Ao distorcer fatos e oferecer alternativas falsas, discursos pseudocientíficos colocam vidas em perigo, desviando diagnósticos e tratamentos eficazes
Publicado em 17/11/2024 às 17:02
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Entrevista
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respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
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Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.

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“Querem matar você!” pode soar como uma frase sensacionalista, mas, infelizmente, reflete uma realidade alarmante.
Recentemente, dois médicos ganharam notoriedade nas redes sociais ao negarem a existência do câncer de mama — justamente no Outubro Rosa, mês de conscientização sobre a doença que afeta milhares de mulheres todos os anos.
Enquanto um ignora completamente a realidade do câncer, o outro promove tratamentos alternativos sem respaldo científico, gerando confusão e desinformação. Esses casos são exemplos de como a pseudociência, ao se disfarçar de orientação médica, põe a saúde pública em risco.
Ao distorcer fatos e oferecer alternativas falsas, esses discursos pseudocientíficos potencialmente colocam vidas em perigo, desviando pacientes de diagnósticos e tratamentos eficazes.
Vivemos em um período singular na história humana, marcado pelo advento da internet e das redes sociais. Diariamente, somos bombardeados por uma avalanche de informações, fenômeno que se convencionou chamar de “infodemia”.
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O desafio é que, em meio a essa quantidade massiva de dados, distinguir o conhecimento confiável é uma tarefa cada vez mais complexa.
Informações falsas e pseudocientíficas, seja por autoengano ou por interesses pessoais, corroem o tecido social e criam barreiras para o desenvolvimento de uma sociedade mais informada e crítica.
A diferença fundamental entre informações falsas e pseudocientíficas é que estas últimas tentam se legitimar usando “sinais da ciência” — termos técnicos, credenciais profissionais — para parecerem confiáveis.
Essa imitação da ciência gera credibilidade, uma vez que a ciência busca justamente produzir conhecimento confiável.
Embora tenhamos evoluído com um mecanismo para avaliar a confiabilidade das informações, conhecido como vigilância epistêmica, ele não é infalível, pois coexistem outros mecanismos que podem afetar nossos julgamentos — os chamados vieses cognitivos.
Um exemplo é o viés de confirmação, pelo qual tendemos a dar mais credibilidade a informações que concordam com nossas crenças pessoais. Esse viés, por exemplo, ajuda a explicar a rápida disseminação de ideias conspiratórias em nossa sociedade.
Às vezes é realmente difícil identificar notícias falsas, e estudos mostram que até mesmo pessoas bem-informadas e instruídas podem cair em armadilhas pseudocientíficas.
No entanto, algumas pistas podem nos ajudar:
- (1) Muitas mensagens pseudocientíficas apelam para o discurso de “você está sendo enganado”, sugerindo que a ciência estaria escondendo a cura para uma doença e que uma solução simples, embora bloqueada pela indústria farmacêutica, estaria ao alcance de todos;
- (2) Essas mensagens raramente apresentam provas de suas afirmações. Recentemente, ouvi em um podcast alguém afirmar que o útero de uma mulher “absorve o material genético de todos os seus parceiros” e que seria “um portal” — talvez para outra dimensão;
- (3) Elas também costumam apelar para um falso sentimento de justiça, tentando envolver o público em uma luta contra uma suposta opressão da ciência ou de supostas forças ocultas.
Para o bem da sociedade e da nossa saúde, é essencial que desconfiemos das soluções milagrosas.
Especialmente em temas delicados, como o câncer de mama, devemos agir com responsabilidade ao consumir e compartilhar informações.
Ao fazermos isso, contribuímos para um ambiente de informação mais seguro e evitamos que discursos pseudocientíficos coloquem em risco a saúde e o bem-estar coletivo.
Ulysses Paulino de Albuquerque, professor titular do Centro de Biociências da UFPE e membro da Academia Pernambucana de Ciências
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