O Louvre não é somente um repositório de obras-primas, mas também um monumento que revela séculos de transformações políticas, sociais e artísticas
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No domingo passado, 19/10/25, a humanidade, estarrecida, toma conhecimento do roubo, à luz do dia, praticado no Museu do Louvre, um dos mais célebres e visitados museus do mundo, símbolo da arte, da história e da cultura universal.
Situado no coração de Paris, às margens do rio Sena, o Louvre não é somente um repositório de obras-primas, mas também um monumento que revela séculos de transformações políticas, sociais e artísticas.
Sua imponência e diversidade fazem dele um verdadeiro espelho civilizatório da humana gente.
Segundo Machado de Assis, a oportunidade não faz o ladrão, faz o roubo, porque o ladrão já nasce feito.
O CASO EU CONTO COMO O CASO ESTÁ SENDO NARRADO:
Os ponteiros dos relógios, na capital francesa, estavam no envolto das 9h30 quando aconteceu o inimaginável: os assaltantes, em número de quatro, paramentados de operários (velho truque), com coletes de elevada visibilidade, desembarcaram de um caminhão equipado – pasmem! – com uma plataforma elevatória, encostado na fachada voltada para o rio Sena.
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A plataforma foi usada para alcançar uma das janelas da área conhecida como Galerie d’Apollon, no segundo andar do museu, com uma ferramenta de disco cortaram o vidro e adentraram no recinto onde estavam expostas joias da coroa francesa.
Em menos de sete minutos – estimativas sinalizam para em volta de quatro minutos dentro do museu –, os assaltantes se desincumbiram da tarefa e fugiram em scooters estacionadas para a retirada.
ONDE A TECNOLOGIA?
O que mais chama atenção é o fato de que, com tanta tecnologia em curso, um museu da estirpe do Louvre, tão da França, quanto do mundo, sai vitimado por uma ação desse porte.
Uma sirene, um alarme, não ecoou no lugar daquele espaço de memória, naquele produto turístico de tantas visitações ao seu recinto, à contemplação do seu valioso acervo.
Tão valioso se olhado pelos bens materiais, quanto relevante pelo que ele encarna na poeira do tempo histórico.
A França fica enfraquecida, chamuscada, pela ineficácia gerencial de um espaço, o maior da cultura e da história mundial.
VISITANTES, MEDO E DEMANDA
Entre os visitantes/turistas ficou a aura do medo, do temor de que as pessoas correm risco nos seus afãs de conhecimento, de viajarem, naquele recinto, através dos séculos.
Atualmente, o Louvre recebe milhões de visitantes todos os anos, consolidando-se como o maior museu do mundo em área expositiva.
Ele representa a herança cultural, não apenas da França, mas de toda a humanidade. Como escreveu o filósofo Paul Valéry, “os museus são como casas onde o tempo se detém.” No Louvre, esse tempo não se detém apenas: ele se transforma em arte, beleza e memória viva.
Segundo o Muséostat, os 1.200 museus franceses, sendo 1044 sob a égide do Ministério da Cultura daquele país, acolhem, anualmente, os governamentais, 65 milhões de visitantes, sendo o Louvre o de maior demanda, atingindo um patamar de 8,7 milhões.
As peças surrupiadas pertenciam ao acervo de joias imperiais e da realeza francesa, com forte valor histórico, além do valor monetário. A estimativa inicial é de 88 milhões de euros ( US$ 102 milhões) em valor econômico.
A imprensa divulgou, amplamente, as peças carregadas ao sopro da insensatez, da volúpia em se tirar proveito à custa do ouro e dos diamantes, das joias de toda uma riqueza material ainda nas mãos dos assaltantes, deixando-nos sob a expectativa de que esse acervo já tenha sido depenado para a comercialização a granel.
ROUBOS E ALERTAS – SINTOMAS DE UM TEMPO SEM SEGURANÇA
Na edição de 23/10/25, do Jornal do Commercio, João Alberto relembra, na sua coluna, sob o título de curiosidade, um outro episódio: “O roubo de ‘Monalisa’, de Da Vinci, que aconteceu em agosto de1911. O quadro ficou desaparecido por dois anos, com dois suspeitos inocentes, entre eles Pablo Picasso, presos. Até que foi reencontrado com o criminoso Vincenzo Peruggia, em Florença.”
O nosso planeta, portanto, passou 24 meses sofrendo a dor dessa perda, expectante diante do assombro da desdita, inclusive da suspeita impensável de Picasso, um dos maiores da arte universal.
Esse roubo de agora deixa, aos menos avisados, um alerta que precisa se concretizar em ações preventivas e seguras. O risco está à vista: basta olhar as estatísticas dos assaltos e da violência.
Os museus são, em sua maioria, entidades sem fins lucrativos. Precisam, por si e pelos organismos, ao lado das três esferas governamentais, antecipar-se aos fatos, protegendo e guardando a memória histórica de cada cidade, de cada Estado e, por fim, do Brasil.
Aqui não vale o preparo de lágrimas para o choro do leite derramado, nem as emissões de notas oficiais, como se estas fossem restaurar a parte do passado que passou por relaxamento gerencial, incapaz das salvaguardas necessárias e urgentes.
Reponsabilidade é o que se pede!
*Roberto Pereira, membro efetivo e benemérito do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Goiana, da Academia de Artes e Letras de Goiana, da Academia Brasileira de Eventos e Turismo e da Academia Pernambucana de Letras.

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