Como num samba que dita o compasso no centro da roda, os DJs da Submundo 808 assumem o protagonismo como num teatro de arena onde todo tipo de música eletrônica periférica é tocada, mas o funk reina absoluto. Na gelada noite do último sábado (9), o calor que saía das picapes esquentavam a pista da Campinas Hall, casa noturna que carrega o nome da cidade, anunciando mais uma edição dessa festa que a geração Z já consagra como a melhor de funk no Brasil.
O cenário ajuda a explicar o fenômeno: telões inspirados em placares de ginásio de basquete, musicas autorais que viralizaram nas redes, faixas com palavras de ordem como “funk não é crime” e uma curadoria que conecta DJs do norte ao sul do país. Foi essa fórmula que credenciou a Submundo a sediar pela primeira vez no Brasil o campeonato de batalhas de DJs Red Bull Turn It Up. No formato, seis DJs duelam como se estivessem em uma batalha de rap: recebem um tema, têm três minutos para desenvolver sua narrativa sonora e, ao final, o campeão é escolhido pelo grito mais forte do público.
A história da Submundo 808 começou em 2023, fruto da 808 Produções, e celebrou dois anos em maio de 2025 com uma edição especial que teve mais de 13 mil pessoas. Por nascer em Campinas, construiu uma base de público fiel e próxima, formada por quem não apenas frequentava cada evento, mas também ajudava a consolidar a estética única do espaço: um mezanino que abraça a pista e cria a sensação de arena. Essa identidade visual e afetiva se multiplicou nos meios digitais, impulsionando o crescimento da festa e gerando um sentimento de pertencimento que move caravanas de outros estados até Campinas.
O coletivo é formado por sete amigos criados nas periferias de Campinas, em sua maioria pretos, todos apaixonados pela cultura periférica e pela música: Vinícius Mariano, Petersson William (Pety), DJ Tresk (André Miquelotti), DJ Clei (Cleison Arcanjo), DJs Kenan e Kel, e Jorge Assis. Desde a primeira edição, a curadoria equilibra nomes consagrados e artistas locais ou em ascensão, todos dividindo o mesmo palco e o mesmo status, em proximidade direta com o público.
A festa realiza edições também na capital paulista, mas cada uma com suas particularidades. “Comparado a Campinas, em São Paulo o público chega a ser até três vezes maior por edição”, comenta Vinícius de Melo Mariano, 33 anos, um dos sete sócios. “Na capital, há muito mais opções de eventos, o que exige de nós um trabalho constante para manter essência, conexão e identidade em meio a milhares de pessoas diferentes.”
Esse posicionamento vai contra a lógica de muitos eventos como esse, onde o DJ é apenas um “preenchedor” de horários. Na Submundo, ele é o centro, especialmente quando representa a cena do funk, mas com liberdade para transitar por outros gêneros. “Sempre pensamos cada detalhe para que o público viva a festa de dentro, não como espectador. Queremos criar um ambiente onde as pessoas possam ser e se expressar, unindo moda, cultura, comunidade, arte e sentimento”, reforça Vinícius.
Hoje, a 808 Produções administra não só a Submundo 808, mas também outros três projetos não tão glamourosos como a festa, mas que tem também seu brilho na noite campinense, além de um selo de música. A vitória da DJ Pétala, filha de Campinas, no torneio de DJs, ecoa como um feito que reafirma o vínculo da festa com suas raízes. Fiel à filosofia original, a Submundo mantém uma regra inegociável: nada de open bar, camarotes ou áreas VIP. Na pista, todos dividem o mesmo chão, exceto quem atua na produção. Democrática, intensa e coletiva —como o funk que dita cada batida.
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