Pesquisas qualitativas indicam mudança no humor do eleitor, impulsionada pela expectativa de que projetos se transformem em símbolos da gestão.
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A eleição de 2026 em Pernambuco começa a ganhar contornos mais definidos não apenas pelos números frios das pesquisas quantitativas, mas pela leitura mais sutil do humor do eleitor.
Embora o prefeito do Recife, João Campos (PSB), termine o ano de 2025 liderando levantamentos de intenção de voto, há um movimento perceptível de recuperação política da governadora Raquel Lyra (PSD), captado por pesquisas qualitativas que acompanham sentimentos, percepções e expectativas da população em relação à gestão estadual.
Esse tipo de termômetro não aponta vencedores antecipados, mas costuma sinalizar tendências antes que elas apareçam nos percentuais. E é exatamente isso que tem chamado atenção.
Mudança de percepção
A trajetória recente da imagem do governo Raquel Lyra ajuda a explicar essa inflexão. De acordo com análises qualitativas conduzidas por cientistas políticos como o professor Adriano Oliveira, em entrevista ao Passando a Limpo, a percepção popular passou por fases sucessivas desde o início da gestão.
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O primeiro momento foi marcado pela “frustração”, quando parte do eleitorado não identificava as mudanças prometidas. Em seguida, emergiu a compreensão de que o tempo de governo “ainda era insuficiente” para enfrentar problemas estruturais históricos do estado.
Agora, o sentimento predominante é o de que a governadora está “trabalhando”, com ações em andamento e esforço visível para apresentar resultados.
Expectativa de entrega
Essa sequência cria uma expectativa clara no eleitor e antecipa o que vem depois: a “entrega”.
Após reconhecer o trabalho em curso, a cobrança natural passa a ser pela solução concreta. É nesse ponto que governos costumam consolidar ou perder capital político.
A percepção de esforço sustenta a paciência por algum tempo, mas ela só se transforma em apoio eleitoral quando há resultados palpáveis, facilmente reconhecidos pela população.
Marcos de gestão
Na política pernambucana, a memória do eleitor costuma se fixar em marcos claros de gestão.
Jarbas Vasconcelos ficou associado à duplicação da BR-232. Eduardo Campos construiu sua imagem a partir de grandes hospitais e de um modelo de gestão na saúde. Paulo Câmara, por outro lado, apesar do ajuste fiscal e do equilíbrio das contas, não deixou um marco físico amplamente identificado com seu governo.
Esse histórico ajuda a entender a estratégia atual do Palácio do Campo das Princesas.
Projetos estruturantes
Nos últimos dias, Raquel Lyra apresentou três iniciativas com potencial simbólico relevante. A ordem de serviço do Arco Metropolitano atende a uma demanda antiga e dialoga com mobilidade e desenvolvimento econômico. A solução para a gestão do Metrô do Recife, em acordo com o governo federal, enfrenta um problema cotidiano de milhares de usuários. Já o leilão da concessão da Compesa aposta na parceria privada para atacar gargalos históricos de água e saneamento.
São projetos que ainda dependem de execução consistente, mas que ajudam a construir uma narrativa de ação. E deixam a impressão de ela virá acelerada em 2026.
Comunicação e ambiente político
A recuperação percebida também passa por ajustes que foram feitos na comunicação do governo, e que funcionaram.
Soma-se a isso um ambiente político menos tensionado com a Assembleia Legislativa, algo que também foi resolvido no fim de dezembro, o que reduz ruídos e amplia a capacidade de articulação institucional.
Esses fatores não substituem a entrega ainda, mas criam condições para que ela seja percebida pelo eleitor.
Rumo a 2026
A governadora entra em 2026 em situação claramente mais favorável do que a enfrentada em 2023 e no início de 2025.
Não, ainda não há elementos para classificá-la como favorita indiscutível, especialmente diante de um adversário competitivo, mas o cenário deixou de ser “defensivo”.
Se os projetos anunciados avançarem e se converterem em resultados visíveis, ela tende a chegar à disputa com musculatura política difícil de enfrentar.
A lógica do eleitor
A dinâmica dessa recuperação pode ser entendida como a reforma de uma grande avenida. No início, o cidadão enxerga apenas o transtorno, o trânsito e o entulho. Depois, compreende que o isolamento da área é necessário e que a obra demanda tempo. Ao ver máquinas em operação, passa a acreditar que algo está sendo feito. O apoio definitivo, porém, só vem quando o asfalto é concluído, a iluminação acende e o benefício se torna concreto.
O governo parece ter saído da fase das máquinas na pista para a etapa decisiva da entrega. É nela que o humor do eleitor se transforma em voto.




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