A Associação dos Músicos Instrumentistas do Theatro Municipal de São Paulo divulgou nesta sexta-feira uma nota acusando o diretor de gestão da Fundação Theatro Municipal, Dalmo Magno Defensor, de conflito de interesses. Segundo o texto, Defensor já ocupou cargo de diretoria na Sustenidos, atual gestora do teatro, e hoje fiscaliza tanto o contrato de gestão em rescisão quanto a licitação para escolher a nova administradora do espaço. A nota também foi republicada pelo Coro Lírico do Theatro em sua página nas redes sociais.
Em paralelo, o Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado de São Paulo (Sindmussp) divulgou, também nesta sexta, uma carta em apoio aos artistas do Theatro Municipal e na qual critica a escolha de Defensor.
Procurada, a Sustenidos, que gere o complexo Fundação Theatro Municipal, afirma em nota que Defensor foi diretor administrativo e financeiro na organização social entre 2013 e 2016, e que só passou a exercer suas funções na fundação após quase uma década de sua saída da empresa. Segundo a nota, não haveria impedimentos legais para isso, “já que foi ultrapassada qualquer exigência de quarentena”.
“A sugestão de existência de conflito não passa de uma falácia criada apenas para atentar contra a boa imagem e o excelente trabalho realizada pela Sustenidos à frente do Theatro Municipal”, afirma a Sustenidos.
Na semana passada, o prefeito Ricardo Nunes pediu a rescisão do contrato da administradora com o teatro. Isto aconteceu após um funcionário da Sustenidos ter comemorado o assassinato do influenciador trumpista Charles Kirk. Nas redes sociais, Pedro Guida, diretor de elenco do Municipal, republicou um vídeo de um influenciador americano que afirmava que Kirk era nazista.
O imbróglio parece expor uma guerra ideológica que foi conflagrada, nos últimos quatro anos, num dos palcos mais importantes do país. De um lado, a Sustenidos teve sua direção artística orientada por pautas ligadas à esquerda, envolvendo a busca por mais diversidade e a desconstrução da ópera, da música clássica e da dança contemporânea.
Do outro, vereadores conservadores, aliados a Nunes, se posicionaram contra a administradora, por uma suposta doutrinação ideológica no teatro. Uma versão preliminar do edital para a escolha de uma nova gestora para o Theatro Municipal foi publicada dia 22 de setembro e está agora em consulta pública.
Nas mesmas notas divulgadas nesta sexta, os sindicatos de músicos acusam a Sustenidos de inconsistência na prestação de contas com a prefeitura e afirmam que isso pode causar danos e sucatear os corpos artísticos da cidade —a Orquestra Sinfônica Municipal, o Quarteto de Cordas, o Coro Lírico, o Coral Paulistano e o Balé da Cidade.
Já o Sindmussp diz que os artistas não endossam a assinatura de um abaixo-assinado em defesa da atual gestora, que já soma mais de 10 mil apoios.
A Sustenidos diz que a prefeitura realizou uma auditoria na sua gestão do Theatro Municipal e concluiu que os “recursos públicos chegaram ao seu destino corretamente” e que a administradora prestou todas as contas.
Um relatório do Tribunal de Contas do Município, divulgado no final do ano passado, apontou que a maioria das metas da gestora com a prefeitura foi cumprida —das 179 estabelecidas no contrato de quatro anos atrás, 166 foram entregues plenamente, segundo a Sustenidos.
“O relatório não apontou nenhuma falha relevante na execução do contrato. A gestão da Sustenidos, vista no contexto, é extremamente exitosa”, afirma a gestora.

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