‘The White Lotus’: 3ª temporada ‘é fraca, arrastada e tem muito menos ironia’, diz crítica da BBC

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‘The White Lotus’: 3ª temporada ‘é fraca, arrastada e tem muito menos ironia’, diz crítica da BBC


Preste atenção à sequência de créditos de abertura da terceira temporada da série “The White Lotus“, ambientada em um resort de luxo na ilha de Koh Samui, na Tailândia.

A câmera passeia sobre desenhos coloridos que ilustram o cenário e a cultura centenária do local. Mas as imagens dos santuários budistas e elefantes em meio à vegetação florida logo dão lugar a macacos furiosos e náufragos sendo devorados por criaturas marinhas.

Este padrão sinistro reflete o roteiro de todas as temporadas de “The White Lotus”.

Mas, ao contrário da abertura e das duas versões anteriores, o restante desta temporada muito arrastada não chega ao ápice com a rapidez ou a intensidade necessárias. Nenhuma série deveria ter um ritmo tão lento, a ponto de só começar a decolar na metade da temporada.

A produção ainda conta com a marca do seu diretor e roteirista Mike White. E, ocasionalmente, com sua iconoclastia e inventividade. Porém, desta vez, o resultado parece fraco, arrastado e com muito menos ironia.

Provocações ‘vazias’

Como nos anos anteriores, a terceira temporada começa com um cadáver não identificado, depois que uma sessão de meditação com a chamada “mentora de saúde” do resort é interrompida pelo som de tiros.

É o fim da calma espiritual do Oriente que os ricos turistas ocidentais talvez esperassem vivenciar durante a viagem. A história, então, volta para uma semana antes, com a chegada dos hóspedes.

A série sempre traz críticas aos ultrarricos enquanto se encaminha para o assassinato. Por isso, faz sentido que os personagens mais interessantes sejam um rico consultor financeiro e sua família, mas as provocações sobre seus privilégios são vazias.

Tim Ratliff enfrenta sérios e previsíveis problemas no seu trabalho, mas o ator Jason Isaacs interpreta o desespero do personagem de forma urgente e visceral.

Sua esposa Victoria, papel de Parker Posey, é uma personagem de uma nota só, sempre sob o efeito da sua medicação contra a ansiedade.

Mas o inteligente elenco formado por Mike White faz com que a nova temporada seja melhor do que sugere a história. Os filhos de Ratliff, por exemplo, são muito bem interpretados.

A filha do meio, a séria Piper, personagem de Sarah Catherine Hook, fez a família viajar para a Tailândia, para poder pesquisar para sua monografia para a faculdade, sobre o budismo. Aliás, este é um dos poucos pontos do roteiro que, realmente, têm a ver com a Tailândia.

O filho mais velho, Saxon, é um idiota de boa aparência, obcecado por sexo. Patrick Schwarzenegger realmente transmite as características deste sujeito cujo hedonismo se volta contra ele. E Sam Nivola interpreta o filho mais jovem, o tímido Lochlan, estudante do ensino médio.

Se você tiver a inquietante sensação de que as fronteiras sexuais desta família são vagas demais, confie nos seus instintos.

Mike White oferece uma virada chocante, que comprova que o diretor não perdeu totalmente o rumo, nem sua disposição de examinar um pouco a psicologia sombria dos seus personagens.

A escolha dos atores para interpretar os irmãos Ratliff pode parecer motivada pelo nepotismo. Afinal, Patrick é filho de Arnold Schwarzenegger e Maria Shriver, enquanto os pais de Sam são Alessandro Nivola e Emily Mortimer.

Mas os dois atores são totalmente naturais e convincentes. Eles justificam a escolha por seus próprios méritos.

Em outra escolha inteligente e inesperada, Walton Goggins, da série Fallout, de 2024, interpreta o enigmático Rick. Suas camisas berrantes e aparência desgrenhada o deixam deslocado no resort. Ele parece ser uma espécie de vigarista que explora sua namorada mais jovem, vivida por Aimee Lou Wood.

Mas o momento em que Goggins deixa de lado seus sorrisos extravagantes e revela seus motivos ocultos chega a ser comovente, se você conseguir acreditar naquela história.

Natasha Rothwell retorna como Belinda, a gerente do spa em Maui, no Havaí, da primeira temporada, lançada em 2021. Agora, ela está na Tailândia em um estágio profissional no setor de bem-estar.

Rothwell sempre faz com que sua personagem seja tocante, com um doce sorriso reservado que indica como ela tem poucas expectativas sobre sua vida. Aqui, ela é usada principalmente como mecanismo de enredo, mas o roteiro em si é inteligente e repleto de referências às temporadas anteriores. Seria spoiler revelar mais detalhes.

A parte mais fraca do enredo, de longe, envolve três amigas de longa data, em uma viagem só de mulheres.

As personagens de Carrie Coon, Michelle Monaghan e Leslie Bibb são incrivelmente clichês. Suas histórias incluem ciúmes, fofocas e uma aventura amorosa de férias.

Logo no início, Coon engole um taça de vinho inteira, em um tipo de cena que normalmente precede assédios e insinuações dos personagens. Esta sequência pretende ser a mais engraçada de todas, mas parece simplesmente anacrônica.

Com tantas possibilidades, é decepcionante que a série não faça bom uso da sua ambientação. Ela inclui apenas cortes para imagens de macacos ou estátuas de macacos, aqui e ali.

Mesmo com todas as diferenças de classes e culturas incluídas no roteiro, os personagens tailandeses são marginais e superficiais.

Lalisa Manoban —mais conhecida como Lisa, do grupo de K-pop Blackpink—interpreta Mook, funcionária do setor de bem-estar que pouco tem a fazer, a não ser sorrir e flertar com o segurança na entrada do resort.

Alguns temas importantes vêm à tona, à medida que se desenrolam os oito episódios da temporada— especialmente quando Piper visita um monastério budista. Mas, no final do sexto episódio —o último enviado para os críticos de TV—, a terceira temporada ainda é apenas um eco das duas anteriores.

Já foi confirmada a quarta temporada de “The White Lotus”. A série terá então a oportunidade de se corrigir, talvez não na Tailândia.

“The White Lotus” está disponível no Brasil no Max e na Prime Video. A terceira temporada tem estreia marcada para 16 de fevereiro.

Este texto está disponível originalmente aqui.



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