Presidente dos EUA afirmou que líderes iranianos foram incapazes de escapar da inteligência e de “sofisticados sistemas de rastreio” norte-americanos
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governo de Israel disseram neste sábado (28) que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante os ataques norte-americanos e de Israel contra o país. “Khamenei, uma das pessoas mais malignas da história, está morto”, escreveu o presidente dos EUA, na sua conta na rede Truth Social.
Trump afirmou que Khamenei e outros líderes iranianos foram incapazes de escapar da inteligência e de “sofisticados sistemas de rastreio” norte-americanos. Na noite do sábado, horas após o anúncio por parte do presidente dos EUA e das forças israelenses, a mídia estatal iraniana confirmou oficialmente a morte do aiatolá.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter eliminado sete integrantes de alto escalão da estrutura militar e de segurança do Irã na operação conduzida em cooperação com as Forças Armadas dos Estados Unidos. Os detalhes foram apresentados pelo porta-voz internacional das forças israelenses, tenente-coronel Nadav Shoshani, em vídeo divulgado no X.
Segundo ele, a ofensiva teve como alvo “reuniões de alto nível de figuras seniores da liderança militar e de segurança do Irã”, a partir do que classificou como “uma oportunidade operacional” para realizar ataques coordenados. De acordo com o material divulgado pelas forças israelenses, entre os mortos estão Aziz Nasirzadeh, ministro da Defesa do Irã; Mohammad Shirazi, que chefiou por quase 40 anos o gabinete militar do líder supremo Ali Khamenei; Ali Shamkhani, assessor de Khamenei para assuntos de Defesa e secretário do Conselho de Defesa; Mohammad Pakpour, comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica; Hossein Jebeli Ameli, apontado como presidente da Organização de Pesquisa e Inovação em Defesa (SPND na sigla em inglês); Fereydoun Abbasi, ex-presidente da mesma organização; e o chefe de inteligência do Comando Khatam al-Anbiya, o principal quartel-general operacional das Forças Armadas do Irã.
“Isso é justiça não apenas para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para os povos de vários países ao redor do mundo que foram mortos ou mutilados por Khamenei e pela sua gangue de bandidos sanguinolentos”, disse Trump.
Segundo o presidente norte-americano, membros da Guarda Revolucionária, das forças armadas iranianas e de outras forças de segurança do país têm desistido de lutar e procurado os Estados Unidos em busca de imunidade, após os ataques deste sábado.
Trump disse esperar que a Guarda Revolucionária e a polícia se juntem aos “patriotas iranianos”, e que eles possam trabalhar juntos para restaurar o país.
Ele afirmou que esse processo deve começar em breve, após o Irã ter sido “obliterado.”
“Os bombardeios pesados e de precisão, no entanto, continuarão, sem interrupção, ao longo da semana ou pelo tempo que for necessário para atingir o nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, NA VERDADE, NO MUNDO!”, escreveu o norte-americano.
Em pronunciamento mais cedo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o conflito no Oriente Médio continuará e que “esta guerra levará à verdadeira paz”. Ele também enviou uma mensagem aos iranianos, dizendo que em breve chegará a hora de irem às ruas em massa para concluírem a tarefa de “derrubar o regime de horrores que está tornando suas vidas miseráveis”.
EUA e Israel querem mudança de regime
Doutor em Ciência Política na área de concentração de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Augusto Wagner Menezes afirma que a morte do aiatolá pode produzir impactos negativos para a sobrevivência do regime, que é o grande objetivo dos Estados Unidos e de Israel.
“Essa decapitação da liderança política e militar iraniana tem um efeito muito perverso para o regime, porque apesar de existir linha sucessória em todos os ramos, a qualidade da liderança pode cair, tal como elemento de prestígio e controle da burocracia”, disse, em entrevista à Rádio Jornal.
O especialista avalia ainda que a ofensiva deste sábado ainda vai gerar grandes repercussões.
“O Irã é um dos países mais importantes do Oriente Médio, no que concebe, primeiro, a poder militar, especialmente no campo de mísseis. Segundo, por possuir, apesar de fragilizada, uma importante rede de atores insurgentes terroristas em todo o Oriente Médio. E terceiro, não por último, por ser um grande antagonista não apenas dos Estados Unidos, mas de Israel. Então essa guerra, lembrando que no ano passado tivemos uma guerra de 12 dias, ela é profundamente importante na tentativa de remodelação do Oriente Médio. Por isso, temos que ficar muito atentos para além do preço do barril de petróleo”, destacou.
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