A partir de pesquisa do Data Favela, “Humanos” propõe um olhar diferente sobre a criminalidade, focado nas causas e não no fato consumado
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Cada livro pode conter vários pontos de vista sobre algo, ou uma perspectiva diferente da realidade e do que se considera comum. Ou ainda, reforçar o que se tem por consenso ideal, mas distante na prática. Como o de que a criminalidade tem raiz, entre outras raízes potenciais, na aridez em que deveria ter florescido a educação e a dignidade. É desse ponto de vista que Celso Athayde e Marcus Vinícius Athayde estão lançando “Humanos”, com informações coletadas de entrevistas realizadas em 23 estados brasileiros.
Segundo o Instituto Data Favela, na pesquisa “Raio X da vida real”, 60% dos entrevistados vivem com menos de dois salários mínimos e metade tem até 26 anos. O futuro pode ser diferente para a imensa maioria, caso tenham direito a escolher outra direção para as novas gerações: 84% não querem que seus filhos repitam suas trajetórias de vida. E desejariam ter estudado mais e melhor do que estudaram. Para Celso Athayde, a publicação é “um convite para o Brasil parar de olhar apenas para o fato consumado e começar a enxergar as causas que o país insiste em ignorar”.
Entre a criminalidade que oprime e banaliza a vida, e a violência repressora que invade comunidades e também banaliza a humanidade, a pluralidade dos pontos de vista é necessária. Até para se perceber o quanto se repete o mantra da segurança violenta como passo para a paz – sem eficiência, nem sentido, num país marcado pela desigualdade que faz vítimas sociais e econômicas desde o nascimento. “Queremos mostrar que a diferença entre quem vence é quem fica pelo caminho não é uma questão moral, mas de acesso. O livro expõe que a falta de dinheiro e a fome muitas vezes precedem qualquer escolha”, pontua Marcus Vinicius Athayde.
Lançado na última terça no Rio Grande do Sul, “Humanos” será debatido em Luanda, Angola, na próxima sexta, 23. O e-book está disponível nas principais plataformas de livros digitais.
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Mentes brilhantes
Físico e escritor, Marcelo Gleiser organiza conversas com grandes nomes do pensamento na atualidade, em “Mentes brilhantes não pensam igual”, publicação da Record com tradução de Alexandre Cherman. Participam, entre outros, António Damásio, David Chalmers, Elizabeth Kolbert, Siddhartha Mukherjee, Rebecca Goldstein e Mark O’Connell. “Precisamos de uma nova maneira de pensar sobre nossa conexão com a tecnologia, com o mercado, com o meio ambiente, que depende de como vemos a relação entre as ciências e as humanidades”, afirma Gleiser.

Monica e Julia comandam podcast – Dani Dacorso
Um oceano delas
As jornalistas Monica Ramalho e Julia Casotti apresentam a segunda temporada do podcast “Um Oceano Delas”, dedicado à literatura feita por mulheres, com estreia nesta quinta, 22, logo depois do Dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro. Coincidência simbólica: o episódio de abertura revisita a memória de autoras como Jane Catulle Mendès, Júlia Lopes de Almeida e Gilka Machado, que ajudaram a escrever a cidade na virada do século XIX para o XX. Participam a pesquisadora Anna Faedrich, especialista na obra de Júlia Lopes de Almeida, e a jornalista Jamyle Rkain, organizadora da recém-lançada antologia com a poesia completa de Gilka Machado. O episódio dialoga ainda com o encerramento do título de Rio Capital Mundial do Livro, e reforça a importância de manter vivas as vozes femininas que ajudaram a narrar a cidade. “Um Oceano Delas” tem periodicidade quinzenal e vem acompanhado por uma newsletter — ambos gratuitos, disponíveis no Spotify e no Substack.

Fabiane Secches estreia como romancista – Camila Svenson
Ilhas suspensas
A psicanalista, tradutora e pesquisadora Fabiane Secches faz sua estreia como romancista em “Ilhas suspensas”, publicado pela Companhia das Letras, que chega às livrarias em fevereiro. Para Daniel Galera, “com uma voz narrativa que combina ficção e ensaio, ternura e lucidez, este belo romance de Fabiane Secches nos convida a encarar os impasses da vida contemporânea de olhos bem abertos, ávidos por enredamentos possíveis”.
Flipatos
Minas Gerais ganha mais um evento literário em 2026. Vem aí o primeiro Festival Literário Internacional de Patos de Minas – Flipatos – programado para agosto deste ano. O tema será “A oralidade como ferramenta da tradição”. Durante seis dias, haverá atividades como feira de livros, debates com escritores, contações de histórias, oficinas e apresentações artísticas.
Anne Frank no Flipoços
Mais de Minas: o Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços – que acontece de 25 de abril a 3 de maio, terá debate sobre o Diário de Anne Frank e sua importância “como literatura, como documento histórico e como alerta permanente”. O tema do evento em 2026 vem a ser “Cartas e diários na literatura – O intimismo das palavras”. Siga @flipocos no Instagram e saiba mais.

Valéria Macedo publicou pela Patuá – Divulgação
Escrever talvez seja isso
Na vertiginosa rolagem de informações das redes sociais, textos podem convidar a uma leitura mais lenta, ali mesmo, no tráfego das imagens velocíssimas. Como a postagem de Valéria Macedo, autora do romance “A falta que ela faz”, publicado pela Patuá. Escrever talvez seja isso:
“Passei horas e horas escrevendo esta semana.
Escolhendo palavras.
Plantando silêncios.
Escondendo pistas.
Humanizando personagens.
Transformando gestos em linguagem.
E desenhando imagens para quem um dia chegar ao texto.
Escrever é trabalhoso.
E é bonito.
São camadas sobre camadas.
E, mesmo sendo ficção, o que mais me impressiona é o quanto algo em mim se move.
A escrita me obriga a olhar para tudo o que carrego comigo e questionar.
Talvez escrever seja isso:
tocar, por instantes, aquilo em nós mesmos que ainda não sabemos nomear”.
Para não esquecer LFV
Em uma de suas crônicas inesquecíveis, Luís Fernando Veríssimo: “A escrita deve ter nascido da necessidade de não esquecer. O primeiro pré-homem que pensou “Preciso me lembrar disto” deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era. Era um lápis e um pedaço de papel”. Adiante, no mesmo texto: “A história da civilização teria sido outra se, antes de inventar a roda, o homem tivesse inventado o bloco de notas”.


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