O número de trabalhadores por aplicativos de transporte e entrega no Brasil cresceu 170% nos últimos 10 anos, saltando de 770 mil para 2,1 milhões de pessoas. Uma nova análise divulgada nesta quinta-feira (25) pelo Banco Central (BC) conclui que o fenômeno teve um impacto positivo nos indicadores gerais de emprego.
Segundo o BC, o crescimento extraordinário do trabalho por plataformas “representa uma mudança estrutural no mercado de trabalho” que ajudou a reduzir a taxa de desemprego. Uma simulação do banco aponta que, sem esses postos de trabalho, a taxa de desemprego no país poderia ser até 1,2 ponto percentual maior.
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O outro lado: a precarização
Apesar da melhora nos índices de ocupação, outros estudos apontam para a precarização das condições de trabalho. Um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra uma realidade dura para motoristas e entregadores:
- Renda em queda: O rendimento médio de um motorista autônomo de passageiros, que era de R$ 3,1 mil entre 2012-2015, caiu para menos de R$ 2,4 mil em 2022.
- Jornadas mais longas: A proporção de motoristas trabalhando entre 49 e 60 horas semanais aumentou.
- Menos proteção social: O percentual de motoristas que contribuíam para a previdência despencou de 47,8% em 2015 para 24,8% em 2022.
Na mesma linha, um relatório do Fairwork Brasil concluiu que nenhuma das principais plataformas que operam no país conseguiu comprovar o cumprimento de padrões mínimos de trabalho decente.
A análise dos diferentes estudos pinta um retrato complexo da “uberização” da economia: ao mesmo tempo em que absorve mão de obra e melhora os indicadores de desemprego, ela também aprofunda os desafios relacionados à renda, jornada e direitos trabalhistas no Brasil.
(Com informações da Agência Brasil).
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