interlocutores da instituição.
O TCU estava mesmo. Mas em função da decisão intempestiva do mais novo integrante da corte, o ministro Jhonatan de Jesus deu 72 horas para a autarquia justificar o que chamou de “medida extrema” e “precipitada”.
Rego viu nos dias seguintes uma tempestade de autoridades questionando a capacidade do TCU de se imiscuir numa decisão típica do Banco Central.
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Assustado com a tempestade de críticas, Vital do Rego escreveu que o noticiário estava reproduzindo uma única narrativa sobre a atuação da Corte de Contas e disse que o momento exige que o tribunal defenda “suas prerrogativas mais básicas”.” Além dele, ninguém veio a público falar do caso.
Ontem, Vital do Rego, sem a companhia do causador dessa confusão, Jhonatan de Jesus, ou de qualquer diretor do Banco Central, afirmou que o Banco Central concordou com a realização de uma inspeção para analisar a documentação do caso Master visando ter segurança jurídica.
E bradou com a voz firme: “O Tribunal é competente [para fiscalizar o caso Master], quem disse isso agora não foi apenas eu, foi o presidente do Banco Central [Gabriel Galípolo]. A inspeção vai ser feita porque o Banco Central pediu essa inspeção para lhe dar garantias jurídicas, segurança jurídica”, disse.
E resumiu o clima da reunião. “Nós tivemos no Banco Central as portas inteiramente abertas e necessárias para o poder fiscalizatório de segunda ordem do TCU”, finalizou o ministro, reforçando que a autoridade monetária quer o “selo de qualidade” da corte de contas.
Conversa. O Banco Central não tinha apenas o apoio do mercado financeiro, dos ex-presidentes da instituição e de dezenas de juristas unânimes em afirmar que a atuação de Jhonatan de Jesus era completamente intempestiva.
Então, Vital do Rêgo não tinha outra atitude em trabalhar para ao menos salvar a reputação do TCU que Jhonatan de Jesus chamou a atenção de um jeito absurdo.
Tanto que ele não participou da coletiva e se limitou a mandar uma nota onde afirma que “houve alinhamento quanto à competência do TCU para fiscalizar atos do BC, respeitados o sigilo documental e a discricionariedade técnica da autoridade monetária” e que a reunião teve um tom amistoso e cooperativo.
No final, o próprio Vital do Rêgo esclareceu que técnicos da Corte de Contas farão uma visita a diretores do Banco Central ainda nesta terça, 13, para definir os critérios da inspeção nos documentos sobre a liquidação do Master, que vai durar menos de um mês.
Não vão investigar. Não tem o que investigar. O TCU não tinha que se meter nisso e no final o voluntarismo do jovem ministro acabou criando um grande problema para a corte. Vão fazer uma visita e pronto.
Mas sempre é bom lembrar. Esse noticiário acabou distraindo o principal. Quando em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master ela estancava uma grave crise de liquidez e o comprometimento significativo da situação econômico-financeira do banco, além da venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília (BRB), segundo investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF).
A expertise de técnicos do TCU em analisar o que levou o BC a fazer isso passa a quilômetros do pessoal que analisou as atividades criminosas de Daniel Vorcaro. Imagina colocar três ou quatro técnicos dentro de uma sala cofre para examinar milhares de documentos que embasam a liquidação.
Não é função deles. Não tem dinheiro público desviado na operação. Salvo o que 18 fundos compraram de títulos do Master. E que o TCU sim tem a obrigação de investigar quem deu ordem para gastar o dinheiro dos servidores aposentados.
Então, o que cabia a Vital do Rego era tentar salvar a reputação do TCU conforme estavam pressionando seus colegas que já tinham avisado que iriam desmoralizar Jhonatan de Jesus, com alguns deles fazendo isso publicamente.
No fundo, na reunião, o pessoal do BC deu “uma real” em Vital do Rego, deixando clara a preocupação em não criar situações de erro material, como uma quebra de sigilo, que possa provocar alguma anulação do processo em curso. E mostraram o risco para no processo da liquidação espaço para pedidos de indenização dos acionistas do Banco Master – que parece claro ser o objetivo de Daniel Vorcaro.
No final, a conversa de uma hora de Vital do Rêgo e do ministro do TCU Jhonatan de Jesus (relator do caso na Corte de Contas) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, serviu para esfriar o clima.
No fundo, se esquece essa bobagem de Jhonatan de Jesus de se meter nisso, o BC retira o pedido do plenário para se pronunciar e se esquecer do caso.
O que não significa que o ministro do STF, Dias Toffoli, possa manter o assunto na mídia.


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