De janeiro a agosto deste ano, foram registradas em Pernambuco, em média, 2 mil atendimentos por mês a vítimas de sinistros com motocicletas
JC
Publicado em 24/10/2025 às 0:00
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Clique aqui e escute a matéria
As evidências se repetem, e se amontoam em números e fatos contra os quais é difícil argumentar. Mesmo assim, nem as chamadas autoridades, dos três poderes, nem as empresas de transporte de passageiros em duas rodas, nem os próprios motociclistas e os cidadãos que se arriscam na garupa, parecem ter a noção exata do transtorno social e econômico que representam os sinistros envolvendo as motos no trânsito. A realidade só piora. E a tendência é aumentar o sofrimento causado pela epidemia de choques, derrapagens e sustos que leva milhares de pessoas aos hospitais, diariamente, no Brasil. Sobretudo nos estados e regiões metropolitanas, como a nossa, onde o transporte coletivo é um vexame, com péssimos serviços e estruturas sucateadas como o Metrô do Recife. Quanto menos há opções de mobilidade para todos, coletivamente, mais o mototransporte e os motosinistros se espalham, gerando perdas materiais e, principalmente, deixando perdas irreversíveis nas vidas de tanta gente.
De acordo com o Sistema de Informação sobre Acidentes de Transporte Terrestre (Sinatt) da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), somente de janeiro a agosto de 2025 foram anotados, em média, 2 mil atendimentos por mês de vítimas de sinistros envolvendo condutores e passageiros de motocicletas no estado. Em maio, foram mais de 4 mil. Quase um terço das vítimas atendidas sofreram algum tipo de fratura, com quase 10% tendo politraumatismo, e 6% apresentando traumatismo cranioencefálico. Não são consequências bobas. As emergências ficam cheias, cirurgias marcadas precisam ser adiadas para dar conta da demanda que vem das ruas, e o tempo de internamento para recuperação afeta a capacidade da rede hospitalar para cuidar de outros pacientes – capacidade que já não era suficiente antes de chegarem as motociatas de sinistros.
Os dados se sobrepõem ao horror cotidiano. Mais de três quartos dos chamados ao SAMU, na Região Metropolitana do Recife, foram para vítimas de motos, entre janeiro e setembro deste ano. São quase 20 corridas por dia com essa finalidade: salvar e prestar socorro a condutores e passageiros de motos, ou vítimas que foram alvos das motos. Foi registrado, em média, um atropelamento por moto, por dia, nesse período. Como noticiado pelo JC, desde abril a frota de motocicletas ultrapassou a de carros em Pernambuco. Ou seja, se nada for feito, se não houver um freio de arrumação, a onda de motosinistros pode crescer ainda mais.
A coluna Mobilidade, assinada por Roberta Soares, vem acompanhando a situação, e oferece diversas perspectivas para quem quiser se aprofundar no assunto. Entre os pontos abordados, estão a falta de exigências e de fiscalização para a prestação do serviço por aplicativo, o custo de bilhões aos brasileiros, o colapso hospitalar, e a relação entre o aumento das motos e a decadência do transporte público. Exatamente pela inércia que permite a oportunidade econômica surgir, governos, parlamentos e o Judiciário poderiam fazer muito mais do que fazem para mudar o absurdo que virou rotina.

/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2607269536.png?w=300&resize=300,300&ssl=1)







/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/cavalgada-no-sitio-recanto.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2607269536.png?w=150&resize=150,150&ssl=1)



