Valores tradicionais e dança das cadeiras em grifes marcam semanas de moda

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Valores tradicionais e dança das cadeiras em grifes marcam semanas de moda


Sofisticação atemporal pode definir a essência do desfile da Chanel na última Semana de Moda de Paris, que se encerrou na última terça-feira. A grife, que se encontra num grande limbo desde a saída de Virginie Viard de sua direção criativa, em junho, se ancorou nos códigos da marca para criar uma coleção um tanto apática idealizada pela sua equipe de design.

Com um casting democrático, o desfile deixou pele à mostra com fendas em saias e calças, shorts, transparências e tops. Capas esvoaçantes acompanharam vários looks, assim como camisas fininhas compondo camadas, além de saias longas e meio etéreas. Não faltaram peças em seu tweed clássico e outras com plumas e pétalas, que remetiam a uma frase de Gabrielle Coco Chanel, escolhida como fio condutor da coleção.

“As pessoas sempre querem me colocar em gaiolas, gaiolas com almofadas recheadas de promessas, gaiolas douradas, gaiolas que toquei olhando para longe. Nunca quis nenhuma outra que não fosse aquela que eu mesma construiria.”

Viard, que dirigiu a grife por cinco anos, adotou uma abordagem mais discreta que seu antecessor Karl Lagerfeld. A comparação fez dela alvo de críticas, em razão de seus desfiles mais enxutos e das modelagens mais simplistas de suas peças. Agora, com sua saída, a Chanel busca redefinir seu caminho criativo num momento de incerteza econômica e crescimento mais lento no setor.

E é esse o cenário que motiva uma dança das cadeiras de diretores criativos em grandes grifes do mercado de luxo da moda. Outro movimento nesse sentido foi a substituição de Hedi Slimane na Celine. Conhecido por sua estética minimalista e seu talento fotográfico, o estilista consolidou a grife francesa como uma força no mercado de luxo e dobrou suas receitas nos últimos seis anos.

Na quarta-feira passada, no entanto, a marca anunciou sua saída da direção criativa, posto que deve ser assumido pelo designer americano Michael Rider. Na indústria, há rumores de que Slimane substitua Viard na Chanel.

A Celine, aliás, foi uma das ausências sentidas na Semana de Moda de Paris,que aconteceu entre os dias 23 de setembro e 1º de outubro. A marca preferiu lançar sua coleção de verão com um lookbook enquanto o evento acontecia, no último dia 29. O repertório de peças homenageava a cantora francesa Françoise Hardy, morta em junho.

E as substituições não pararam aí. Pierpaolo Piccioli deixou a a direção da Valentino após 25 anos. Em março, ele foi substituído por Alessandro Michele, que ficou famoso por revitalizar a Gucci com sua estética maximalista e ousada. No seu primeiro desfile à frente da maison na Semana de Moda de Paris, ele apresentou a coleção “Pavillon des Folies” —ou pavilhão das loucuras.

A passarela foi tomada por uma conexão entre o passado e o futuro da marca. A estética de brechó, característica de Michele, tomou forma em uma vibrante combinação de cores, texturas e referências históricas. O desfile foi uma viagem no tempo, com influências da belle époque, dos anos 1950 e até do movimento hippie.

Na Gucci, Sabato de Sarno tomou o lugar de Michele. Mais clássico que seu antecessor, Sarno busca suas inspirações no acervo da marca. A partir da referência do horizonte, a coleção de verão da Gucci, na Semana de Moda de Milão, que aconteceu no fim de setembro, mergulhou fundo nas décadas de 1960 e 1970 para mostrar mulheres independentes com produções destinadas ao uso tanto de dia quanto à noite.

Na passarela, os lenços na cabeça acompanhados de óculos gigantes foi um dos combos de styling mais marcantes. Entre os destaques estavam ainda os “trench coats oversized”, que chegavam a se arrastar pelo chão, e calças “baggy”.

Para além das substituições de seus diretores de criação, parece haver uma preocupação das marcas em reafirmar sua tradição e relevância na história da moda, como uma forma de manter e conquistar novos consumidores, num cenário de instabilidade.

Nos anos pós-pandemia, com o fim do isolamento social, o mercado de luxo teve uma alta surpreendente, até 2023. No entanto, hoje parece haver uma diminuição da demanda por moda.

As ações do LVMH, o grupo francês dono de grifes como Louis Vuitton, Fendi e Dior, por exemplo, caíram quase 5%, no total. Ao todo, os lucros da holding com operações recorrentes caíram 8%, para € 10,7 bilhões, no primeiro semestre deste ano.

Com isso, o setor de luxo olha para o futuro com especulação sobre quais diretores criativos conseguirão guiar suas grifes a novos patamares de relevância.

A aposta no tradicional também esteve presente no desfile da Versace em Milão. Segundo a designer à frente da marca, Donatella Versace, a coleção se inspirou no “otimismo e na alegria” e, para isso, fez mais do mesmo. Entre as peças desfiladas, havia saias florais e tops com recortes assimétricos, além da mistura entre cores vivas e tons claros. Os principais tecidos nos looks foram seda e rendas transparentes, realçando a estética dos anos 1990.



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