A nota explicita que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República devem atuar de forma sinérgica, porém respeitando suas respectivas esferas
JC
Publicado em 22/01/2026 às 21:18
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A Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu uma nota oficial para reforçar a estabilidade institucional brasileira frente a investigações que envolvem o sistema financeiro. O documento destaca que a preservação da ordem econômica depende do estrito cumprimento das normas constitucionais e da atuação técnica das autoridades competentes, rechaçando qualquer tentativa de politização de processos judiciais ou administrativos.
No centro do posicionamento está a defesa da autonomia do Banco Central do Brasil. A Corte sublinha que a instituição possui competências técnicas indispensáveis para a prevenção de riscos sistêmicos, sendo a principal barreira contra crises que possam afetar a poupança popular e a higidez do mercado. Segundo o comunicado, as decisões da autoridade monetária devem ser pautadas por critérios estritamente técnicos, garantindo que o Estado brasileiro mantenha sua credibilidade perante os investidores e a sociedade civil.
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O texto também detalha a importância da harmonia entre os órgãos de controle. A nota explicita que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República devem atuar de forma sinérgica, porém respeitando suas respectivas esferas de atuação. Enquanto a Polícia Federal foca na colheita de evidências e no desmembramento de esquemas complexos de crimes financeiros, a PGR atua como o filtro da legalidade, garantindo que a pretensão punitiva do Estado não ultrapasse as garantias individuais previstas na Carta Magna de 1988.
O Supremo como garantidor da ordem
Por fim, a Presidência do STF reiterou que o tribunal permanece vigilante na proteção do devido processo legal. A mensagem busca ser um lembrete de que, mesmo em períodos de recesso ou em face de casos de grande repercussão, o Poder Judiciário mantém sua estrutura de plantão para assegurar que medidas urgentes sejam analisadas com a rapidez necessária. A nota encerra reafirmando que a democracia brasileira dispõe de mecanismos sólidos para investigar eventuais irregularidades sem comprometer o funcionamento das instituições ou a segurança jurídica do país.
LEIA A NOTA OFICIAL DA PRESIDÊNCIA DO STF
Adversidades não suspendem o Direito. É precisamente nos momentos de tribulações que o império da legalidade, discernimento e serenidade demonstra sua razão de ser. É com os olhos voltados para esse dever que miro fatos presentes.
As situações com impactos diretos sobre o sistema financeiro nacional exigem mesmo resposta firme, coordenada e estritamente constitucional das instituições competentes.
A Constituição da República atribui ao Banco Central do Brasil o dever jurídico de assegurar a estabilidade do sistema financeiro, a continuidade das operações bancárias essenciais, a proteção dos depositantes e a prevenção de riscos sistêmicos. Tais competências, de natureza técnica e indelegável, devem ser exercidas com plena autonomia e sem ingerências indevidas.
A atuação da Polícia Federal é igualmente indispensável, sobretudo na apuração de eventuais práticas criminosas de gestão temerária, fraude financeira, manipulação de informações, lavagem de dinheiro e outros ilícitos previstos na legislação penal e financeira.
Cabe à Procuradoria-Geral da República, no âmbito de suas atribuições constitucionais, promover a persecução penal e controlar a legalidade das investigações. O Ministério Público, como instituição permanente, exerce papel fundamental na tutela da ordem econômica e do regime jurídico de defesa dos consumidores
A seu turno, a Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório, e pela ampla defesa, cumprindo respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, porém, atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo Ministro relator, DIAS TOFFOLI.
No tocante ao Supremo Tribunal Federal, registro que o Tribunal Pleno se encontra atualmente em recesso. Nesse período, matérias urgentes são apreciadas pela Presidência ou pelo Relator, nos termos regimentais. Encontra-se regularmente no exercício da Presidência o Ministro Alexandre de Moraes, Vice-Presidente desta Corte. As matérias de competência do Tribunal Pleno ou das Turmas, quando decididas no recesso, serão, oportunamente, submetidas à deliberação colegiada, com observância do devido processo constitucional, da segurança jurídica e da uniformidade decisória. A colegialidade é método.
É legítimo o exercício regular da jurisdição por parte dos membros do Tribunal no período do recesso, sem exceção. Eventuais vícios ou irregularidades alegados serão examinados nos termos regimentais e processuais. Questões tais têm rito próprio e serão apreciadas pelo colegiado com a seriedade que merecem. A Presidência não antecipa juízos, mas tampouco se furta a conduzi-los.
É induvidoso que todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte Constitucional; nada obstante, é preciso afirmar com clareza: o Supremo Tribunal Federal não se curva a ameaças ou intimidações. Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito. O Supremo age por mandato constitucional, e nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode revogar esse papel. Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e evitar que a força bruta substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo necessária. Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça.
O Supremo fez muito no Brasil em defesa do Estado de direito democrático; fará ainda mais. Sim, todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, isso sempre, mas jamais destruídas. Quem almeja substituir a ousada pedagogia da prudência pelo irresponsável primitivismo da pancada errou de endereço.
Transparência, ética, credibilidade e respeitabilidade faz bem ao Estado de direito. Este deve ser compromisso de todos nós democratas.
Brasília, 22 de janeiro de 2026.
Luiz Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal


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