Ricardo Nunes e Guilherme Boulos são retratados aos cacos em obra de arte

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Ricardo Nunes e Guilherme Boulos são retratados aos cacos em obra de arte


Ricardo Nunes e Guilherme Boulos estão aos cacos nas telas do artista visual Flavio Rossi. Os candidatos à Prefeitura de São Paulo foram retratados não com tinta, mas sim com pedaços de vidro unidos por cola quente.

As obras foram encomendadas pela Folha como uma ilustração especial do embate que os dois candidatos travam neste domingo (27). No primeiro turno, os quatro principais nomes que disputavam o governo paulistano foram registrados com câmeras Polaroid.

Para este segundo turno, Rossi usou fotos de Nunes e Boulos como referência para juntar cacos de diferentes tonalidades até formar o rosto dos dois políticos. Nas obras, ambos aparecem reduzidos a fragmentos.

“De certa maneira, todo mundo é meio fragmentado”, diz o artista. “De longe, a gente pode até parecer inteiro, mas de perto somos uma união de fragmentos, de vivências e conhecimentos.”

Rossi diz que o trabalho implicou abrir mão do controle sobre o produto final. Isso porque o artista não determina o formato que o vidro vai adquirir quando é estilhaçado. Para ele, isso é uma metáfora da imprevisibilidade da vida.

“Eu procuro trabalhar sem interferir nas peças ou interferindo o mínimo possível na primeira quebra. Acho que esse caráter acidental traz força ao trabalho.” Ele já retratou por meio dessa técnica figuras tão diversas quanto Amy Winehouse, Salvador Dalí, Marilyn Monroe e Jean-Michel Basquiat.

Formado em artes plásticas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Rossi trabalhou como ilustrador e cartunista em veículos da imprensa, como a revista Veja e o jornal Agora São Paulo. Os trabalhos do artista já foram expostos em instituições como o espaço cultural Casa das Rosas, em São Paulo, e em galerias dos Estados Unidos, Inglaterra e Portugal.

Há dois anos, foi convidado para participar de uma exposição no país lusitano em homenagem à cantora Amália Rodrigues, morta em 1999. “Aí a ideia de trabalhar com vidro surgiu. Fiquei atraído justamente por suas propriedades, como transparência e periculosidade.”

De fato, manusear o material não é uma tarefa simples em razão dos riscos. “Já me machuquei algumas vezes. Isso acontecia porque meu raciocínio ficava completamente voltado para a imagem, então eu acabava esquecendo que estava lidando com vidro”, diz o artista, acrescentando que hoje em dia trabalha com equipamentos de proteção.

Quando começou a trabalhar com o material, passava horas dedicado ao ofício e só parava de madrugada. Como consequência, seu corpo colapsou. “Tive um problema grave no ombro e precisei parar durante um ano para me recuperar.”

Nesse período, enfrentou episódios depressivos por medo de não conseguir se recuperar. Assim como suas obras, ele diz que estava quebrado e em fragmentos. “Foi uma lição sobre os meus limites físicos. De certa maneira, isso acabou entrando no meu processo criativo. Vida e obra se misturam.”



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