Apagão que deixou os cubanos na escuridão é o retrato do desinteresse do mundo – inclusive do que apoiam a ditadura do século passado
Publicado em 20/10/2024 às 0:00
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Largada ao próprio destino, sem a cooperação que já teve no passado de países distantes, como a Rússia, ou nem tanto, como a Venezuela, a ilha de Cuba é cada vez mais um lugar difícil para seus habitantes. Os apagões frequentes se juntam ao desabastecimento de vários produtos, e a pobreza nivela por baixo a qualidade de vida que já foi mostrada como um ideal em construção, na direção de uma sociedade menos desigual. Mas o que se vê entre os cubanos é a disseminação da injustiça, com um governo ditatorial no poder, tão indiferente ao sofrimento coletivo quanto lideranças e admiradores que já embarcaram no oportunismo político para defender um regime autoritário – o que acontece até hoje. O povo cubano, infelizmente, está às escuras.
Herdeiro do legado de exceção de Fidel Castro, o presidente Miguel Diaz-Canel promete resolver o desligamento total do sistema elétrico nacional. No entanto, nem um nível mínimo de oferta de energia está disponível para a população. O colapso afeta a vida de todos, afunda ainda mais a economia, e deixa os mais pobres ainda mais vulneráveis, à mercê da violência e da privação de alimentos. Para quem busca descansar do estresse do dia, o calor torna as noites um tormento, sem energia. O presidente Diaz-Canel joga a culpa pelo apagão no bloqueio dos Estados Unidos, como de costume. Utiliza os termos “perseguição financeira” e “perseguição energética” para justificar a penúria que a ilha e seus moradores têm enfrentado nos últimos anos.
Há pelo menos três meses os apagões fazem parte do cotidiano dos cubanos, enquanto o governo autoritário se esforça para explicar ao povo que não tem responsabilidade no que o aflige. Ao se fiar no histórico de confiança da população, e na elasticidade da justificativa de que tudo é função do bloqueio econômico, a ditadura cubana continua se fechando para o mundo – mas antes, se isola de seus próprios cidadãos, negando a participação política e a liberdade de escolha, afastando a democracia do horizonte.
As termelétricas ultrapassadas que fornecem energia aos cubanos não parecem ter capacidade para dar conta da demanda. Sem combustível e sem recursos, o governo não pode sequer apelar para antigos aliados, que demonstram falta de solidariedade ao sofrimento em Cuba. Na perspectiva do embargo, restam poucos motivos além do regime fechado para manter o isolamento da ilha. Uma aproximação chegou a ser negociada quando Obama ocupava a Casa Branca, e chegou a visitar a ilha, mas nada depois evoluiu. O sentido político da manutenção do embargo prolonga a ditadura, ao invés de reduzir sua longevidade. A chamada ruína energética de Cuba é sintomática da falência política que não se restringe à ilha, mas envolve todos os atores que, desde o século passado, transformaram os cubanos em marionetes da disputa ideológica global.




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