De acordo com o jornal britânico, países da União Europeia pretendem adotar tarifas aos ou restringir acesso de empresas americanas ao bloco
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Os países da União Europeia estão estudando impor tarifas de 93 bilhões de euros aos Estados Unidos ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco, em resposta às ameaças de Donald Trump aos aliados da Otan que se opõem à sua campanha para anexar a Groenlândia. A informação foi publicada neste domingo, 18, pelo jornal britânico Financial Times.
No sábado, 17, Trump anunciou a imposição de tarifas progressivas sobre mercadorias de oito países europeus como forma de pressionar um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. As tarifas começam em 10% a partir de 1.º de fevereiro de 2026 e sobem para 25% em 1º de junho, caso não haja avanço nas negociações.
Em uma longa declaração publicada nas redes sociais, Trump afirmou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia foram subsidiados pelos Estados Unidos ao longo de décadas por meio de isenções tarifárias e outras formas de apoio econômico. “Agora, após séculos, é hora de a Dinamarca retribuir. A paz mundial está em jogo”, escreveu.
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A medida representa a crise mais grave nas relações transatlânticas em décadas. Neste domingo, embaixadores dos 27 países-membros da União Europeia se reuniram no Chipre para discutir medidas contra o que consideraram uma ameaça do presidente americano.
Defesa da soberania
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, reforçou, em postagem nas redes sociais, o compromisso em defender a soberania de Groenlândia e Dinamarca, em meio à pressão de Trump.
Em publicação no X, Von der Leyen disse ter conversado com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o presidente da França, Emmanuel Macron, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e os primeiros-ministros de Reino Unido, Keir Starmer, e Itália, Giorgia Meloni.
“Juntos, reafirmamos nosso compromisso de defender a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca”, escreveu Von der Leyen.
A chefe do principal órgão executivo da União Europeia assegurou ainda a intenção de sempre “proteger” os interesses estratégicos e de segurança do bloco. “Enfrentaremos esses desafios à nossa solidariedade europeia com firmeza e determinação”, prometeu, sem citar Trump nominalmente.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, por sua vez, informou ter convocado uma reunião extraordinária de líderes do bloco “nos próximos dias”, para discutir as recentes tensões transatlânticas.
Em comunicado, Costa disse que, em consultas recentes com os países da região, a UE confirmou o “forte compromisso” com os princípios da lei internacional, integridade territorial e soberania nacional. Também reiterou apoio à Dinamarca e a Groenlândia, além de reconhecer o interesse compartilhado pela paz e segurança no Ártico.
Os europeus definiram ainda, disse, que tarifas minariam as relações com os americanos e violam os termos do acordo comercial entre EUA e UE. Segundo Costa, o bloco está pronto para se defender de qualquer forma de coerção e se engajar “construtivamente” com os EUA para o interesse comum.

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